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Fábia Oliveira

Marco Túlio Davi relembra decisão de deixar banco para criar conteúdo

Em entrevista exclusiva à coluna, influenciador relembrou a decisão de abandonar o mercado financeiro e falou sobre o sonho de chegar à TV

21/06/2026 09:00
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Divulgação/créditos @demmacedo
Foto colorida de Marco Túlio Davi - Metrópoles

Com mais de 17 milhões de seguidores nas redes sociais, Marco Túlio Davi nem sempre imaginou viver da internet. Antes de conquistar milhões de brasileiros com vídeos de humor inspirados no cotidiano do trabalhador, o influenciador construiu uma carreira sólida no mercado financeiro e chegou ao cargo de gerente de investimentos em um banco.

Em entrevista exclusiva à coluna Fábia Oliveira, Marco relembrou a decisão que mudou completamente os rumos de sua vida profissional. Formado em Administração, ele abriu mão da estabilidade para apostar em um sonho antigo: trabalhar com comunicação e entretenimento.

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Marco Túlio Davi caracterizado de algumas personagens que já interpretou
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Marco Túlio Davi
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Segundo o influenciador, a mudança aconteceu quando percebeu que estava se afastando de quem realmente era. “Eu senti que estava perdendo a minha essência, aquela do Marco Túlio da infância, do menino extrovertido que gostava de imitar as pessoas, de se comunicar, de cantar, dançar, das artes em geral”, contou.

Apesar da carreira consolidada, ele afirma que entendeu que precisava buscar novos caminhos. “Entendi que já não queria mais fazer parte da organização e que precisava seguir meus sonhos”, disse.

A aposta deu certo. Hoje, Marco soma milhões de seguidores e trabalha com grandes marcas, mas garante que o crescimento não aconteceu por acaso. “Sempre foi uma profissão e eu acho que esse foi o segredo: ter disciplina, consistência e persistência”, afirmou.

Ao longo dessa trajetória, Marco contou com o apoio da esposa, companheira há 12 anos, que deixou a carreira de engenheira química para atuar ao seu lado na administração dos negócios. E, mesmo após o sucesso nas redes sociais, ele garante que ainda tem metas a alcançar. “A televisão segue sendo um sonho para mim”, revelou.

Leia a entrevista completa com Marco Túlio Davi:

Você tinha uma carreira consolidada no mercado financeiro. Qual foi o momento em que percebeu que não queria seguir aquele caminho para sempre?
Sim, eu tinha uma carreira consolidada. Passei por muitos cargos no banco, fui de estagiário a gerente de investimentos, foram quase 10 anos. Cheguei a substituir o gerente geral da agência, enfim, fui muito feliz nesse período, conquistei muitas coisas, inclusive meu primeiro apartamento. Mas eu senti que estava perdendo a minha essência, aquela do Marco Túlio da infância, do menino extrovertido que gostava de imitar as pessoas, de se comunicar, de cantar, dançar, das artes em geral. E vi que estava me tornando uma pessoa mais séria por viver naquele ambiente corporativo, cheio de metas e assuntos delicados, que envolvem finanças, dinheiro e economia.

Foi ali que percebi que também estava sendo moldado e deixando minha personalidade de lado. Sempre digo o quanto sou grato ao banco pela minha formação profissional, aprendi e amadureci muito. Entrei lá com 19 anos e saí aos 28, foram nove anos. Nos últimos anos tive algumas decepções relacionadas a promessas de aumento de salário e progressão de carreira. Eu costumava treinar muitos profissionais quando entravam no banco e acabava que as pessoas já entravam com salários maiores do que o meu e isso foi me frustrando aos poucos e aliado a esse processo de entender que eu estava perdendo a minha real identidade, entendi que já não queria mais fazer parte da organização e que precisava seguir meus sonhos.

Houve alguém que tentou te convencer a não fazer essa mudança?
Graças a Deus, não teve ninguém que tentou me convencer a não fazer essa mudança. Inclusive a minha família super me apoiou. E acho que foi muito importante ter esse privilégio de contar com pessoas que confiavam no meu coração, na minha intuição, e que acreditava nos meus sonhos, ainda que eles fossem distantes da minha realidade naquele momento.

O Marco de hoje seria motivo de orgulho para aquele gerente bancário de 30 anos?
Ah, com certeza! O Marco de hoje é um motivo de muita alegria e orgulho porque deu certo, né?! A internet me revelou, não só para o Brasil, mas para o mundo. E me mostrou também o quanto aquele menino do interior é um artista versátil e talentoso, cheio de habilidades. Um cara que se comunica bem, que tem um propósito na vida e na internet. Eu sempre digo que mais do que fama, meu propósito é levar alegria para as pessoas, fazerem elas sorrirem, se divertirem, ajudar a aliviar a pressão e as dificuldades do dia a dia, sendo alegria e entretenimento. Então, com certeza, eu sou um motivo hoje de orgulho para aquele Marco de 2021, que largou uma carreira aos 28 anos por acreditar nos seus sonhos.

