Juliana Kelling relembra traição do ex com homens e fala sobre superação
Atriz contou como descobriu as traições do primeiro marido, fala sobre perdão e celebra a nova fase ao lado de Michael Magno

Juliana Kelling abriu o coração ao relembrar um dos períodos de sua vida pessoal. Em entrevista à coluna Fábia Oliveira, a atriz e apresentadora contou como descobriu que o primeiro marido sentia atração por homens e revelou que, durante o casamento, também foi traída por ele com outros homens. Segundo ela, os sinais começaram a aparecer depois de cerca de um ano e meio de união, mas a confirmação veio após uma conversa direta com o então companheiro.
“Eu não desconfiei durante o namoro e também no início do casamento. Isso nunca passou pela minha cabeça”, contou Juliana, que conheceu o ex-marido na igreja. A atriz explicou que, embora os dois tivessem uma relação aparentemente boa antes de se casar, começou a estranhar o comportamento dele logo no primeiro mês da união, especialmente pela falta de intimidade entre o casal.

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Ver todasA descoberta ganhou outro rumo após um comentário feito por um amigo da atriz, que levantou a possibilidade de o marido ser gay. A partir dali, Juliana pediu ajuda ao amigo para entender o que estava acontecendo. Quando finalmente o confrontou, ouviu dele que sentia atração por homens. Cerca de uma semana depois, segundo o relato da entrevistada, ele também admitiu ter sido infiel durante o casamento.
Apesar da dor provocada pelas revelações, Juliana afirma que conseguiu perdoar o ex-companheiro e seguir em frente. Atualmente, ela é casada com o empresário do ramo imobiliário de luxo Michael Magno, com quem tem uma filha, Hanna, prestes a completar cinco anos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Minha vida sentimental hoje é muito abençoada. Sou casada, tenho um marido maravilhoso, que me respeita, é leal e parceiro”, declarou.
A atriz também revelou que decidiu escrever um livro sobre a experiência e espera que o relato possa ajudar outras mulheres que enfrentam situações semelhantes. Para ela, a história deixou de ser apenas sobre o fim de um casamento e passou a representar um processo de reconstrução.
“Quero mostrar que é possível reconstruir a vida, virar a página de uma história que não deu certo e descobrir que aquele capítulo não precisa determinar o restante da nossa história.”
Leia a entrevista completa com Juliana Kelling:
Como você conheceu seu ex-marido?
Nós nos conhecemos na igreja. Eu frequentava a igreja e conhecia todo o pessoal do grupo de jovens. Um certo dia, ele apareceu por lá, começamos a conversar e acabamos nos tornando amigos. Com o tempo, dessa amizade nasceu um namoro.
Você nunca havia desconfiado de que ele fosse gay?
Não, eu nunca desconfiei. Durante o namoro e também no início do casamento, isso nunca passou pela minha cabeça. Depois de cerca de um ano e meio de casados, comecei a perceber algumas coisas estranhas. Eu desconfiava que pudesse existir alguma infidelidade, mas procurava e não encontrava nenhuma evidência de que houvesse outra mulher. Não encontrava mensagens, conversas ou qualquer coisa que pudesse comprometê-lo nesse sentido.
Até que um dia ele foi assistir a uma peça minha e, quando chegou, um amigo meu, que é homossexual, comentou comigo: “Nossa, eu não sabia que ele era seu marido. Achei que fosse um amigo seu que pudesse ser gay.” Aquilo acendeu um alerta em mim. Naquele momento, pensei: “Será?”. Foi a partir dali que comecei realmente a desconfiar. Eu já estava prestes a completar dois anos de casada.
A vida de casal antes do casamento funcionava bem?
Sim, nós nos dávamos muito bem. Claro que existiam algumas discussões, como acontece em qualquer relacionamento, mas, de forma geral, tínhamos uma relação muito boa. Ele inclusive fez um pedido de noivado surpresa e sempre se mostrava muito apaixonado e com muita vontade de se casar comigo. Eu me casei virgem. Essa foi uma decisão que tomamos juntos, seguindo aquilo em que acreditávamos e o que aprendíamos por meio da Bíblia e da igreja. Por isso, decidimos nos guardar e viver a nossa vida sexual somente depois do casamento.
E após o casamento, tudo ia bem em relação à procura dele por você?
Na verdade, eu comecei a achar algumas coisas estranhas já no primeiro mês de casamento. Nós estávamos sempre muito ocupados e quase não sobrava tempo para termos o nosso momento como casal. Ele chegava tarde e, muitas vezes, dizia estar muito cansado. Logo no início, percebi que ele praticamente não me procurava. E, quando acontecia, ele demonstrava muita ansiedade, ficava muito nervoso. A justificativa era de que tudo aquilo também era novo para ele, porque, segundo ele, nunca tinha tido relação sexual.
