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Fábia Oliveira

Filho de Mauricio de Sousa expõe medo de perder direitos e cita casamento

Em desabafo nas redes sociais, ator relatou crises de ansiedade e medo de perder direitos da comunidade LGBTQIA+

09/10/2026 10:11, atualizado 09/10/2026 10:16
Reprodução/redes sociais.
Filho de Mauricio de Sousa expõe medo de perder direitos e cita casamento

Mauro Sousa, filho do cartunista Mauricio de Sousa, revelou estar enfrentando um período de fragilidade emocional em meio ao cenário de polarização política no país.

Em publicação nas redes sociais, ele contou que tem sofrido crises de ansiedade e revelou que conversou com o marido, Rafael Piccin, com quem está há 19 anos, sobre transformar a união estável em casamento. A decisão foi motivada pelo receio de perder direitos conquistados ao longo dos anos.

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O que disse Mauro Sousa

O desabafo ocorre durante a disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No primeiro turno das eleições de 2026, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%.

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Ao falar sobre os impactos da situação em sua vida, Mauro afirmou que os problemas emocionais também têm se manifestado fisicamente. Ele contou que está tomando medicamentos e tentando preservar a saúde mental, enquanto avalia como se posicionar publicamente sem agravar o próprio estado.

“Eu estou com crises de ansiedade como nunca tive antes, que inclusive refletem fisicamente em tremedeiras, gastrite e uma feição muito, muito mais cansada, que é visível a qualquer olhada no espelho. Estou tomando remédios e fazendo o que posso para manter a saúde mental equilibrada”, escreveu.

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Rafael Piccin e Mauro Sousa
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Expôs ameaças

O ator também relembrou as ameaças que recebeu há pouco mais de quatro anos, quando publicava manifestações políticas mais frequentes nas redes sociais. Segundo ele, as mensagens incluíam ameaças de agressão física, mas o medo não o impediu de continuar se expressando.

“Se eu te vir na rua, vou te espancar com arame farpado”, relatou, ao reproduzir uma das mensagens recebidas naquele período.

Mauro explicou que chegou a considerar se o silêncio seria uma maneira de se proteger, mas concluiu que expor as próprias angústias poderia ajudá-lo a enfrentar o momento. Ele também afirmou que a publicação busca criar um espaço de acolhimento para pessoas que compartilham preocupações semelhantes.

Ao encerrar o relato, o filho de Mauricio de Sousa reforçou que pretende continuar defendendo aquilo em que acredita, inclusive por meio da participação política.

“Por isso, estou com vocês. E sempre nos defenderei por aqui, em qualquer lugar e nas urnas”, concluiu.

Leia o desabafo na íntegra

“Ontem, eu e o Rafa, meu marido, com quem estou há 19 anos, conversamos sobre a urgência e a necessidade de transformarmos nosso regime de união estável em casamento. Porque, pela primeira vez na vida, sentimos medo de perder os nossos direitos como casal.

Eu estou com crises de ansiedade como nunca tive antes, que inclusive refletem fisicamente em tremedeiras, gastrite e uma feição muito, muito mais cansada, que é visível a qualquer olhada no espelho. Estou tomando remédios e fazendo o que posso para manter a saúde mental equilibrada.

Ao mesmo tempo, eu senti a autopressão por um posicionamento público como a minha contribuição de cidadão para uma tentativa de mobilização social contra o risco iminente de se perder tudo aquilo que, depois de tantos anos, foi conquistado.

Mas eu sabia também que, ao fazer qualquer postagem, eu poderia abalar ainda mais a minha estrutura, que já estava, e ainda está, extremamente fragilizada. Afinal, eu ia cutucar o vespeiro com espeto.

E aí veio a principal pergunta: será que me silenciar seria a maneira mais eficiente de me proteger? Será que ficar quieto seria a melhor forma de me curar?

E eu cheguei à conclusão de que não.

Talvez, para mim, seja justamente o contrário. Expressar, colocar para fora as minhas angústias e os meus medos pode me fazer melhor do que guardar tudo isso dentro de mim, deixando que se acumule e apodreça como uma relação tóxica comigo mesmo.

Há pouco mais de quatro anos, quando eu fazia posicionamentos muito mais explícitos e intensos nas minhas redes sociais, eu me lembro da quantidade de ataques que recebia diariamente. Eram mensagens muito pesadas, do tipo: “Se eu te vir na rua, vou te espancar com arame farpado.”

Aquilo, claro, me abalou profundamente na época. Mas, mesmo assim, eu continuei fazendo meus conteúdos, continuei me expressando, porque eu sabia que a estratégia do opressor era justamente essa: me fazer sentir medo. E, se eu me silencio, qual é o discurso que vai circular?

Então, eu resolvi arriscar este post. Não pelos outros, mas por mim, com o intuito de tentar criar uma espécie de corrente de força e acolhimento para quem se identifica comigo.

Eu não acho que demonstrar minhas fragilidades vá conscientizar quem aplaude o circo pegando fogo e relativiza o absurdo enquanto come pipoca com azeite.

Mas, às vezes, saber que não estamos sozinhos pode fazer uma diferença gigantesca nas nossas vidas, principalmente neste momento sensível.

Por isso, estou com vocês.

E sempre nos defenderei por aqui, em qualquer lugar e nas urnas.”