
Fábia OliveiraColunas

Julgamentos e críticas sobre aparência de Simaria acendem alerta
Aumento de peso da cantora gera debate sobre riscos metabólicos, mas especialistas relatam que ataques virtuais podem agravar a saúde mental
atualizado
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A cantora Simaria voltou a ser assunto nas redes sociais, recentemente, após ter sua aparência criticada em uma nova aparição pública. Comentários sobre um possível ganho de peso reacenderam discussões que vão além da estética e expõem um cenário delicado: ao mesmo tempo em que mudanças corporais podem, sim, indicar questões de saúde, o julgamento excessivo da internet também pode causar danos importantes, especialmente à saúde mental.
Especialistas ouvidos pela coluna Fábia Oliveira apontaram que o olhar sobre o corpo precisa ser mais responsável e menos impulsivo. Isso porque tanto o excesso de peso quanto a pressão por padrões irreais podem trazer consequências relevantes ao organismo.
Padrão de beleza
A médica gastroenterologista Elaine Moreira alertou que a busca por um padrão de magreza extrema, muitas vezes incentivada por críticas e cobranças sociais, pode desencadear uma série de problemas de saúde.
“A imposição de um corpo extremamente magro não é apenas uma questão estética. É uma questão de saúde pública. Do ponto de vista gastrointestinal, isso pode levar à redução da motilidade intestinal, disbiose e diminuição da produção de enzimas digestivas”, explicou.
Segundo ela, na prática clínica, os impactos são claros: “Isso se traduz em pessoas com inchaço abdominal constante, dor abdominal, má digestão e intestino desregulado. Não existe saúde em um padrão que adoece milhões de mulheres para sustentar uma estética irreal”, afirmou.
Dietas restritivas
A especialista também chama atenção para os riscos das dietas restritivas, frequentemente adotadas após episódios de exposição ou críticas: “Dietas prolongadas e radicais estão ligadas à síndrome do intestino irritável, gastrite, refluxo e disbiose intestinal. Restringir comida desorganiza o sistema digestivo”, destacou.
Do ponto de vista metabólico, o médico Rhuan Lopes reforçou que mudanças bruscas no peso, seja para mais ou para menos, devem ser acompanhadas com cautela: “Quando o corpo entende que está em escassez, passa a economizar energia, reduzindo o gasto calórico. Isso dificulta a manutenção do peso no longo prazo e favorece o reganho assim que a alimentação volta ao normal”, opinou.
Ele ressaltou, ainda, que o emagrecimento saudável não deve ser guiado pela pressa ou pela pressão estética: “A proposta médica adequada é promover uma redução gradual da gordura corporal, preservando a massa muscular e garantindo a ingestão correta de nutrientes. O acompanhamento profissional é essencial para evitar prejuízos à saúde metabólica”, pontuou.
Impacto psicológico
No entanto, além dos aspectos físicos, o impacto psicológico desse tipo de exposição pública também preocupa. A psicóloga clínica Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa observou que o julgamento constante pode ser tão prejudicial quanto os riscos metabólicos.
“Quando apenas um tipo de corpo é valorizado, aumenta a comparação constante, o que pode gerar insatisfação corporal, ansiedade e baixa autoestima. Em casos mais graves, isso pode evoluir para transtornos alimentares”, detalhou.
Transtornos alimentares
A própria doutora Elaine reforçou que transtornos alimentares têm consequências sérias e, muitas vezes, permanentes: “Podem causar lesões no esôfago, problemas crônicos no estômago e intestino e alterações irreversíveis da microbiota. Sinais de alerta incluem vômitos frequentes, dor abdominal constante, inchaço persistente e uso de laxantes. Isso não é controle, é doença”, pontuou.
O caso de Simaria evidencia um ponto central: embora o ganho de peso possa, em alguns contextos, merecer atenção do ponto de vista clínico, a forma como esse tema é tratado publicamente pode agravar ainda mais o problema. Entre a preocupação com saúde e o ataque disfarçado de opinião, existe uma linha tênue que, quando ultrapassada, transforma cuidado em violência simbólica.
O debate reforça a necessidade de equilíbrio. Nem normalizar riscos à saúde, nem alimentar padrões irreais ou discursos agressivos. Afinal, cuidar do corpo também passa por preservar a saúde mental.












