Thales Bretas e mais: especialistas comentam gestação por substituição
Alternativa pode atender pessoas que não podem gestar, casais homoafetivos e solteiros que desejam formar uma família

As histórias de famosos que recorreram à gestação por substituição ajudaram a transformar um tema, que durante muito tempo ficou restrito aos consultórios de reprodução assistida, em assunto de interesse público. Paris Hilton, Kim Kardashian, Priyanka Chopra e Nick Jonas estão entre as celebridades internacionais que compartilharam suas experiências. No Brasil, a história de Thales Bretas e Paulo Gustavo também contribuiu para ampliar a discussão sobre as diferentes formas de construir uma família.
A visibilidade dessas histórias ganha ainda mais espaço neste mês, quando o Dia da Gestante é celebrado em 15 de agosto. A gestação por substituição, popularmente conhecida como “barriga de aluguel” ou “barriga solidária”, é uma possibilidade para pessoas que desejam exercer a parentalidade, mas, por razões médicas, biológicas ou relacionadas à própria configuração familiar, não podem ou não conseguem levar uma gestação adiante.
Para Ana Paula Del Padre, representante da Tammuz no Brasil, a exposição de histórias como essas ajuda a ampliar o conhecimento sobre uma possibilidade que ainda desperta muitas dúvidas.
“Quando uma pessoa famosa fala abertamente sobre o assunto, ela ajuda a tirar a gestação por substituição de um lugar de desconhecimento. Existem famílias que chegam a esse caminho por razões médicas, biológicas ou pela própria configuração familiar. Cada história é diferente e precisa ser analisada individualmente”, afirmou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo Ana Paula, entre as pessoas que procuram programas internacionais estão mulheres que não podem levar uma gravidez adiante, casais homoafetivos e pessoas solteiras que desejam ter filhos.
“Não existe uma fórmula única. Cada família chega em um momento diferente da sua jornada, com expectativas e necessidades específicas. O primeiro passo é entender essa realidade para, então, avaliar quais caminhos são possíveis”, explicou.
Apesar de o assunto muitas vezes ser associado apenas ao nascimento do bebê, a gestação por substituição envolve uma série de decisões que começam muito antes da gravidez. Para famílias brasileiras que realizam o processo no exterior, uma das primeiras questões é a escolha do país. Segundo a especialista, as regras relacionadas à gestação por substituição e ao reconhecimento da parentalidade variam de acordo com a legislação de cada destino.
Também entram no planejamento questões médicas, jurídicas, documentais e logísticas, que vão desde a preparação para o tratamento até o nascimento e o retorno da família ao Brasil.
“A jornada não começa quando a gravidez acontece. Existe uma preparação anterior que envolve a escolha do destino, a avaliação médica, o planejamento jurídico e a definição de cada etapa do processo. É importante que a família saiba previamente quais decisões precisará tomar”, afirmou Ana Paula.
A dimensão jurídica é um dos pontos que exigem atenção especial. Larissa Mocellin, responsável pela área jurídica da Tammuz Brasil, explica que o planejamento deve começar antes mesmo do tratamento médico.
“A segurança jurídica da família começa muito antes do processo médico. É preciso entender como a parentalidade será reconhecida no país onde ocorrerá a gestação, quais documentos serão necessários e quais procedimentos deverão ser realizados posteriormente para o reconhecimento da filiação e o retorno ao Brasil”, explicou.
Segundo Larissa, as diferenças entre as legislações podem ser significativas. Em alguns destinos, os pais intencionais podem ser reconhecidos desde o nascimento, enquanto em outros existem procedimentos adicionais para estabelecer juridicamente a filiação.
“Não basta olhar apenas para a possibilidade médica de realizar o procedimento. A família precisa entender também como aquela legislação funciona e quais serão os reflexos no nascimento, na documentação da criança e no retorno ao Brasil”, afirmou.










