Quitéria Chagas celebra mudanças no Carnaval: “Rainha é da quebrada”
Rainha do Império Serrano, que renovou o posto para 2027, comentou a saída de Virginia da Grande Rio e defendeu mais espaço para sambistas
Quitéria Chagas renovou seu posto de rainha de bateria do Império Serrano para o Carnaval de 2027 e já está de olho na próxima folia. Durante a festa de aniversário de Gardênia Cavalcanti, na última sexta-feira (21/8), a musa conversou com a coluna Fábia Oliveira e falou sobre as mudanças que tem observado na escolha das rainhas, além de comentar a decisão de Virginia Fonseca de deixar o posto que ocupava na Grande Rio.
“O Império Serrano dia 19 de setembro volta as atividades na quadra, a feijoada do Império. Eu estarei presente. Eu já tô há algumas décadas como rainha e tô muito feliz de ter renovado com eles. O Império completa 80 anos no próximo ano. É uma escola que criou muitas inovações que até hoje tem no Carnaval: destaque, fantasia, comissão de frente… E eu, como uma das rainhas veteranas e uma rainha negra que sempre lutou muito pra que a gente aumentasse a quantidade de rainhas negras na frente da bateria, eu fico muito feliz de ver o cenário mudando”, afirmou.

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Ver todasA sambista também falou sobre a presença de mulheres negras e integrantes das comunidades à frente das baterias. Para ela, o movimento representa uma mudança importante no Carnaval, principalmente diante da discussão sobre a escolha de famosas para os postos.
“Eu fico sempre contra a venda do cargo, né? Lógico que na Série Ouro as pessoas precisam da questão financeira, a verba é diferente do Grupo Especial. Mas ver que os dirigentes do Grupo Especial estão abrindo as rainhas que são negras, são sambistas, passistas… é um momento de maior protagonismo para equilibrar, né? Tem as outras também, mas é bom termos nós que somos representatividade, tem toda a questão da ancestralidade e da história do samba. Eu comecei no início dos meus 20 anos falando sobre isso, o pessoal dizia que eu era doida e sempre falei que rainha tinha que vir da quebrada. Agora a gente já tá vendo o processo de profissionalização desse cargo, isso é importante”, declarou.
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Quitéria Chagas ponderou que a presença de personalidades no Carnaval também teve sua importância histórica, principalmente em um período em que as escolas não contavam com o mesmo apoio financeiro. Segundo ela, a participação de pessoas de diferentes classes ajudou a ampliar a visibilidade da festa.
“No início do Carnaval foi importante pra ter a questão financeira quando não existia a verba pública. E o Carnaval era mais marginalizado e pra deixar de ser marginalizado pela sociedade tinha que trazer a sociedade, a alta sociedade, para o Carnaval. Acho que foi uma estratégia da comunidade preta, porque o Carnaval começou na comunidade preta, é um movimento negro pra se empoderar perante a sociedade e criar um rancho carnavalesco só de preto remetendo ao rancho carnavalesco português, porque o Carnaval é uma cultura europeia. Porém, no Brasil, a comunidade preta pós-Abolição criou isso e isso foi muito importante e é, e a gente não pode perder essas raízes, essa essência”, explicou.
Quitéria comenta saída de Virginia
Questionada sobre a decisão de Virginia Fonseca de deixar o posto de rainha de bateria da Grande Rio para se dedicar à família, Quitéria Chagas evitou julgamentos e afirmou que a escolha deve ser respeitada.
“É a decisão dela, a gente não pode julgar. É a escolha da vida dela, ela tem o direito de escolher o que ela quer fazer na vida, que ela quer ficar, quem não quer ficar. E ela entrou em algum consenso com os dirigentes e agora já estão com outra pessoa, eu creio né (risos). A gente só tem que assim, apoiar as outras pessoas, né? Ela teve aquele momento dela, teve a experiência dela. A Grande Rio é uma escola que sempre teve esse viés de ter muitos artistas. Também tem que ter um certo equilíbrio, né? Já que a sociedade brasileira é diversa, tem que ter de todos os gêneros, todas as raças, credos… Você não pode também fechar, olha, ‘só pode entrar fulano, beltrano’. É ruim, porque também nós temos pessoas famosas que têm um nome, têm uma expressão, uma história no Carnaval”, disse.
Para a sambista, o futuro do Carnaval passa justamente por encontrar esse equilíbrio entre celebridades e profissionais da folia, sem deixar de lado quem mantém viva a tradição.
“Eu sou a favor do equilíbrio e não da exclusão. Principalmente não excluir quem originou o Carnaval brasileiro, né? Porque aí fica demais, você não pode tirar a essência, as suas raízes. Então acho que tá encontrando agora um ponto de equilíbrio. Mas eu acredito que a tendência é profissionalizar, ter mais rainhas profissionais e, aos poucos, as personalidades que querem aparecer, querem ser destaque, em outras posições: carro alegórico, camarote na TV porque é obrigatório, os destaques atrás do carro, para ter essa divulgação na transmissão… E é uma forma que você não tem aquela demanda de ‘eu tenho que aprender a sambar, eu tenho…’, que exige esse lado profissional e de experiência também, né?”.
Quitéria ainda defendeu que a valorização dos profissionais do Carnaval passa pelo reconhecimento da própria cultura brasileira.
“E destaque de chão também pode ter algumas que sambam ou que não, mas o público tem exigido profissionais. E se você quer um respeito pela sociedade, você também tem que se valorizar e respeitar os nossos. E a nossa maior cultura, o nosso maior bem é a nossa cultura, internacionalmente reconhecida, e tem que proteger, né?”.














