
Fábia OliveiraColunas

Trend IA: especialista em saúde mental explica impactos emocionais
Luciano Huck e Angélica foram alguns dos famosos que compartilham imagens recriadas pela inteligência artificial; especialista faz alerta
atualizado
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A nova trend que movimenta as redes sociais traz celebridades e anônimos recriando fotos da infância ou simulando abraços em pessoas queridas que já faleceram. Luciano Huck, Angélica e Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, foram alguns dos que aderiram à moda, que rapidamente viralizou. Mas o que significa esse movimento para a saúde mental?
Segundo o médico especialista em saúde mental Iago Fernandes, essa tendência reflete uma busca humana antiga: a memória afetiva.
“Revisitar imagens da infância ou relembrar pessoas que já se foram desperta um misto de nostalgia, conforto e reflexão. Do ponto de vista da saúde mental, pode ter efeitos positivos, como reforçar nossa identidade, ressignificar experiências e manter vínculos simbólicos com quem fez parte da nossa história”, explicou à coluna.
No entanto, o especialista alerta que o excesso de romantização pode gerar efeitos contrários. “Quando essas lembranças são recriadas por meio da inteligência artificial, existe o risco de criar uma idealização irreal do passado, o que pode dificultar a aceitação da vida como ela realmente foi”, afirmou.
Abraçar a própria infância também pode ser visto como um ato de autoconhecimento: “Quando revisitamos a infância com um olhar reflexivo, reconhecemos emoções, medos e alegrias que continuam presentes na vida adulta. Isso ajuda a compreender a origem de certas características, inseguranças ou valores”, destacou Fernandes.
Em relação à simulação de abraços com pessoas que já faleceram, o médico aponta que essa prática pode ter um papel importante na elaboração do luto. “Mesmo depois da morte, carregamos as pessoas dentro de nós. Homenageá-las por meio de imagens ou lembranças pode trazer conforto e reafirmar a importância daquela relação”, disse.
Ainda assim, há a necessidade de cuidado: “Quando a lembrança vira idealização ou passa a ser usada para evitar a dor, pode atrapalhar o processo natural de aceitação e adaptação à ausência”, pontuou.
A trend, segundo o especialista, não é inofensiva. “Os riscos incluem a idealização exagerada do passado, a comparação social, a reativação de traumas em quem teve vivências dolorosas e a dificuldade de seguir adiante no luto. Além disso, há o perigo de transformar memórias íntimas em conteúdo para validação externa, dependendo de curtidas e comentários, o que pode esvaziar o valor pessoal dessas recordações”, alertou Fernandes.
Para ele, o segredo está no equilíbrio: “Essa trend pode ser significativa e até terapêutica, desde que vivida com consciência e limite. O ideal é que traga acolhimento, e não sofrimento”.
Trend de IA do Gemini
A trend do Gemini, que ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias, consiste em usuários transformarem fotos em imagens no formato Polaroid, geradas por IA do Google.



