Fábia Oliveira

Padre se defende em ação da família Gil e fala em “contexto religioso”

Danilo César se defendeu na ação movida pelo pai, madrasta, filho e irmãos da cantora; religioso ironizou a religião e a morte da artista

atualizado

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Montagem colorida de Padre Danilo César e Preta Gil - Metrópoles
1 de 1 Montagem colorida de Padre Danilo César e Preta Gil - Metrópoles - Foto: Reprodução/Instagram

A coluna Fábia Oliveira descobriu que o padre Danilo César da Paróquia São José em Campina Grande, na Paraíba, apresentou à Justiça sua defesa formal em um processo movido por familiares da cantora Preta Gil.

O caso surgiu após uma declaração do religioso sobre da morte da cantora, vítima de câncer, em julho de 2025. São autores da ação o pai e madrasta de Preta, Gilberto Gil e Flora Gil, além dos irmãos da artista Nara, Marília, Bela, Maria, Bem e José e o filho da cantora, Francisco Gil.

Entenda o caso

O processo teve início após o padre falar da religião de matriz africana, seguida por Preta Gil e sua família, em uma missa realizada no dia 20 de julho, horas após ser noticiada a morte da cantora.

“Deus sabe o que faz. Se for para morrer, vai morrer […] Qual o nome do pai de Preta Gil? Gilberto. [Ele] fez uma oração aos orixás. Cadê esses orixás, que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, disse o padre, cuja fala foi registrada em uma live no YouTube, no canal da Paróquia. Após denúncia e abertura de inquérito, o vídeo foi retirado do ar.

A fala foi interpretada como um desrespeito e ironia à fé nos orixás. À Justiça, familiares afirmaram que o padre extrapolou os limites da liberdade de expressão e feriu a imagem e a religiosidade de Preta. Eles pedem uma indenização por danos morais de R$ 370 mil.

A defesa do padre

Nos documentos obtidos com exclusividade pela coluna, o padre se defendeu. Na contestação, apresentada em 10 de fevereiro, Danilo César nega as acusações e sustenta que é preciso considerar o contexto de sua fala.

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Preta Gil é homenageada durante premiação às mulheres na música
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Ele destacou que a fala ocorreu em um templo católico, em um culto interno e direcionado, especificamente, àquela comunidade religiosa. O religioso afirmou, ainda, que não teve dolo de atingir ou ofender pessoas de outras crenças, uma vez que elas não eram as destinatárias de sua mensagem.

O padre alegou, também, que a fala que viralizou nas redes fazia parte de um momento da missa com propósito pastoral e de ensinamento. Nele, a intenção seria encorajar os fiéis a seguir e respeitar a doutrina da Igreja Católica.

Danilo também mencionou que algumas das expressões que geraram controvérsia eram apenas uma forma de facilitar a compreensão de conceitos católicos pelos ali presentes. Segundo ele, sua conduta se limitou ao campo da crítica teológica e da exortação pastoral, e alegou ter agido dentro do direito constitucional à liberdade religiosa.

Ainda de acordo com o padre, o uso do exemplo de Preta Gil teve intento pedagógico dentro da linha de raciocínio de sua pregação, mas reconheceu a sensibilidade do tema. Ele salientou, no entanto, que não incitou a prática de atos de discriminação ou violência contra outras religiões, nem incentivou fiéis a tratarem mal os praticantes de outras fés.

Repercussão e atuação de terceiros

Em outro momento da defesa, o sacerdote da Paróquia São José em Campina Grande, na Paraíba, alegou que a repercussão negativa não foi gerada por ele, mas sim por terceiros.

Danilo César afirmou que houve um ato deliberado, em que terceiros manipularam o vídeo, o recortando e o retirando de contexto, escolhendo disseminá-lo nas redes de forma viral.

Material de apoio

Para comprovar que agiu dentro dos limites de sua função e coberto pela liberdade religiosa, o padre Danilo César juntou à sua defesa uma coletânea de documentos de teor doutrinário. Segundo ele, o material permitirá identificar o contexto de suas falas.

Acordo com o Ministério Público Federal

Danilo César também foi denunciado por intolerância religiosa por conta de sua fala sobre Preta Gil, mas entrou em acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para não responder criminalmente pela conduta.

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