
Fábia OliveiraColunas

Ex-BBB que atuou em O Agente Secreto relembra elogio de Wagner Moura
A ex-BBB Mariza Moreira, do BBB15, celebrou a indicação de O Agente Secreto ao Oscar e relembrou um momento marcante com o ator
atualizado
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O filme O Agente Secreto entrou para a história ao conquistar quatro indicações no Oscar de 2026. Além de Wagner Moura, Alice Carvalho, Gabriel Leone e Maria Fernanda Cândido, o elenco do longa conta também com uma ex-participante do BBB: a professora, artesã e atriz Mariza Moreira, que participou do BBB15.
Em uma conversa com a coluna Fábia Oliveira, a artista falou da emoção de fazer parte do projeto, da felicidade em ver o filme de Kleber Mendonça Filho concorrendo na principal premiação do cinema nacional e detalhou um momento carinhoso vivido com o ator Wagner Moura, que está na briga por uma estatueta como Melhor Ator.
Orgulho
À coluna, Mariza celebrou as conquistas do filme – que já saiu premiado em festivais como de Cannes e do Globo de Ouro – e disse que se sente orgulhosa em fazer parte do projeto. “Tá todo mundo muito orgulhoso. O Brasil é um país de gente criativa, de gente sensível”, disse.
A atriz também elogiou a produção do longa-metragem, que fez um trabalho árduo para recriar a Recife dos anos 1970. “Eu fiquei impressionada com o tamanho da produção, envolvendo centenas de pessoas. Ver a reprodução da década de 70, né? Os carros, tudo você… cara, você se teletransporta, você viaja no tempo”, comentou.
Mariza Moreira entrou para o elenco de O Agente Secreto após participar de uma oficina cinematográfica de atores em Recife com Leonardo Lacca, que é preparador de elenco dos filmes de Kléber Mendonça Filho. Ela chamou a atenção da equipe do filme e do próprio diretor e, assim, foi selecionada.
A participação da ex-BBB em O Agente Secreto, porém, é curta e dura apenas poucos segundos. Ela interpreta uma mulher que parece ficar “possuída” após assistir ao filme O Exorcista. A atriz, porém, não se importa em aparecer pouco tempo na tela: “Eu pensei que, realmente, é assim na vida, né? Não existe uma pessoa menor que a outra”, afirmou.
Wagner Moura
A cena interpretada por Mariza tem ligação direta com o personagem de Wagner Moura no filme. Porém, durante as filmagens, os dois não interagiram. “Eu não podia olhar pra ele, né? Eu fiquei lá me debatendo. E aí não dava pra eu olhar pra cara de Wagner Moura. Ele olhava pra mim com uma cara bizarra e se espantando, mas eu não podia olhar pra ele porque eu estava possuída”, brincou.
Após as filmagens, porém, a ex-BBB viveu um momento carinhoso com o ator baiano: ela recebeu um elogio do famoso após ser apresentada a ele por Leonardo Lacca. “Ele disse: ‘Menina, você arrasou! Tava verdadeiro demais!’. Eu digo: ‘Caramba, eu convenci mesmo, hein!’. É isso, recebi elogio de Wagner Moura e não consegui olhar pra cara dele direito durante a cena. Ainda bem que foram lá depois me apresentar a ele”, recordou.
Confira a conversa completa:
Como foi receber a notícia das quatro indicações do filme ao Oscar?
Eu fiquei só orgulho, acho que o Brasil inteiro tá orgulhoso, né? Recife, principalmente, orgulhoso, Salvador pelo, pelo ator Wagner Moura, tá todo mundo muito orgulhoso. Ele já foi premiado em Cannes, ele já foi do Globo de Ouro e agora quatro indicações ao Oscar, cara, quatro! Isso é histórico, isso é incrível. O Brasil é um país de gente criativa, de gente sensível e de gente que tem memória, né? É com muito orgulho, muita alegria que eu recebi essa notícia e tô na torcida para que traga os quatro.”
Como é fazer parte de uma produção de tanto sucesso ao redor do mundo?
Eu me sinto uma privilegiada de ter participado desse projeto. Eu tava no lugar certo na hora certa, porque como eu era muito fã da obra de Kléber Mendonça, sempre quis estar dentro de um filme dele. Mas aí, já com 60 anos, eu vi um dia Kléber postando que ia ter uma oficina de atuação cinematográfica. Eu digo: ‘Opa, o que é isso aqui?’ Aí fui olhar, era uma oficina de atuação cinematográfica com duração de seis meses com Leonardo Lacca. Aí olhei quem era Leonardo Lacca: preparador de elenco, diretor assistente nos filmes de Kléber. Aí essa oficina era perto da minha casa, era de graça e era direcionada para atores e atrizes de Pernambuco, de Recife, né?
