Trend dos anos 80: por que as imagens feitas com IA estão viralizando?
Fotos de usuários, inclusive famosos, estão sendo transformadas em retratos com roupas, cabelos, cenários e estilos típicos da década

A estética dos anos 80 voltou a dominar as redes sociais nesta semana, em uma nova onda de trends produzidas com inteligência artificial. Fotos de usuários transformadas em retratos com roupas, cabelos, cenários e estilos típicos da década passaram a circular em plataformas como Instagram e TikTok, impulsionadas também pela participação de famosos, como Virginia Fonseca e Sabrina Sato.
Com o sucesso da Trend dos Anos 80, especialistas procurados pela coluna Fábia Oliveira explicaram o motivo destas ações viralizarem tão rapidamente, principalmente com o uso da IA.

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Ver todasA viralização
Para Thiago Muniz, especialista em Inteligência Artificial, comportamento digital e negócios, professor da FGV, a viralização ocorre pela combinação de novidade, velocidade e facilidade de acesso.
Segundo ele, recursos que antes exigiam equipes, tempo e investimento passaram a estar disponíveis para qualquer usuário, aumentando significativamente o volume de experimentação nas redes: “Agora alguém consegue ter uma ideia de manhã e colocar aquilo no ar à tarde”, afirmou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSem garantia de sucesso
Para o especialista, a própria capacidade da IA de produzir resultados inesperados gera curiosidade, mas ele ressaltou que nem sempre utilizar Inteligência Artificial não é garantia de sucesso.
“Muita coisa feita com IA provoca o ‘como fizeram isso?’. As pessoas param para olhar porque parece estranho, impossível ou inesperado. A tecnologia baixou o custo de produzir conteúdo. O desafio agora é aumentar o valor da ideia”, disse.
Presença de famosos ajuda
A presença de celebridades e influenciadores também funciona como um acelerador. Thiago Muniz explicou que o fato de celebridades já possuirem atenção e distribuição faz com que uma trend não precise começar do zero quando ganha a adesão de alguém com grande audiência. Além disso, a participação de uma figura conhecida pode funcionar como uma espécie de validação cultural para o formato.
“Quando uma celebridade participa, ela meio que ‘autoriza’ a trend culturalmente. Outras pessoas veem aquilo e pensam: ‘ok, agora eu também quero fazer’. A partir daí, o conteúdo pode ser reproduzido, adaptado e remixado por milhares de usuários. O famoso pode acender o fósforo. Mas, para virar incêndio, a ideia ainda precisa ser simples o suficiente para outras pessoas quererem participar”, opinou.
Tecnologia no cotidiano
Já Ademar Paes Júnior, especialista em IA, destacou que a popularização da inteligência artificial generativa também é fundamental para entender o fenômeno.
Segundo ele, a tecnologia deixou de estar restrita a especialistas e passou a fazer parte do cotidiano. Hoje, criar uma imagem elaborada pode exigir apenas uma fotografia e uma instrução escrita em linguagem natural.
A evolução dos modelos, especialmente na capacidade de preservar características individuais enquanto modifica roupas, cabelos, cenários, iluminação e estilos, tornou o resultado mais convincente e aumentou o interesse dos usuários. No caso específico da trend dos anos 80, Paes Júnior aponta ainda a nostalgia como um dos principais elementos de engajamento.
“A IA não está apenas produzindo uma imagem. Ela permite que a pessoa se veja em uma época que viveu ou que faz parte do seu imaginário. A combinação de tecnologia, memória afetiva e personalização torna a experiência especialmente atraente. O chamado efeito de rede também contribui para a expansão, já que a participação de amigos, influenciadores e pessoas conhecidas estimula outros usuários a fazer o mesmo”, esclareceu.
Cuidado com a privacidade
Apesar do caráter descontraído da trend, o especialista alertou para cuidados relacionados à privacidade: “Fotografias do rosto são dados pessoais valiosos e, antes de enviá-las para uma plataforma de IA, é importante verificar como o serviço armazena e utiliza essas imagens, por quanto tempo elas podem permanecer disponíveis e se podem ser utilizadas para outras finalidades”, declarou.
O especialista também chamou a atenção para riscos como criação de perfis falsos, deepfakes, fraudes e manipulação de identidade: “Quanto maior a quantidade de imagens de boa qualidade disponibilizada publicamente, maior pode ser a capacidade de reproduzir digitalmente a aparência de uma pessoa. Por isso, a recomendação não é abandonar as ferramentas, mas adotar uma espécie de ‘higiene digital” ao utilizá-las’”, comentou.
Atenção às plataformas
Ademar Paes Júnior pontuou também que os cuidados estão optar por plataformas confiáveis, verificar as políticas de privacidade, revisar as configurações de uso de dados e evitar o envio de imagens que contenham documentos, crianças, ambientes privados ou informações que possam indicar onde a pessoa mora, trabalha ou circula.
“A inteligência artificial está tornando extremamente fácil recriar nossa imagem, e o cenário exige uma mudança de comportamento e uma maior preocupação com a identidade digital, que deve ser tratada como um ativo que merece proteção”, concluiu.






















