
Fábia OliveiraColunas

Narcisista ou mimada? Especialistas explicam comportamento de Samira
Especialistas analisam atitude da sister e alertam para riscos de rotular decisões tomadas sob pressão extrema
atualizado
Compartilhar notícia

A decisão de Samira no BBB 26 de votar em um aliado próximo após um desentendimento gerou uma onda de críticas nas redes sociais e reacendeu uma discussão recorrente fora da casa: afinal, estamos diante de um comportamento narcisista ou de alguém considerado mimado?
Em meio a julgamentos acelerados, especialistas destacam que a resposta não é tão simples quanto parece. A psiquiatra Jessica Martani, de São Paulo, explica que o narcisismo, no sentido clínico, envolve padrões consistentes e não atitudes isoladas.
“Traços narcisistas incluem necessidade excessiva de admiração, dificuldade de reconhecer erros, baixa empatia e uma tendência a reagir de forma intensa a críticas. No caso da Samira, algumas reações podem lembrar esses comportamentos, como a dificuldade de lidar com questionamentos, mas isso não permite um diagnóstico, principalmente em um ambiente editado e de alta pressão como o reality”, afirmou.
Zora Viana, psicóloga e neuropsicóloga também chama atenção para a diferença entre análise e julgamento. “Nenhum profissional sério diagnostica alguém com base em semanas de confinamento exibidas na televisão. O que podemos fazer é observar padrões de comportamento e discutir o que eles podem sinalizar”, explicou.
Segundo ela, algumas atitudes da sister indicam sensibilidade elevada a críticas e dificuldade de separar o comportamento da própria identidade. “Quando a pessoa interpreta uma crítica ao que fez como um ataque ao que ela é, isso revela um funcionamento emocional importante. Soma-se a isso a necessidade de validação e a dificuldade em sustentar vulnerabilidade”, disse.
Ainda assim, Zora pondera que isso não significa, necessariamente, narcisismo: “Minha leitura é que há uma combinação de alta sensibilidade à percepção de injustiça, necessidade de validação e baixa tolerância à frustração. Isso pode ser amplificado pelo confinamento, pela privação de sono e pela pressão constante. Não é diagnóstico, é uma leitura comportamental”, afirmou.
Na mesma linha, a psicóloga Mariane Pires Marchetti, especialista em ansiedade e autoestima, destaca que o comportamento pode estar mais ligado à forma como a participante lida com o desconforto emocional.
“Em situações de pressão, muitas pessoas tomam decisões para aliviar o incômodo imediato, mesmo que isso gere consequências depois. O público costuma chamar isso de ‘mimo’, mas, tecnicamente, estamos falando de baixa tolerância à frustração e dificuldade de sustentar conflitos”, explicou.
Para a terapeuta Glaucia Santana, o contexto do reality precisa ser levado em consideração antes de qualquer rótulo. “O que aparece é uma decisão reativa ao desconforto e à pressão do ambiente. O BBB intensifica emoções e reduz a capacidade de pensar a longo prazo, fazendo com que escolhas sejam guiadas pelo alívio imediato”, disse.