Ao mesmo tempo, isso me causava certa estranheza, porque ele já havia me contado que tinha tido três namoradas antes de mim e, naquela época, não era uma pessoa que frequentava a igreja ou que seguia os mesmos princípios bíblicos que passamos a seguir depois. Então, às vezes, eu me perguntava se aquilo realmente era insegurança ou se existia alguma coisa que eu ainda não entendia. Mesmo achando estranho, eu acreditava nele. Só que, com o passar do tempo, a falta de procura começou a ficar cada vez mais evidente. Cheguei a começar a anotar as vezes em que tínhamos relação e percebi que chegávamos a passar dois ou até três meses sem que ele me procurasse.
Quando você começou a desconfiar de que ele fosse gay?
A desconfiança começou realmente depois daquele comentário do meu amigo do teatro. Foi ele quem acabou acendendo esse alerta em mim. Mas, olhando para trás, lembro de uma situação que aconteceu antes mesmo de nos casarmos. Eu estava com ele em uma loja, escolhendo algumas coisas para a casa, e minha mãe observou o jeito como ele estava sentado no chão. Ela olhou para mim e, brincando, comentou: “Estou achando essa pose meio estranha.” [risos]
Na hora, eu respondi: “Mãe, nada a ver!”, porque aquilo realmente não passava pela minha cabeça. Hoje, olhando para aquela situação, acho que alguma coisa já tinha chamado a atenção da minha mãe, mas ela não deu importância — e eu muito menos. A desconfiança de verdade só veio mais tarde, depois do comentário do meu amigo.
Conta pra gente como foi essa descoberta.
Eu pedi ajuda ao meu melhor amigo do teatro para tentar descobrir o que realmente estava acontecendo. Naquele momento, eu já pensava em me separar, mas não queria tomar uma decisão que pudesse ser injusta. Meu ex-marido dizia que estava enfrentando depressão e síndrome do pânico, e eu tinha medo de estar abandonando uma pessoa justamente porque ela estava passando por um momento de doença. Eu não entendia de onde vinham tanta ansiedade, insegurança e tantos comportamentos que eu já vinha percebendo, mas ainda assim queria ajudá-lo de todas as formas. Eu orava muito e pedia a Deus: “Me ajuda a descobrir o que está acontecendo. Me mostra o caminho, coloca alguém no meu caminho que possa me ajudar a entender tudo isso.”
Foi justamente quando esse meu amigo me fez aquele alerta que eu pedi a ajuda dele. Brincávamos que ele seria o meu “detetive”. Ele começou a se aproximar do meu ex-marido e a demonstrar interesse para ver qual seria a reação dele. Foi assim que as coisas começaram a aparecer. A aproximação entre os dois foi aumentando, até o momento em que, pelo que aconteceu e pelo que meu amigo me relatava, percebi que meu ex-marido havia desenvolvido sentimentos por ele. E foi aí que a situação que eu tentava entender começou, de fato, a se revelar.
E como foi o momento do confronto?
Quando tudo começou a vir à tona, meu amigo disse a ele que precisava ser sincero comigo e contar a verdade. Falou que eu merecia ouvir aquilo da boca dele, porque eu sempre tinha sido fiel, leal, amiga, parceira e, acima de tudo, uma pessoa aberta ao diálogo.
Só que eu percebi que ele estava adiando essa conversa. Meu amigo então me disse: “Você vai ouvir algo dele, mas eu prefiro que você ouça da boca dele. Ele precisa ser sincero com você.” Foi quando eu decidi confrontá-lo. Perguntei diretamente: “Você tem alguma coisa para me contar?”. Ele respondeu: “Agora não é o momento.” E eu disse: “Agora é o momento.”
Nesse instante, ele me revelou que sentia atração por homens, mas afirmou que nunca tinha se relacionado com nenhum homem. Aquilo me abalou profundamente. Os dias seguintes foram muito difíceis. Eu fiquei muito triste, sem saber exatamente como lidar com tudo aquilo, porque eu gostava muito dele, existia uma história entre nós, mas, ao mesmo tempo, dentro de mim eu já sabia que não queria mais permanecer naquela relação.
Até aquele momento, porém, ele ainda negava qualquer traição. Cerca de uma semana depois, veio uma segunda revelação, ainda mais difícil para mim: ele admitiu que havia me traído com homens durante a nossa relação e me contou que, segundo ele, sabia que sentia atração por homens desde muito novo, por volta dos cinco anos de idade.
Foi quando eu percebi que não estava apenas diante de uma descoberta sobre a sexualidade dele, mas também diante de uma quebra de confiança dentro do nosso casamento.
Você conseguiu perdoar? Sabe como está a vida dele hoje?
Foi um momento muito difícil para mim, porque eu ouvi coisas muito dolorosas. Ao mesmo tempo, ele chorava e dizia que queria finalmente me contar toda a verdade, porque reconhecia que eu sempre tinha sido uma pessoa boa, leal e parceira com ele. Ele mesmo dizia que sabia que aquilo que eu ouviria machucaria muito o meu coração, mas que precisava abrir o coração e ser sincero comigo.
