
Fábia OliveiraColunas

Traições, ameaças e revelações: viúvo de Carlos Filhar rompe silêncio
Em entrevista à coluna, Arthur Borges detalhou traição, ameaças, ataques e afirmou que não havia terminado com Carlos Filhar
atualizado
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Arthur Borges, viúvo de Carlos Filhar, falou à coluna após a morte do influenciador, confirmada no último dia 7 de abril, depois da repercussão de uma carta de despedida publicada nas redes sociais.
Na mensagem, Carlos citou o relacionamento dos dois, marcado recentemente pela exposição de uma traição e por rumores de término.
Em entrevista, Arthur respondeu a questionamentos sobre a relação, o luto, os ataques que vem recebendo e fez revelações ao afirmar que o casal não havia se separado, além de dizer que também foi traído no início da história entre os dois.
Leia a entrevista na íntegra
Como foi a sua relação com o Carlos?
“Eu tinha apenas 15 anos quando conheci o Carlos. Era jovem demais para entender a intensidade de um sentimento que, desde o início, já parecia maior que nós dois. O que começou como olhares tímidos rapidamente se transformou em uma conexão profunda, daquelas que mudam a forma como alguém enxerga o mundo.
Por conta da idade e do medo da minha família, o nosso relacionamento precisou nascer no silêncio. Nos encontrávamos escondidos dos meus pais, aproveitando cada pequena brecha da rotina. Os encontros aconteciam nos dias do meu curso de design, de segunda a sexta-feira à noite. Eram nesses momentos que mantínhamos aceso o fogo da nossa paixão. Entre uma aula e outra, entre risadas e conversas rápidas, a gente construía algo muito bom e gostoso.
Eu já estava muito envolvido e ele também, mas nem toda história de amor é feita apenas de luz. Durante seis meses do nosso namoro, Carlos manteve uma relação paralela com outra pessoa. E eu descobri. Aquilo me atravessou de uma forma que palavras dificilmente conseguem explicar.
Para um jovem de 16 anos que estava vivendo seu primeiro grande amor, foi um golpe profundo. Abalou minha confiança e principalmente a minha autoestima. Foi um período de dor silenciosa.
Eu poderia ter desistido. Mas não foi isso que aconteceu. Eu queria ficar. O meu sentimento de amor por ele era muito forte. Eu fiquei porque, mesmo ferido, ainda enxergava o Carlos como alguém que valia a pena lutar.
Só que ninguém atravessa uma dor assim sem marcas. Em meio a esse turbilhão emocional, carregando inseguranças, mágoas e conflitos internos, eu também tive um deslize. Uma quebra do nosso acordo. Um momento de fragilidade que não nasceu da maldade, mas da dor que ainda estava aberta dentro de mim. E a internet acompanhou tudo isso.
E é aqui que a história precisa ser vista com cuidado. Relacionamentos são complexos. Pessoas são imperfeitas. Sentimentos, ainda mais quando vividos tão cedo, não vêm com manual. Que casal não comete erros?
Eu não acho justo as pessoas me crucificarem como estão fazendo. Eu amei intensamente, enfrentei traição, tentei reconstruir, também falhei, mas, acima de tudo, senti tudo de forma real. Poxa, eu tenho só 19 anos.
Existem dores que não foram expostas, decisões tomadas em momentos de vulnerabilidade e sentimentos que não cabem em comentários rápidos ou conclusões precipitadas. Eu não sou perfeito. Eu sou humano e erro como qualquer pessoa. E talvez seja exatamente isso que eu quero ser lembrado agora.”
Como você recebeu a notícia do falecimento dele?
“Eu descobri através da postagem dele no Instagram, a carta postada. Quando vi a publicação fiquei desesperado e fui correndo até o hotel, mas tudo já tinha acontecido. Fiquei um pouco perdido sobre o que fazer e, naquele momento, eu estava recebendo ligações e ameaças da família dele, todos me culpando de toda essa história.”
Você disse que a família do Carlos não permitiu sua presença no velório dele. Como você recebeu essa decisão?
“Por mensagem da própria família dele, minutos após a confirmação do óbito, sob ameaça de morte.”
