
Fábia OliveiraColunas

Patrícia Marx fala sobre apoio da família após expor sexualidade
A cantora revelou que se assumiu lésbica com maturidade e recebeu total aceitação do filho e dos familiares
atualizado
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O retorno da novela A Viagem, de Ivani Ribeiro, reacendeu a lembrança de um dos temas marcantes da trama: a canção Quando Chove, interpretada por Patrícia Marx e associada à personagem Diná, de Christiane Torloni.
O sucesso da música atravessa décadas e permanece vivo, assim como a carreira da artista, que atualmente prepara um novo projeto musical previsto para outubro.
Em entrevista dada ao colunista Marcos Bulques, Patrícia revelou que está lançando um single por mês até a chegada do álbum completo. Ela contou que parte da inspiração surgiu após assistir ao filme Ainda Estou Aqui, ambientado na ditadura militar, o que a fez buscar referências em nomes como Ivan Lins.
Novo álbum
“Foi um álbum muito pensado também depois que eu assisti [o filme] ‘Ainda Estou Aqui’, muito essa época da ditadura, essa impressão que ficou em mim de ter assistido aquilo, eu fui buscar essas referências nas músicas do Ivan [Lins], porque isso também traduz muito, o Ivan que veio da década de 1970, com Abre Alas, inclusive uma música que eu gravei com Seu Jorge, então eu peguei um pouco dessa referência da ditadura e o quanto a música também se escondia um pouco para poder existir”, explicou.
Sexualidade e representatividade
Mãe de Arthur, fruto de seu relacionamento anterior, Patrícia se assumiu lésbica em 2020 e hoje vive com a arquiteta Renata Pedreira. Ao relembrar o processo de assumir a sexualidade, destacou que a decisão exige preparo e amadurecimento, especialmente quando se trata de alguém público.
“Acho importante falar sobre e se posicionar também, mas tem uma coisa muito mais importante, que é você estar pronto para dizer, não é assim: ‘ah, vou dizer’. Eu passei por isso. Foi uma maturação para eu dizer, [para] eu me assumir e experimentar esse lugar e eu tive que ter certeza e estar pronta para dizer, inclusive para minha família, que são pessoas diversas, criações diversas, mas é um momento que você tem que estar certo disso, você tem que estar inteiro. Acho muito difícil a pessoa se assumir de qualquer jeito”, afirmou.
A artista reforçou ainda a relevância do papel de quem está na mídia. “Nosso papel como artista, como comunicadores e influenciadores é dizer: ‘olha, não tenha medo, o mundo está aqui e existe essa parte da população LGBTQIA+’”, declarou.
Apoio familiar
Patrícia destacou que a reação de sua família foi acolhedora, sem qualquer rejeição.
“Quando eu me assumi, eu fui extremamente apoiada, não tive nenhum problema, ninguém falou nada, meu filho superaceitou, falou: ‘mãe, você tem que estar feliz, não tenho nada com isso, você está feliz, eu estou feliz’, meu pai, minha mãe, então é um tabu não se assumir, mas tem uma questão da preparação de você estar pronto: ‘eu vou viver isso e eu vou viver a minha verdade, doa a quem doer’. Isso é uma maturidade que você tem que ter. Você pode ser, pode gostar e continuar se escondendo e vivendo uma vida de mentira até que ponto? Você vai pensar nos outros para ser feliz? Você tem que pensar em você primeiro, depois, a partir de você, fazer outras pessoas felizes, você ser um exemplo de realização, amor, afeto, de acolhimento”, disse.
Música e psicologia
Com uma trajetória consolidada na música, Patrícia decidiu investir também na psicologia, área em que já se prepara para atuar clinicamente. “Eu vou atender em clínica e aí é uma coisa interessante porque tem um professor meu que até já propôs em fazer uma iniciação científica sobre esse tema: como atender e ser famosa?”, contou.
Apesar do novo caminho, Patrícia garantiu que não deixará a arte de lado. “Eu não vou abandonar a música e quem sabe o que eu vou fazer com essas duas coisas juntas, esse que é meu grande desafio”, concluiu.











