Morre aos 92 anos Nilton Travesso, um dos grandes nomes da TV brasileira
Diretor e produtor teve uma trajetória de mais de sete décadas e participou de atrações históricas da televisão

Morreu, aos 92 anos, Nilton Travesso, um dos nomes importantes da história da televisão brasileira.
O diretor e produtor construiu uma trajetória de mais de sete décadas no audiovisual, participando da criação e do desenvolvimento de programas que marcaram diferentes gerações de telespectadores.
O velório de Nilton está marcado para este sábado (7/11), das 10h às 17h, na Funeral Home, localizada no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo.
Quem era Nilton Travesso
Nascido em São Paulo, em 20 de maio de 1934, Nilton iniciou sua carreira na televisão em 1953, quando integrou a equipe responsável pela implantação da TV Record.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAo longo de mais de duas décadas na emissora, participou de atrações que fizeram história, como Família Trapo, O Fino da Bossa, Esta Noite se Improvisa e os Festivais de Música Popular Brasileira.
Posteriormente, o profissional também deixou sua marca na TV Globo, onde participou de projetos importantes, entre eles o Fantástico, além de trabalhar em atrações como TV Mulher, Balão Mágico, Som Brasil e Chico Anysio Show.
Sua trajetória ainda passou pela extinta TV Manchete, onde esteve envolvido no desenvolvimento de produções de teledramaturgia, incluindo novelas como Pantanal, A História de Ana Raio e Zé Trovão e Kananga do Japão.
No SBT, Nilton também participou da estruturação da área de teledramaturgia e esteve ligado a produções como Éramos Seis, As Pupilas do Senhor Reitor e Sangue do Meu Sangue.
Além dos trabalhos nos bastidores das emissoras, o diretor dedicou parte de sua carreira à formação de novos profissionais. Em 2001, fundou a Oficina de Atores Nilton Travesso, voltada à preparação de artistas para o mercado audiovisual e teatral.
Bastidores da TV
A formação profissional de Nilton também passou por uma experiência intensa nos bastidores da televisão. Em entrevista ao R7, em 2023, ele contou que, no início da carreira, enfrentava jornadas de treinamento de 12 a 14 horas por dia. Durante esse período, aprendeu diferentes funções técnicas, passando por áreas como iluminação, operação de câmeras, som e direção. Com o tempo, chegou a participar da produção de 17 programas por semana.
Na Record, Travesso também integrou a chamada Equipe A, ao lado de nomes como Manoel Carlos, Raul Duarte e Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Seo Tuta. O grupo teve participação importante na reorganização da programação da emissora após incêndios que atingiram suas instalações. Em meio às dificuldades, os profissionais precisaram encontrar alternativas para manter as produções no ar, chegando a utilizar um teatro no centro de São Paulo como estrutura de gravação.
Durante sua passagem pela TV Manchete, Nilton também esteve envolvido nos bastidores de uma estratégia que marcou a chegada de Pantanal à televisão. Na época, como diretor de programação da emissora, acompanhou a grade da concorrente para identificar o melhor momento de lançamento da novela de Benedito Ruy Barbosa. A produção acabou se transformando em um dos maiores sucessos da história da Manchete.
Em novembro de 2023, o diretor recebeu uma homenagem durante o primeiro Fórum de TV Aberta Brasileira, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo. Aos 89 anos, foi aplaudido de pé pelo público ao relembrar sua trajetória profissional. Na ocasião, demonstrou emoção ao falar sobre a relação construída com a televisão ao longo de mais de sete décadas.
Na vida pessoal, Nilton Travesso construiu uma longa história ao lado de Marilú Torres, apresentadora e bailarina com quem se casou em 1962. Os dois se conheceram nos primeiros anos de sua trajetória na TV Record e permaneceram juntos por mais de seis décadas. Da união nasceram dois filhos, Marcelo Travesso e Camila. O diretor também deixa cinco netos.













