Luiza Brunet desabafa após ex ser condenado por agressões: "Muito pouco"
Em carta aberta, modelo criticou o valor da indenização e defendeu consequências efetivas para homens que cometem violência contra mulheres

Luiza Brunet usou as redes sociais nesta terça-feira (13/10) para publicar um longo desabafo após a Justiça determinar que seu ex-companheiro, o empresário Lírio Parisotto, pague R$ 150 mil por danos morais decorrentes das agressões sofridas pela modelo.
Em uma carta aberta, ela reconheceu a importância da decisão judicial, mas questionou se o valor estabelecido representa uma reparação justa diante da violência que sofreu e da realidade financeira do empresário.

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“A Justiça reconheceu a violência que sofri. Mas reconhecer o dano não significa, necessariamente, repará-lo de maneira justa”, escreveu Luiza. Para ela, embora a quantia seja expressiva para grande parte da população brasileira, o montante representa pouco diante do patrimônio de quem foi condenado.
A modelo aproveitou a manifestação para levantar um questionamento sobre a eficácia das indenizações quando seus valores não provocam um impacto significativo na vida financeira dos responsáveis pela violência.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo desabafo, Luiza ressaltou que nenhuma quantia é capaz de apagar uma agressão ou devolver a tranquilidade perdida pela vítima. Ela também destacou que os danos físicos e emocionais não são integralmente reparados pelo dinheiro, mas defendeu que a indenização precisa ter significado para quem é condenado.
Na avaliação da modelo, quando o valor estabelecido é insignificante diante da capacidade econômica do agressor, o efeito da condenação como instrumento de responsabilização e prevenção pode ficar comprometido.
“Sei que é um valor expressivo para a imensa maioria dos brasileiros. Mas também sei que, diante da realidade financeira de quem me agrediu, representa muito pouco.”
A mãe de Luiza Brunet também relembrou o desgaste enfrentado ao longo dos anos, afirmando que precisou lidar não apenas com as consequências das agressões, mas também com a exposição pública, os ataques à sua imagem e uma batalha judicial que parecia não ter fim.
Apesar das dificuldades, ela contou que transformou parte da experiência em um propósito e passou a dedicar sua voz, seu trabalho e sua visibilidade à defesa dos direitos das mulheres.
Luta por reparação continua
Ao abordar a própria trajetória, Luiza afirmou que enxerga a sentença como mais uma etapa de uma caminhada marcada por coragem, resistência e perseverança.
No entanto, ressaltou que a luta ainda não terminou e que continuará buscando uma reparação proporcional à gravidade da violência sofrida e às consequências deixadas em sua vida. Segundo ela, a mobilização também tem como objetivo ajudar outras mulheres a acreditarem que a Justiça pode oferecer respostas efetivas aos casos de violência.
Na carta aberta, a modelo ainda defendeu a necessidade de ampliar a discussão sobre a efetividade das punições aplicadas aos agressores e sobre os critérios utilizados para estabelecer indenizações. Para Luiza, a definição dos valores deve levar em conta não apenas a gravidade da violência e a extensão dos danos causados, mas também a realidade econômica de quem os provocou.
“A violência contra a mulher precisa ter consequências reais”, declarou. Ao encerrar o texto, Luiza lamentou que tantas vítimas ainda precisem enfrentar longos anos de luta para serem ouvidas, respeitadas e reparadas, reforçando a importância de mecanismos judiciais capazes de garantir consequências efetivas para os responsáveis.
Relembre o caso
Luiza Brunet denunciou ter sido agredida por Lírio Parisotto em maio de 2016, durante uma viagem a Nova York, nos Estados Unidos. Na ocasião, a modelo relatou ter sofrido quatro fraturas nas costelas, além de apresentar hematomas no rosto e no corpo. O episódio deu origem a um processo criminal contra o empresário, que acabou condenado pela Justiça.
Posteriormente, a modelo recorreu à esfera cível para buscar uma indenização pelos danos sofridos. Na decisão recente, a Justiça fixou em R$ 150 mil a reparação por danos morais. Os pedidos de indenização por danos materiais e lucros cessantes, relacionados às perdas profissionais alegadas por Luiza, foram rejeitados por falta de provas suficientes.
A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.
Leia a carta de Luiza Brunet na íntegra
“Depois de tantos anos, finalmente saiu a sentença que condenou meu agressor a me indenizar pelos danos morais que me causou.
A Justiça reconheceu a violência que sofri. Mas reconhecer o dano não significa, necessariamente, repará-lo de maneira justa.
A indenização foi fixada em R$ 150 mil. Sei que é um valor expressivo para a imensa maioria dos brasileiros. Mas também sei que, diante da realidade financeira de quem me agrediu, representa muito pouco.
E é justamente essa reflexão que quero trazer. Qual é a eficácia de uma condenação que praticamente não afeta o patrimônio de quem praticou uma violência tão grave?
Não se trata de colocar preço na dor. Nenhum dinheiro apaga uma agressão, devolve a tranquilidade perdida ou repara integralmente as marcas físicas e emocionais deixadas pela violência.
Trata-se de compreender que uma indenização precisa ter significado também para quem é condenado.
Quando seu valor é insignificante diante da capacidade econômica do agressor, sua eficácia como instrumento de responsabilização e prevenção fica comprometida.
Durante todos esses anos, enfrentei não apenas as consequências das agressões, mas também a exposição, os ataques à minha imagem e o desgaste de uma batalha judicial que parecia não ter fim.
Apesar de tudo, transformei parte dessa dor em propósito. Passei a dedicar minha voz, meu trabalho e minha visibilidade à defesa dos direitos das mulheres. Encontrei, na minha própria história, uma razão ainda maior para lutar por tantas outras.
Hoje, reconheço nessa sentença mais um passo importante de uma caminhada que exigiu coragem, resistência e perseverança. Mas essa luta ainda não terminou.
Continuarei buscando uma reparação que seja proporcional à gravidade da violência que sofri e às consequências que ela deixou na minha vida. Não apenas por mim, mas por todas as mulheres que precisam acreditar que a Justiça é capaz de oferecer respostas efetivas à violência.
Ainda estamos longe de oferecer às mulheres a proteção e a reparação que elas merecem.
Precisamos discutir a efetividade das penas aplicadas aos agressores e a necessidade de critérios de indenização que considerem não apenas a gravidade da violência e a extensão dos danos, mas também a realidade econômica de quem os causou.
Porque uma condenação que pesa profundamente na vida de uma vítima não pode ser apenas uma despesa irrelevante na vida de seu agressor.
A violência contra a mulher precisa ter consequências reais.
E nenhuma mulher deveria precisar lutar por tantos anos para ser ouvida, respeitada e reparada.”