Naquele momento, eu senti que Deus estava colocando a mão naquela situação para que finalmente toda a verdade viesse à tona. Eu tinha orado tantas vezes pedindo a Deus que me mostrasse o que estava acontecendo, e acredito que aquela foi a resposta que eu tanto pedi. Ele me contou tudo, inclusive detalhes de como e onde aconteciam as traições. Foram revelações muito pesadas e dolorosas, algumas das quais eu nem me sinto confortável em expor.
Apesar de tudo, com o tempo eu consegui perdoá-lo. Não desejo nenhum mal a ele. Pelo contrário, desejo que seja feliz, que tenha encontrado o próprio caminho e consiga viver a vida dele em paz. Hoje não temos mais contato e eu não sei como está a vida dele atualmente. A última informação que chegou até mim, por meio de pessoas próximas, foi que ele estava se relacionando com um homem, havia assumido esse relacionamento para a família e tinha sido bem acolhido. Pelo que me contaram, ele estava bem e seguindo a vida de acordo com aquilo que escolheu para si.
Eu também segui a minha vida. O perdão, para mim, não significou esquecer tudo o que aconteceu, mas conseguir deixar aquela história no passado sem carregar comigo o desejo de que algo ruim acontecesse com ele.
Como anda sua vida sentimental hoje?
Eu consegui colocar uma pedra sobre essa história, até para conseguir me libertar e seguir a minha vida sem transformar tudo o que aconteceu em um trauma que determinasse os meus relacionamentos futuros. Consegui separar muito bem as coisas e entender que aquilo dizia respeito às questões que ele vivia e ao fato de ter passado tanto tempo escondendo quem ele era e o que sentia. Eu precisava entender que aquilo não era sobre mim e não poderia carregar para a minha vida a responsabilidade pelas escolhas dele.
Na época, muitas pessoas me aconselharam a fazer terapia. Por falta de tempo e até de conhecimento, acabei não fazendo. Busquei muito apoio na minha fé, me aprofundei na oração e isso foi fundamental para mim. Mas, olhando para trás, reconheço que a terapia também teria me ajudado muito. Sinto que fez falta e que algumas consequências emocionais daquela experiência acabaram refletindo em outros momentos da minha vida. Hoje acredito muito que terapia e fé podem caminhar juntas e fazer uma grande diferença na vida das pessoas.
E, graças a Deus, minha vida sentimental hoje é muito abençoada. Sou casada, tenho um marido maravilhoso, que me respeita, é leal e parceiro. Temos uma filha, que está prestes a completar cinco anos, e construímos uma família e um casamento pelos quais sou muito grata a Deus. Depois de tudo o que vivi, poder olhar para a minha vida hoje e enxergar uma família construída com amor, respeito e confiança tem um significado muito especial para mim.
E o momento profissional, como está a sua carreira?
Eu estou vivendo um momento de retomada muito importante na minha carreira. No ano passado, voltei a trabalhar com toda a força e, desde então, muita coisa tem acontecido. Participei de um filme que estreia este ano, já gravei uma série, estou caminhando para a minha quarta novela vertical e também fiz alguns trabalhos publicitários. Também estou como apresentadora da Manchete Judiciário.
Durante muitos anos, essa história do meu primeiro casamento nunca veio a público. Eu tinha medo de falar, de reviver tudo aquilo e acabar me machucando novamente. Mas hoje percebo que estou emocionalmente preparada para contar essa história de uma maneira diferente: não mais a partir da dor, mas a partir daquilo que consegui construir depois dela. Foi por isso que decidi escrever um livro sobre tudo o que vivi. E quem sabe, no futuro, essa história também possa se transformar em um filme ou em uma série. Acredito que ela possa alcançar muitas pessoas.
Quando eu estava vivendo tudo aquilo, eu buscava respostas em todos os lugares. Cheguei a pesquisar na internet tentando entender o que estava acontecendo comigo e encontrar alguma orientação para uma situação que eu não sabia como enfrentar. Por isso, hoje penso que talvez a minha experiência possa ser justamente a resposta que alguma outra mulher esteja procurando.
Quero mostrar que é possível reconstruir a vida, virar a página de uma história que não deu certo e descobrir que aquele capítulo não precisa determinar o restante da nossa história. É possível amar novamente, construir uma nova família e ser feliz. E acredito que essa história também possa trazer uma reflexão para os homens que vivem conflitos relacionados à própria sexualidade: ninguém deveria precisar usar um casamento, uma mulher ou até mesmo a religião como uma forma de esconder aquilo que sente. A outra pessoa também merece conhecer a verdade e ter a liberdade de escolher a vida que quer viver. No final, para mim, essa história deixou de ser apenas sobre o que aconteceu no meu casamento. Hoje, ela é sobre verdade, perdão, recomeço e a possibilidade de reconstruir a própria vida.









