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Fábia Oliveira

Guilherme Arantes explica ano sabático e celebra retorno aos palcos

O cantor está completando 50 anos de carreira e fará uma turnê, após um ano de pausa; ele conversou com a coluna e abriu o coração

Repórter de Fábia Oliveira05/01/2026 13:04
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Reprodução/Instagram @guilhermearantesoficial
Foto colorida de Guilherme Arantes - Metrópoles

Durante o Navio Roupa Nova, onde foi uma das grandes atrações do cruzeiro musical, Guilherme Arantes conversou com a coluna Fábia Oliveira sobre o momento especial que vive: a celebração de 50 anos de carreira, o retorno aos palcos e o ano sabático que dedicou à saúde, ao recolhimento criativo e à composição.

O cantor contou que o marco de meio século de estrada será celebrado com uma turnê ampla, que vai percorrer capitais e grandes cidades do país, revisitando sua trajetória e apresentando também novidades no repertório.

“Vamos fazer uma turnê, que começa em São Paulo, vamos para o Rio, Minas, Curitiba, todas as capitais, várias outras cidades grandes também… Uma turnê em profundamente com músicas desses 50 anos e eu estou aproveitando e lançando um disco inédito pra aproveitar esse impulso da turnê pra mostrar uma coleção de músicas novas. Mas a turnê é o foco desses próximos 2 anos. Estou muito feliz com a carreira. Consegui ser especialista em música de reflexão sobre o amor, uma característica muito minha, um estilo muito meu, meu piano, minha melodia, minhas letras”, disse ele.

Um 2025 de pausa, cura e criação

Guilherme Arantes relembrou que decidiu transformar 2025 em um período de pausa, tanto por questões de saúde quanto por necessidade artística. O cantor passou por cirurgias e também aproveitou o afastamento dos palcos para mergulhar na composição e no autocuidado.

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“Eu estava tratando duas operações que eu fiz, que foram na bacia, que eu tive problema de uso de corticoide e problemas de coluna, e também a parte circulatória do coração, que estava entupida e acabei fazendo um preventivo. Mas eu queria me ausentar dessa fábrica de salsicha que é o show biz [show business]”, disparou.

O cantor seguiu: “É show, show, show, grana, aplauso, show, show, grana, aplauso… Claro que é legal, mas para um compositor é fundamental essas paradas pra criar, vir com novas ideias, músicas… Então, aproveitei esse tempo pra aprofundar”.

Segundo ele, o silêncio e o recolhimento são essenciais para que a criação continue viva: “A gente precisa desse tempo de compositores pra gente se recolher. Estamos sonhando chegar com as pessoas, com as músicas, emocionar… O show biz também é maravilhoso, fascinante, mas essa indústria faz as pessoas ficarem over”, opinou.

O artista contou, inclusive, que costuma aconselhar colegas a respeitarem esse movimento criativo: “Minha opinião… Eu acho o Zezé Di Camargo um grande compositor. Eu falei pra ele que ele tinha que tirar uma temporada para fazer músicas, ir pro sítio ficar lá, na viola, na sanfona, e faz uma música como fez tantas… O povo sente falta da raiz do compositor, que é tão legítima”, falou.

Referências, gerações e a nova cena musical

Ainda em conversa com a coluna, Guilherme Arantes citou mestres brasileiros que formaram sua base musical e poética.

“Muita gente! A inspiração maior é o Tom Jobim, Vinicius, essa geração… Gil, Caetano, Chico Buarque… São os grandes mestres. Mas tenho outros como Paulo Cesar Pinheiro, que foi marido da Clara Nunes, é o maior letrista do Brasil, João Bosco, Ed Motta, Belchior… Temos uma escola muito bonita do Brasil”, declarou ele.

O cantor e compositor também destacou nomes da nova geração que vêm chamando sua atenção: “Tem uma turma de novos cantores bastante peculiares na forma de cantar que é o Tim Bernardes, Zé Ibarra, essa turma do Bala Desejo, Julia Mestre, Os Garotin… Eu gosto muito. Tenho uma afinidade muito grande com essa música negra, do mundo”.

Ele citou, ainda, artistas em plena maturidade criativa, que admira: “Tem cantores também, carreiras que estão em pleno curso como Vanessa da Matta, que é um exemplo de dignidade criativa e de atuação consistente, Djavan, Lenine”, acrescentou.

Comparando o cenário atual com o início de sua carreira, ele refletiu. “A gente [geração antiga da música] era muito popular… A nova geração é toda nichada. Ela só tem significado naquele nicho, naquele ambiente. É um mundo que está bem diferente do que a gente pegou”.

Internet, reflexão e espiritualidade

Ao ser questionado sobre o uso da internet em sua vida pessoal e carreira, Guilherme Arantes revelou que faz da web um espaço de escrita e pensamento. “Eu gosto da internet, ela se tornou um livro aberto. Dizem que desenvolvo bem os temas, pedem que eu escreva um livro… O livro que eu estou escrevendo é na rede social”, falou.

E continuou: “O Facebook, por exemplo, eu uso como um instrumento pra criar, pra postar pensamentos, reflexões únicas. E é fabuloso o alcance, o escopo que a rede social permite. Eu não quero assunto da polarização, isso já tem muita gente pra fazer, gente que gosta de falar… Eu tô afim de falar da interdimensionalidade do tempo/espaço”.

A espiritualidade, revela, sempre esteve presente na sua história: “Sou um cara que teve muitos fenômenos paranormais na minha existência. Já fiquei paralítico e retornei os movimentos, e vários outros episódios… Quando eu dialogo com o outro lado, com os santos, com Jesus, eu me identifico profundamente”.

E completou: “Eu me julgo um mistério e acho que todos somos um mistério. Todos somos um projeto de santidade, todos temos um potencial divino e milagroso. (…) Eu sou parceiro de Deus, Deus é meu parça”.

A volta aos palcos

Após o período sabático, o cantor voltou a se apresentar e celebrou o retorno durante o Réveillon e no Navio Roupa Nova.

“A gente fez um Réveillon em Santos e voltamos aqui no navio. Ocorreu tudo bem, a voz está limpa… A coisa positiva de ficar uma temporada sem fazer shows é que a voz fica limpa, os shows cansam muito”, disse ele.

Entre celebração, memória e gratidão, ele resumiu o sentimento ao revisitar as próprias canções: “É um privilégio saber que as músicas duraram, eu era um menino… Tenho muito orgulho desse menino que fez letras com 17, 18 anos”, encerrou.

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