
Fábia OliveiraColunas

Exclusivo: “Uma cachaça”, diz Adnet sobre relação com o Carnaval
O humorista, que é da diretoria da escola Botafogo Samba Clube, conversou com a coluna durante a estreia da agremiação da Sapucaí
atualizado
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Marcelo Adnet já compôs samba-enredo para a São Clemente e, na sexta-feira de Carnaval (28/2), estreou na Marquês de Sapucaí como membro da diretoria da escola Botafogo Samba Clube. Em conversa exclusiva com a coluna, o humorista falou sua relação com o Carnaval e ainda opinou sobre o fim dos programas de humor nas televisões.
“[A relação com o Carnaval] começou na infância quando meus pais me trouxeram na Sapucaí, em 87, para assistir aos desfiles. Então, fiquei apaixonado por Carnaval e era aquela criança que ficava dando nota na revista para todas as escolas e assistia todos os desfiles até tarde”, recordou.
Estreia como compositor
Ainda durante o bate-papo, ele lembrou da vontade de escrever um samba e o medo que sentiu: “Meu sonho sempre foi fazer samba, mas nunca tive coragem de botar um para concorrer. Até 2019, quando concorri na São Clemente e meu samba ganhou. Aí, as pessoas me disseram ‘cara, você nunca mais vai larga isso aqui porque é uma cachaça’. No bom sentido, é uma coisa que é prazerosa. O prazer do Carnaval é a emoção. Por isso que estou aqui, no quinto ano de Botafogo Samba Clube e de São Clemente”, contou.
Em seguida, Marcelo Adnet falou sobre a cultura de misturar Carnaval com futebol: “A minha grande questão é que o samba ensine o futebol em termos de respeito, tolerância e inclusão. No samba, você nunca xinga ou vaia seu concorrente, você aplaude, admira o trabalho dele”, definiu.
Fim dos humorísticos
Questionado se o fim dos programas humorísticos está relacionado ao escândalo envolvendo as denúncias de assédio contra o ex-colega, Marcius Melhem, o ator foi categórico.
“É uma crise no humor em geral. O humor foi espremido e ele saiu da TV aberta. Você vê que grandes emissoras, como a Globo e a Record, não têm mais um programa de humor para chamar de seu. Os humorista acabam fazendo outras funções, como Eduardo Sterblitch, que faz dramaturgia”, pontuou, antes de elogiar o amigo:
“Ele é um gênio, é bom pra cacete. Mas você tem razão, tem uma crise no humor. O gênero em si precisa reinventar seu espaço, é uma coisa que vai demorar alguns anos, ao meu entender.
Há um esvaziamento do gênero”, opinou.
Relato sobre a TV Globo
Logo depois, o humorista revelou se achava que a falência do núcleo de humor da TV Globo, especificamente, estava relacionada com o caso de Marcius Melhem. Mais uma vez, ele analisou.
“A princípio, penso que não. O fenômeno do humor saiu da mídia, é uma coisa maior do que o Melhem. O humor, como gênero em si, precisa de um renascimento. Acho que esse renascimento vai vir nos próximos anos, mas a gente vai ter que esperar um pouco. Sinto muita falta do humor na TV aberta. Era muito legal quando o brasileiro esperava aquela terça-feira para assistir ao Casseta e Planeta na televisão. O Brasil merece esse tipo de humor de volta”, ponderou.