Você foi informado oficialmente de que não poderia comparecer ou soube de outra forma?
“Informado pela família dele sob ameaças.”
Você tem sido responsabilizado nas redes pela morte. Como está lidando com esses ataques?
“A nossa relação sempre teve muitos haters desde o início, nos atacando pela grande diferença de idade. Quando assumimos publicamente o nosso namoro, eu tinha 17 anos e ele 45. Depois, quando já bem conhecidos através das nossas redes sociais do casal, continuávamos recebendo hates.
Eu nunca dei ouvidos a haters. Mas sempre foi algo que afetou o Carlos, até por ser uma pessoa que tratava a depressão e extremamente ansiosa. O Carlos diariamente tomava alguns remédios para ficar bem. Quando eu o conheci já sabia sobre o problema da depressão.”
Em algum momento você pensou em se posicionar antes ou preferiu o silêncio até agora? Por quê?
“Ainda que eu esteja sendo muito injustiçado e recebendo ameaças na internet, eu sei do meu sentimento por ele. Eu o amava, e muito. Eu continuo o amando.
Eu optei por passar pelo meu luto em silêncio e respeitar a pessoa que eu mais amei na minha vida. Eu prefiro não rebater os comentários de ataques, pois sei que o tempo vai mostrar a verdade.”
Você falou com o Carlos minutos antes da morte. O que pode compartilhar sobre esse último contato?
“Sim. Disse que estava no shopping perto da nossa casa esperando ele acordar para conversarmos e organizar o horário da live do Instagram. Às 12h29 ele só me disse: ‘O dengo vai comigo’.
Dengo é uma pelúcia que fez parte da nossa história.”
Naquele momento, você percebeu algum sinal de que ele não estava bem?
“Sim, e eu sempre me prontifiquei em ajudá-lo. Eu preciso falar com o coração aberto.
O Carlos já enfrentava a depressão antes mesmo da gente se conhecer. Ele fazia tratamento, tomava medicação, e eu sempre soube que existiam dores dentro dele que iam muito além de qualquer coisa que eu pudesse controlar.
Mas, quando a gente se encontrou, algo mudou. A gente viveu momentos que foram reais, de verdade, intensos e cheios de vida. Eu vi o Carlos voltar a sorrir, voltar a dar risada de verdade. Vi ele enxergar a vida com mais cor, como se o céu voltasse a ser azul de novo.
E isso não sou eu que estou dizendo. Essas foram as palavras dele. Na carta que ele deixou, ele mesmo disse que os anos ao meu lado foram os melhores momentos da vida dele.
Eu carrego isso comigo. Não como defesa, mas como verdade. Porque no meio de tanta dor e de tantos julgamentos, eu sei do que a gente viveu. Eu sei do amor, do cuidado, da tentativa de fazer dar certo. Eu nunca fui a dor dele. Se em algum momento eu pude ser, eu fui o sorriso.”
Após o término, vocês ainda mantinham uma relação próxima? Chegaram a se reconciliar emocionalmente?
“Essa pergunta é muito importante para esclarecer muitas coisas sobre a gente. Eu e o Carlos não terminamos.
A gente teve uma briga, uma discussão de casal como qualquer casal tem, e eu saí da nossa casa para dar a ele espaço e tempo para que pudéssemos conversar tranquilamente. Qual casal nunca teve discussão, desentendimento na vida?
O nosso momento, essa briga que tivemos, teve grande repercussão porque ficamos muito conhecidos na internet. A gente ficou conhecido por mostrar a nossa vida como casal, a nossa rotina. Nosso relacionamento sempre foi de muito afeto, porém, como todos os casais, tínhamos nossos desentendimentos e conflitos, principalmente pela divergência de pensamentos devido à nossa diferença de idade.”
A separação aconteceu poucos dias antes. O que de fato levou ao rompimento?
“Eu e o Carlos não terminamos. A gente teve uma briga, uma discussão de casal como qualquer casal tem. Que casal nunca passou por desentendimentos? A gente era um casal como qualquer outro.
Já estávamos bem e até combinamos de fazer uma live juntos para comunicar os nossos fãs através do Instagram.”














