Fábia Oliveira

Médicos explicam reação após uso de produto de Virginia nos olhos

Produto não é indicado para contato direto com os olhos e pode causar inflamação, dor e lesões na córnea, alertam especialistas

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metropoles.com

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1 de 1 medicos-explicam-reacao-apos-uso-de-produto-de-virginia-nos-olhos - Foto: Reprodução/Internet.

Viralizou recentemente nas redes sociais o relato de uma mulher que apresentou problemas na visão após utilizar o Wedrop, produto da marca WePink, pertecente a influenciadora digital Virginia Fonseca, próximo aos olhos.

Embora o produto tenha registro na Anvisa como cosmético para uso tópico na região dos cílios e sobrancelhas, especialistas alertam que ele não foi testado para contato direto com a superfície ocular — e esse detalhe faz toda a diferença quando o assunto é segurança.

Cosmético pode causar lesões oculares

“O produto Wedrop é, sim, registrado na Anvisa como cosmético, o que autoriza sua venda no Brasil para uso tópico, voltado à região dos cílios e sobrancelhas. No entanto, isso não significa que ele foi testado para uso oftalmológico. Cosméticos, em geral, não passam pelos mesmos testes rigorosos exigidos para colírios ou medicamentos oculares, que avaliam segurança em contato direto com a córnea”, explica o oftalmologista Dr. Marcelo Taveira, referência em cirurgia refrativa e cuidado ocular.

Ao ser questionado se um cosmético pode causar queimaduras na córnea ou perda temporária da visão, o especialista confirma:

“Sim, é possível. Mesmo na ausência de um componente tóxico direto, uma reação alérgica ou de hipersensibilidade pode provocar sintomas intensos, como dor, ardência, vermelhidão e até lesões na superfície da córnea. Esses quadros, especialmente em pessoas mais sensíveis ou com histórico alérgico, podem, sim, mimetizar uma ceratite química, inflamação dolorosa da córnea que se comporta como uma queimadura superficial.”

Sintomas podem surgir rapidamente

Entre os principais sinais de alerta após o uso de produtos de beleza na região ocular estão ardência intensa, lacrimejamento excessivo, vermelhidão, visão embaçada, sensação de areia nos olhos e dificuldade para mantê-los abertos.

“Na formulação de alguns cosméticos, existem substâncias que, ao entrarem em contato com a superfície ocular, podem provocar quadros de ceratite química, irritação conjuntival e toxicidade epitelial”, explica Taveira.

Entre os componentes mais arriscados presentes em produtos desse tipo estão o Phenoxyethanol, o Imidazolidinyl Urea (que libera formaldeído), o Sodium Laureth Sulfate e o Benzyl Alcohol — todos conhecidos por seu potencial irritativo para mucosas e olhos.

O que fazer

Nessas situações, a conduta médica é objetiva. “A primeira atitude deve ser interromper o uso do produto imediatamente e lavar os olhos com água corrente ou soro fisiológico em abundância, para diluir e remover o agente irritante. Se os sintomas persistirem após o enxágue, como dor, vermelhidão ou visão embaçada, é essencial procurar um oftalmologista com urgência. Quanto mais rápido o atendimento, maior a chance de evitar complicações”, reforça o oftalmologista.

Sobre a possibilidade de sequelas permanentes, Taveira esclarece: “A maioria das queimaduras leves a moderadas na córnea são reversíveis com tratamento adequado e rápido. O epitélio corneano tem grande capacidade de regeneração. No entanto, casos graves ou negligenciados podem evoluir para cicatrizes, opacidades ou, em situações extremas, comprometimento visual permanente.”

Atenção redobrada

Já para a alergista e imunologista Dra. Brianna Nicoletti, o caso destaca a importância de cuidados básicos antes de aplicar qualquer produto próximo aos olhos.

“Usar cosméticos sem liberação específica para contato ocular representa risco real de reações alérgicas graves, irritações e lesões. A região dos olhos é extremamente sensível, e nem todo produto cosmético é formulado para essa área, mesmo que a aplicação seja próxima, como nos cílios ou sobrancelhas. É importante também estar atento e ver se há algum histórico anterior com substâncias que tenham estrutura parecida ou histórico de reações alérgicas. O ideal é que esses produtos sejam prescritos por um médico, sempre que possível, para evitar complicações sérias”, orienta.
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Relembre o caso

Tem repercutido nas redes sociais o relato de Lidiane Herculano, moradora de Nova Iguaçu (RJ), que afirmou ter ficado momentaneamente cega após usar um produto da marca Wepink, de Virginia Fonseca. A história foi divulgada pela coluna no último domingo (6/7), e a equipe da influenciadora já se manifestou sobre o ocorrido.

Lidiane contou que aplicou um fortalecedor de cílios vendido pela marca e, pouco depois, começou a sentir uma leve ardência nos olhos. Sem dar muita importância ao sintoma inicial, ela foi dormir, mas acordou com a visão nublada e em tons de cinza. Mesmo após lavar os olhos com soro e água boricada, os sintomas persistiram. Segundo ela, uma oftalmologista confirmou que suas córneas teriam sido queimadas pelo produto.

Com o passar das horas, o quadro piorou. Lidiane relatou fortes dores, lacrimejamento excessivo e dificuldade para abrir os olhos. A médica receitou quatro colírios, mas, na manhã seguinte, a dor havia se intensificado. A família informou que pretende tomar medidas legais contra a empresa responsável pelo cosmético.

Em nota enviada à coluna Fábia Oliveira, a defesa da marca Wepink afirmou que entrou em contato com Lidiane Herculano para solicitar o envio do produto usado, a fim de realizar uma perícia técnica.

Segundo a empresa, foram oferecidas opções de postagem reversa ou coleta domiciliar, mas, inicialmente, a consumidora teria se negado a entregar o item. A marca segue aguardando o envio para análise.

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