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Ferrugem e Xande de Pilares se defendem em ação sobre ofensa ao Islã
Cantores apresentaram à Justiça suas defesas após uma canção se tornar motivo de revolta e críticas pela comunidade islâmica; entenda
atualizado
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A coluna Fábia Oliveira descobriu que Xande de Pilares e Ferrugem apresentaram à Justiça suas defesas após uma canção se tornar motivo de revolta e críticas pela comunidade islâmica.
Para quem não sabe, a Associação Nacional de Juristas Islâmicos, a ANAJI, moveu uma ação civil pública contra os cantores, a Gold Produções e Eventos, Peu Cavalcante, Claudemir Júnior, Rodrigo Leite e outros réus. No documento, o órgão afirmou que a música Me Abraça, gravada pelos artistas, tinha um trecho com conotação preconceituosa e estigmatizante, sugerindo que os seguidores do Islã são terroristas e assassinos.
“Pra que bombardeio, pra que engatilhar. Aqui não é Irã, ou Islã, Bagdá. Foi só um mal tempo que ainda dá tempo. Desarma essa bomba em nome de Alá”, diz a canção.
À Justiça, a associação pediu uma liminar para obrigar os réus a adequarem a estrofe controversa, além de uma indenização por danos morais coletivos de R$ 30 mil.
Defesa de Xande e Ferrugem
Em 4 de fevereiro, Xande de Pilares e Ferrugem apresentaram suas contestações no caso. De início, a dupla esclareceu que já retirou do ar as interpretações da música, não havendo mais o que discutir quanto à sua distribuição.
Os cantores observaram que são meros intérpretes da obra, e não autores da letra, logo, não têm titularidade ou disposição sobre ela, razão pela qual não podem reescrevê-la, como pede a associação.
Xande de Pilares e Ferrugem afirmaram que a música trata da reconciliação de um casal após uma briga, nutrindo uma essência pacífica e de rendição. Eles sustentaram que figuras de linguagem mal utilizadas não se confundem com discurso de ódio. Os sambistas destacaram, ainda, suas carreiras no samba e no pagode sem quaisquer episódios que indicassem animosidades ou preconceitos religiosos.
Em outro momento, os artistas afirmaram que a criação artística é subjetiva e que não cabe ao judiciário editar ou revisar obras de arte, sob risco de incorrer em censura. Eles negaram ter havido dano moral coletivo no caso, uma vez que nenhum ilícito teria ocorrido.
Os famosos pediram que todos os pedidos formulados pela ANAJI sejam julgados improcedentes e aproveitaram para indicar seu interesse em uma audiência de conciliação.
A ação foi iniciada em 2023 e tem enfrentado dificuldades para avançar diante da pluralidade de réus.







