
Fábia OliveiraColunas

Extinção de pena de Victor Chaves acende debate sobre crimes de gênero
Decisão da Justiça ocorreu por prescrição da pena por agressão. Especialistas alertam para fragilização da Lei Maria da Penha
atualizado
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O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu extinguir a pena de Victor Chaves, da dupla com Léo, condenado em primeira instância por agressão à ex-mulher, Poliana Bagatini. O processo, que tramitava em segredo, foi encerrado em razão da prescrição da pena, ou seja, pelo decurso de prazo legal para que o Estado aplicasse a punição.
A decisão não absolve o cantor nem reconhece sua inocência, mas põe fim à punição pelo crime. O cantor havia sido condenado a 18 dias de prisão em regime semiaberto, mas não cumprirá a pena em razão da morosidade judicial.
Falhas no sistema
“Importante dizer que a decisão do TJMG se deu com base no instituto da prescrição, ela não absolve o réu nem declara sua inocência. O que ocorreu foi a extinção do processo em razão da ineficiência do sistema de justiça em oferecer uma resposta dentro do prazo legal”, afirmou.
A prescrição do caso
A especialista explica que a prescrição, no caso, se deveu ao baixo tempo de pena previsto: “A contravenção penal de vias de fato tinha uma pena baixa e, portanto, um prazo prescricional curto, de três anos. Como o tribunal levou mais tempo do que isso para julgar o recurso, o processo deve ser extinto”, explicou, antes de completar:
“Do ponto de vista estritamente legal, a decisão é correta. Mas, sob a ótica da violência de gênero, ela é crítica, pois gera revitimização da mulher, fragiliza a Lei Maria da Penha e deixa uma mensagem de impunidade, que desencoraja outras mulheres a denunciar”, ponutou.
Impacto da decisão
Para Silvana Campos, especialista em direito da mulher e criminal, a prescrição teve impacto direto na execução da pena: “Apesar de reconhecido o crime e a sentença de condenação, o STJ extinguiu a pena por prescrição. A condenação foi ínfima, de apenas 18 dias de reclusão em regime semiaberto”, observou a advogada.
E continuou o relato: “Nesse caso, o sentenciado seria obrigado a se apresentar no presídio até as 18h para pernoitar e sair no dia seguinte às 6h. Ou seja, se não houvesse a prescrição, Victor ficaria na prisão 12 horas por dia durante 18 dias”, detalhou.
Pena desproporcional
Apesar da decisão, Silvana Campos ressaltou que a punição prevista para o cantor foi desproporcional à gravidade do caso: “Foi um crime de agressão física e psicológica contra sua ex-esposa. Embora injusto, o STJ cumpriu o que está determinado na lei penal vigente”, opinou.
Especialistas alertam que casos como esse reforçam a percepção de impunidade em crimes de violência doméstica e colocam em xeque a efetividade da Lei Maria da Penha, criada justamente para garantir celeridade e proteção às vítimas.











