Grávida, Bruna Biancardi poderia ter parto normal após duas cesáreas?
Nova gestação da influenciadora reacende dúvidas comuns entre mulheres que já passaram por cesarianas e desejam aumentar a família

A nova gravidez de Bruna Biancardi voltou a levantar uma dúvida bastante comum entre mulheres que já tiveram filhos por cesariana: depois de duas cirurgias, ainda é possível tentar um parto normal? E mais: existe um limite seguro de cesáreas que uma mulher pode fazer ao longo da vida?
Segundo a obstetra Lívia Del Monaco, especialista em medicina fetal e gestação de alto risco, a resposta depende de uma análise individualizada. Embora muitas pessoas acreditem que duas cesáreas anteriores impeçam automaticamente um parto vaginal, isso nem sempre é verdade.
“Em alguns casos, o parto normal após duas cesáreas pode, sim, ser considerado. Mas essa decisão depende de uma avaliação muito criteriosa da história obstétrica da paciente, do tipo de incisão uterina realizada anteriormente, do intervalo entre as gestações e das condições clínicas atuais da mãe e do bebê”, explicou.
O preparo pré-parto
Em conversa com a coluna, o ginecologista e obstetra Paulo Noronha reforçou que o parto vaginal após cesárea, conhecido como VBAC, pode ser seguro em pacientes bem selecionadas, desde que exista uma estrutura hospitalar preparada para agir rapidamente em caso de emergência.
“Ter duas cesáreas anteriores não significa, obrigatoriamente, que o parto normal seja impossível. Mas também não significa que ele seja indicado para todas. A decisão precisa ser individualizada, baseada em critérios clínicos e em um ambiente hospitalar preparado para agir rapidamente se houver qualquer intercorrência”, afirmou.
A avaliação dos especialistas
Entre os principais fatores avaliados pelos obstetras estão o tipo de corte feito no útero nas cirurgias anteriores, a posição da placenta, o peso estimado do bebê, o intervalo entre os partos e a existência ou não de partos vaginais prévios.
“O principal risco discutido nesses casos é a ruptura uterina, que é rara, mas potencialmente grave. Por isso, qualquer tentativa de parto normal após cesárea deve acontecer com monitorização contínua e equipe preparada para uma cesárea de urgência, caso seja necessário”, esclareceu Paulo Noronha.
Necessidade de pré-natal
Lívia Del Monaco destacou, ainda, que o acompanhamento pré-natal faz toda a diferença na definição da melhor via de parto.
“O mais importante é entender que não existe uma regra única. A obstetrícia moderna busca individualizar a assistência e respeitar o desejo da paciente, mas sempre equilibrando isso com segurança materna e fetal”, pontuou.
A quantidade segura de cesarianas
Além da discussão sobre a possibilidade de parto normal, a nova gestação de Bruna Biancardi também levantou outra pergunta frequente: afinal, quantas cesáreas uma mulher pode fazer?
Segundo os especialistas, não existe um número exato universalmente definido, mas os riscos tendem a aumentar progressivamente a cada nova cirurgia.
“A cada cesariana, cresce a possibilidade de aderências, sangramentos, lesões em órgãos próximos e alterações placentárias em futuras gestações”, comentou a obstetra.
Complicações comuns
Paulo Noronha acrescentou que uma das complicações mais importantes associadas a múltiplas cesáreas é o chamado espectro da placenta acreta, quando a placenta se fixa de maneira anormal ao útero.
“Uma terceira, quarta ou quinta cesárea não é igual à primeira. Os riscos aumentam progressivamente, especialmente relacionados à placenta e à complexidade cirúrgica”, observou.
Planejamento
Para os obstetras, o planejamento reprodutivo se tornou parte essencial das decisões obstétricas atuais: “Quando uma mulher deseja ter mais filhos, isso precisa entrar na conversa desde cedo. A escolha da via de parto não impacta apenas aquela gestação, mas também as futuras”, afirma Lívia Del Monaco.
No Brasil, onde a taxa de cesarianas está entre as mais altas do mundo, o debate ganha ainda mais relevância. Os especialistas reforçaram que a decisão sobre o parto deve ser baseada em critérios médicos, estrutura adequada e desejo informado da paciente.
“A melhor via de parto é aquela que oferece mais segurança para mãe e bebê dentro daquele contexto específico. Não existe resposta pronta ou fórmula universal”, concluiu o médico.

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