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Virginia e Vini Jr.: especialistas analisam pomada íntima e antidoping
Ao comentar sobre o uso de pomada íntima, a influenciadora afirmou que precisa avisar o namorado para evitar qualquer risco em exames
atualizado
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Uma declaração recente de Virginia Fonseca reacendeu um debate pouco discutido fora dos consultórios médicos. Ao comentar sobre o uso de pomada íntima, a influenciadora afirmou que precisa avisar o namorado, o jogador de futebol Vini Jr., para evitar qualquer risco em exames antidoping.
O alerta, que chamou atenção nas redes, não é exagero, segundo ginecologistas e farmacêuticos ouvidos pela coluna Fábia Oliveira. O ponto central está na composição de algumas pomadas íntimas, especialmente aquelas que contêm hormônios, como a testosterona, e no impacto que esses produtos podem ter tanto na saúde vaginal quanto em quem mantém contato direto com a usuária.
Para o ginecologista Dr. César Patez, a fala de Virginia ajuda a trazer luz a um tema que costuma ser negligenciado. “Pomadas íntimas não são cosméticos comuns. Muitas têm ativos que alteram o pH vaginal e outras que são absorvidas pela pele. Em casos específicos, essas substâncias podem ser transferidas por contato íntimo e gerar consequências clínicas e até esportivas”, explicou ele.
A ginecologista Deborah Coelho destacou que o primeiro risco está na alteração do equilíbrio natural da vagina: “Algumas mulheres têm o pH vaginal mais ácido, outras mais alcalino. Quando a flora vaginal está modificada, essa alteração de pH favorece candidíase, vaginose bacteriana, que costuma causar odor fétido, além de corrimentos e leucorreia. Muitas pacientes entram em quadros de recorrência justamente por uso inadequado de pomadas”, afirmou.
Segundo a médica, o problema não se limita à mulher. “Se o parceiro tem algum tipo de alergia ou se associa o uso da pomada a preservativos com lubrificantes, pode ocorrer uma mudança de pH tanto no homem quanto na mulher. Isso pode perpetuar candidíase, vaginoses e até facilitar infecções sexualmente transmissíveis”, alertou.
Deborah reforçou que a escolha do produto nunca deve ser feita sem avaliação médica. “Antes de usar qualquer pomada íntima, a mulher precisa procurar o ginecologista, avaliar se a flora vaginal está preservada, se existe alguma DST ou infecção recorrente. A pomada modifica o pH e pode causar alergia tanto na mulher quanto no homem”, disse.
Quando a fórmula envolve hormônios, o cuidado precisa ser redobrado: “A testosterona, por exemplo, é absorvida pela pele. Se a mulher usa pomada de testosterona na região íntima ou na raiz da coxa, o contato com o parceiro pode levar à absorção dessa substância. Em exames, isso pode aparecer nos níveis séricos dele”, explicou a ginecologista.
Dr. César Patez ressaltou que, no caso de atletas profissionais, esse risco não pode ser ignorado. “Em esportes com controle rigoroso de dopagem, qualquer exposição inadvertida a hormônios pode gerar resultados positivos. Por isso, a comunicação entre o casal e a orientação médica são fundamentais”, afirmou.
A farmacêutica Jamunna Abrantes, conhecida como Dra. Unna, pesquisadora e especialista em desenvolvimento de suplementos e cosméticos de alta performance, explicou também que o problema está diretamente ligado à tecnologia da formulação.
“Pomadas íntimas hormonais utilizam bases que facilitam a absorção transdérmica. Essas bases são lipofílicas e pensadas para atravessar a barreira da pele, levando o ativo para a corrente sanguínea”, detalho.
Segundo ela, é justamente esse mecanismo que pode gerar alerta em exames antidoping: “Mesmo sendo de uso tópico, a substância pode atingir níveis detectáveis no sangue. Em atletas, isso pode ser interpretado como uso sistêmico, o que configura risco real em testes oficiais”, explicou Dra. Unna.
A repercussão da fala de Virginia Fonseca mostra que o tema vai além da intimidade e do autocuidado. Em tempos de alta performance esportiva e maior atenção à saúde íntima, informação e orientação profissional fazem toda a diferença.
“Pomada íntima não é produto de uso livre. É tratamento, exige indicação, avaliação do pH vaginal e análise da rotina da paciente e do parceiro”, conclui Dr. César Patez.