Você imaginava que chegaria à marca de mais de 18 milhões de seguidores?
Eu sempre fui muito focado e sempre tive certeza de que daria certo. Só não sabia quando e como seria, afinal Deus é quem comanda e as vezes o caminho é mais longo e mais complexo do que imaginamos. Eu sabia que ia dar certo, porque conversando com Deus isso me foi revelado, de que esse era meu propósito. Mas a verdade é que nunca imaginei esses números e essa grandiosidade toda. 18 milhões é muita gente. Sempre falo que não são só números! É muito mais que isso, representa o meu trabalho, a minha perseverança, o meu amor pela arte etc.

Em que momento percebeu que seu conteúdo tinha deixado de ser apenas entretenimento e se tornado um negócio?
Desde que saí do banco eu sempre encarei como trabalho,. Eu já monetizava em algumas redes sociais, como por exemplo, o Kwai. Então eu sempre encarei como um trabalho e, assim como no banco, por exemplo, eu tinha metas para seguir/entregar. Eu não saía de casa se eu não produzisse pelo menos um vídeo por dia. Fui estudar teatro para aprimorar a minha interpretação.  A internet não precisa de certificados/diploma, mas eu entendia que essa base ia me ajudar muito. Sempre foi uma profissão e eu acho que esse foi o segredo: ter disciplina, consistência e persistência.

Qual foi o vídeo que mais te surpreendeu em termos de repercussão?
Tem vários. Mas acredito que quando eu fiz o vídeo do professor universitário que fica sabendo do abaixo-assinado que a turma fez para tirá-lo, sendo que ele era concursado. Esse vídeo teve mais ou menos 49 milhões de visualizações no TikTok, fora Instagram. A repercussão foi muito grande, acho que as pessoas se identificaram muito, além do fato de que o professor não poderia ser desligado, afinal ele é concursado. Então essas questões vieram à tona, além de trazer a educação como tema central. Ah, viralizou também entre os professores porque situações acontecem frequentemente com eles.

Hoje você faz a gestão da própria carreira. Foi difícil assumir também o papel de empresário?
Sim, hoje eu faço a gestão da minha própria carreira. E não foi difícil assumir o papel de empresário, primeiro pela minha formação em Administração de Empresas – pela Universidade Federal de Uberlândia – depois pela experiência com finanças e processos internos, por causa do banco. E além disso eu fui agenciado por três anos e meio – na primeira agência fiquei ois anos e na segunda, um ano e meio. Então deu muito tempo de entender e estudar bastante sobre esse universo.

A televisão ainda é um sonho ou você se sente realizado na internet?
Sim, a televisão segue sendo um sonho para mim e tenho buscado me aperfeiçoar cada dia mais. Eu me vejo muito nesse lugar de comunicador, seja apresentando, sendo host de um programa, repórter ou até comandando um quadro em um programa de TV. Além da atuação, que tem um lugar muito especial na minha vida, atuando em filmes, novelas, séries, na TV aberts ou streaming. Seria um privilégio gigante fazer algo grande como ator, focado apenas na atuação, sem ter que me preocupar em produzir, dirigir, editar, roteirizar, como é nos meus vídeos. Espero que logo esse sonho se realize.

Sua esposa acompanhou toda essa transformação de carreira. Qual foi o papel dela nessa trajetória? Como vocês lidam com a exposição do relacionamento?
Sim, a minha esposa acompanhou toda essa transformação, estamos juntos há 12 anos. Ela dançou valsa comigo na minha formatura, em 2015, por exemplo. E eu confesso que hoje, ter ela comigo me dá todo um conforto e segurança,, de ter uma parceira que acredita nos meus sonhos e embarca nas minhas aventuras. Ela largou a carreira dela, de engenheira química, para trabalhar comigo. Hoje ela está à frente do meu comercial, do financeiro, me ajuda a gerenciar tudo. No comecinho ela levou um baque, porque eu fiquei muito tempo no banco. Ela comenta que estava na fábrica quando viu meu primeiro vídeo de peruca e ela ficou bem assustada, mas aos poucos ela foi compreendendo e me apoiando.

Quanto à exposição do nosso relacionamento, apesar dela ser muito tímida, ela exerce um papel fundamental nos bastidores. Eu respeito muito a personalidade e o espaço dela e eu acredito que um complementa o outro nas diferenças, mas sempre apoiando e estando lado a lado.

Se pudesse dar um conselho para alguém que sonha mudar de carreira depois dos 30 anos, qual seria?
Ah, o melhor conselho, sem sombra de dúvidas, é buscar fazer e investir no que você ama. Pode parecer clichê, mas é mais leve quando você faz o que você ama. Sempre digo, que é seu papel no mundo, está escrito, então você tem que seguir a missão que você foi designado. Eu acredito muito nisso, que as pessoas vêm ao mundo com algum propósito. O caminho vai ser trabalhoso, como qualquer outro, só que ele vai ser mais leve, mais prazeroso, porque é aí que está a felicidade. Não é sobre ter ou comprar algo material, é você ser feliz nesse processo e durante todo o dia porque o trabalho é diário. E, consequentemente, a sua felicidade, a sua vida, os seus relacionamentos, a sua vida financeira, tudo tende a ser e a ficar melhor.

Mesmo tendo que fazer escolhas muito cedo sobre que caminho seguir (profissionalmente), que bom que temos o livre-arbítrio de poder recalcular a rota e buscar outros caminhos. E a gente tem que correr o risco sim e ir atrás do que a gente mais se identifica, do que e para que nós viemos fazer a diferença nesse mundo.

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