Virginia e o vício em amar demais: quando o amor vira dependência emocional
Especialistas ouvidos pela coluna explicam a diferença entre demonstrar afeto e perder a própria identidade em um relacionamento

Virginia Fonseca voltou a movimentar as redes sociais ao compartilhar um vídeo em que o humorista Diego Sheik brinca sobre ser “viciado em amar demais”. Na gravação, ele afirmou que seu maior vício é demonstrar amor, carinho e compaixão. A influenciadora se identificou com a declaração e escreveu: “Vazou eu”, provocando uma série de comentários dos seguidores.
A publicação aconteceu semanas após o término do namoro com o jogador Vini Jr., anunciado no dia 11 de outubro. Embora ela não tenha mencionado o ex-companheiro, internautas associaram a postagem à vida amorosa da influenciadora e chegaram a levantar especulações sobre dependência emocional. Mas será que amar intensamente significa depender emocionalmente de alguém?

Receba no seu email as notícias da coluna Fábia Oliveira
Frequência de envio: Diário
Ver todasPara especialistas em comportamento e saúde mental, a resposta está menos na intensidade do sentimento e mais na maneira como a pessoa se relaciona consigo mesma.
Demonstrar carinho, desejar companhia e sofrer com uma separação são experiências humanas, mas o sinal de alerta aparece quando o relacionamento passa a determinar a autoestima, as escolhas e o bem-estar emocional.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAmar demais pode ser um problema?
A neurocientista e terapeuta Roberta Calderini explicou que existe uma diferença importante entre se entregar a uma relação e colocar sobre o parceiro a responsabilidade pela própria felicidade. Quando o medo de perder alguém passa a orientar as decisões, o vínculo pode deixar de ser uma escolha afetiva e se transformar em uma fonte constante de insegurança.
Em uma relação saudável, a pessoa consegue demonstrar sentimentos sem abrir mão de seus limites, de suas amizades e de seus projetos. Já nos vínculos marcados pela dependência emocional, a necessidade de aprovação pode fazer com que situações desconfortáveis sejam toleradas repetidamente para evitar o abandono.
A psicóloga Letícia de Oliveira também chamou atenção para o papel da autoestima. O problema não está em ser romântico ou demonstrar afeto, mas em sentir que o próprio valor depende de ser amado ou escolhido por outra pessoa. Nesses casos, o término pode ser vivido não apenas como a perda de um relacionamento, mas como uma ameaça à identidade.
Dificuldade de ficar sozinho
O médico Ciro Jorge do Nascimento, com atuação em saúde mental, destacou que o sofrimento após uma separação não deve ser confundido automaticamente com um transtorno psiquiátrico. A tristeza, a saudade e a vontade de retomar o contato com o ex-parceiro podem fazer parte do processo de luto pelo fim da relação.
A preocupação aumenta quando a pessoa apresenta ansiedade persistente, alterações importantes no sono, prejuízos no trabalho ou dificuldade de manter a própria rotina. Em situações assim, uma avaliação profissional pode ajudar a compreender se existem padrões de dependência, sofrimento emocional intenso ou outra condição que precise de acompanhamento.
Como saber se o amor ultrapassou os limites?
Entre os comportamentos que merecem atenção estão o medo constante de ser abandonado, a dificuldade de dizer não, a necessidade frequente de confirmação do amor do parceiro e o abandono de interesses pessoais para manter o relacionamento.
Também é importante observar se a pessoa permanece em uma relação que lhe causa sofrimento por acreditar que não conseguirá viver sem o outro. Isso não significa que todo relacionamento intenso seja prejudicial, mas que a reciprocidade, a autonomia e o respeito aos limites individuais precisam fazer parte do vínculo.
No caso de Virginia Fonseca, a publicação bem-humorada não permite concluir que exista dependência emocional ou qualquer problema de saúde mental. O episódio, entretanto, abre espaço para uma discussão que vai além da vida amorosa das celebridades: amar alguém não deveria exigir que uma pessoa deixasse de cuidar de si mesma.
















