Revelado por famosos, vício em pornografia é prejudicial? Saiba mais
Especialistas aproveitam o movimento "No Fap September" e falam sobre a prática assumida por artistas, como Erasmo Viana e Gustavo Tubarão

O debate sobre compulsão sexual e vício em pornografia não é novidade entre celebridades. Em relatos nas redes sociais, Erasmo Viana e Gustavo Tubarão falaram sobre o problema. Além deles, o ex-nadador Fernando Scherer, conhecido como Xuxa, relatou em entrevista ao programa Sem Censura como a pornografia impactou sua vida.
Casos semelhantes foram compartilhados por Carmo Dalla Vecchia, que buscou terapia sexual, e por artistas internacionais como o ator Terry Crews (de Todo Mundo Odeia o Chris), o cantor Kanye West, a modelo e atriz Cara Delevingne, o comediante Chris Rock e até a cantora Britney Spears, que admitiu ter chegado a um ponto crítico de obsessão sexual.
Nesse cenário, movimentos como o “No Fap September” [setembro sem masturbação, em tradução livre], que incentivam a abstinência de masturbação e pornografia durante um mês, ganharam força na internet. Mas afinal, quais os impactos dessa prática para casais e indivíduos?
Reflexão e conexão
Para a terapeuta tântrica Dri Linares, especialista em homens, a proposta de campanhas como essa pode abrir caminhos importantes de autoconhecimento.
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Ver todas“Movimentos como o ‘No Fap September’ trazem reflexões sobre hábitos automáticos ligados à sexualidade. No tantra, entendemos que a energia sexual pode ser direcionada para fortalecer a conexão consigo mesmo e com o parceiro. Quando o casal repensa o excesso de masturbação ou pornografia, abre espaço para mais intimidade, presença e consciência no ato sexual”, afirmou.
Perspectiva psicológica
Especialista em saúde mental, o médico Iago Fernandes lembra que esse fenômeno emerge em um contexto de hiperconectividade e consumo massivo de pornografia.
“Do ponto de vista psicológico e sociológico, movimentos como esse funcionam como convites à reflexão sobre compulsões e relações de poder na vida íntima. Para alguns casais, pode ser uma oportunidade de ‘reset’ na vida sexual”, explicou.
Ele ressaltou, ainda, que a masturbação é saudável quando integrada ao cotidiano de forma equilibrada: “Ela melhora a circulação, reduz o estresse e ajuda no sono. O problema surge quando vira compulsão, substitui vínculos afetivos ou está associada a uso problemático da pornografia”, completou.
Terapia cognitivo-comportamental
Já a psicóloga Mariane Pires Marchetti, especialista em TCC e transtornos de ansiedade, destacou que a abstinência em si não é um objetivo terapêutico.
“O ‘No Fap’ pode gerar reflexões sobre consumo de pornografia e masturbação, mas não é uma regra universal. Para alguns casais, pode fortalecer a parceria. Para outros, pode gerar ansiedade. O mais importante é avaliar se a prática faz sentido para a realidade de cada pessoa ou relacionamento”, analisou.
Masturbação: aliada ou problema?
Para os três especialistas, a masturbação é parte fundamental da saúde sexual, desde que feita sem culpa e em equilíbrio: “É um recurso de autoconhecimento, regulação emocional e fortalecimento da autoestima”, observou Dri Linares.
O problema, segundo Mariane, começa quando ela se torna a única forma de lidar com emoções difíceis, como ansiedade ou estresse: “Nesse ponto, deixa de ser saudável e passa a ser um comportamento disfuncional que merece atenção clínica”, esclareceu.
E a pornografia?
Outro ponto de convergência é a crítica ao consumo excessivo de pornografia: “Ela cria expectativas irreais sobre corpos e prazer, distanciando os casais da intimidade real”, pontuou a psicóloga.
Iago Fernandes acrescentou também que o uso exagerado pode levar à dessensibilização sexual e até disfunções como anorgasmia ou perda de interesse pelo parceiro.
Mariane Pires Marchetti complementou: “O problema não é a pornografia em si, mas a forma e a frequência com que é utilizada. Quando vira substituto da vida real, prejudica a autoestima e o vínculo afetivo”, disse.
O limite saudável
Não há um número fixo para definir o “quanto é demais”. Os especialistas são unânimes: o critério é funcional.
“Se a prática não atrapalha a vida social, profissional ou afetiva, e não causa sofrimento, ela é saudável”, resume Iago Fernandes.

