Eu digo: ‘Pô, eu não sou atriz, mas aí eu vou, vou olhar esse formulário’. Aí olhei o formulário, pedia um vídeo de intenção e um minicurrículo assim, né? Mandei ver, digo: ‘Quer saber? Não sou eu que vou me barrar não. Se eles quiserem, eles que me barrem e não me selecionem, porque era seleção, né, para participar da oficina’. Aí me inscrevi, mandei um vídeo dizendo que nunca fui atriz, mas que tinha essa vontade, que a vida não tinha me oportunizado.
Eu nem citei o BBB porque eu fiquei com medo que existisse um preconceito de que as pessoas vão para o BBB e depois querem ficar famosas e querem virar atriz. E eu sei que ser ator e ser atriz não é uma coisa qualquer que qualquer um chega e faz, né? Mesmo eu assim, estando caindo de paraquedas nesse mundo, eu fiz essa oficina de seis meses, depois eu fiz outras oficinas, eu fiz muito filme universitário de graça, que é para ganhar estrada e experiência.
O que te chamou a atenção durante as filmagens?
É uma produção gigantesca, eu fiquei impressionada com o tamanho da produção, envolvendo centenas de pessoas. Ver a reprodução da década de 70, né? Os carros, tudo você… cara, você se teletransporta, você viaja no tempo numa produção dessa, porque ficava em ruas assim: figurino, os carros, as lojas, tudo, tudo era uma parte da cidade que ainda era original e com carros da época. Eu me senti viajando no tempo, né? E é uma produção incrível.
E saber que essa produção que fala de um Brasil, fala de um Recife, fala de uma época específica, está rodando o mundo inteiro e o mundo entende ela, de certa forma. Não é um filme sobre a ditadura, é sobre uma época, e naquela época existia a ditadura. Para quem é de Recife, vê cada pedacinho ali, é muito gostoso.
Tirou algum aprendizado de sua participação no filme?
Foi a primeira vez que eu estive num set de um longa-metragem, né? E foram muitos os aprendizados. O primeiro é que cinema é arte artesanal e coletiva. Ela… o ator e a atriz acaba sendo um dos elementos ali.
Eu como leiga, como consumidora de cinema, eu achava que era o diretor, o roteirista e os atores e acabou-se. Mas cara, tudo ali é importante. São centenas de pessoas que pensam aquilo. É o figurinista, é o maquiador, é o continuista… É uma orquestra que tem que funcionar. Um instrumento que toca uma nota errada, melou tudo. Então, no cinema também. Quando se diz ‘silêncio, gravando, ação’, todo mundo tem que estar conectado.
Aprendi uma coisa também interessantíssima que não foi exatamente no set, foi pós-set, né? Quando eu comecei a aparecer mais coisas e aí eu comecei a botar meu currículo, né, dessa minha nova… dessa minha nova vida que também envolve agora o ser atriz. Aí eu tinha botado em algum lugar, num site, que eu fiz uma pequena… fui convidada para uma pequena cena no filme de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça.
E aí, um dia, eu cruzei com a Emilie, que é a produtora, esposa de Kleber, e ela me disse: ‘Não existe pequena cena, não existe pequeno personagem. Uma cena é uma cena. Se ela está no filme, ela é uma cena do filme, é um momento do filme. E não existe pequeno personagem também. Os personagens são, existem’.
Eu fiquei com aquilo na cabeça. Mas eu pensei que, realmente, é assim na vida, né? Não existe uma pessoa menor que a outra. Você pode ver menos uma pessoa e ver mais outra pessoa, né? E assim como os acontecimentos: não tem acontecimento maior ou menor. Existe até o mais marcante e o menos marcante. E a minha cena é um momento marcante. E é isso, isso ficou assim martelando para mim. Isso é assim na vida e isso é assim no cinema, né?
Como foi contracenar com Wagner Moura?
Rapaz, essa parte de contracenar com Wagner Moura… eu que gosto de fazer piada. Eu fiz a mulher possuída, né? Então o Wagner Moura entra no hall do cinema São Luiz, onde tava sendo exibido um filme de terror, e eu sou a pessoa que saio da sala de cinema possuída por um demônio. E aí eu não podia olhar pra ele, né? Eu fiquei lá me debatendo. E aí não dava pra eu olhar pra cara de Wagner Moura, né? Ele olhava pra mim com uma cara bizarra e se espantando, mas eu não podia olhar pra ele porque eu estava possuída.
Kléber viu essa cena efetivamente na vida real, quando ele foi assistir O Exorcista quando ele era jovem num cinema, e ele quis reproduzir isso. Mas o curioso mesmo é que quando acabou, aí eu fiz: ‘Rapaz, gravei contracenando com Wagner Moura e nem pude olhar pra cara dele, nem vi a cara do cara de perto!’. Aí Leonardo Lacca fez: ‘Pois não seja por isso então!’. Aí me levou junto dele, e ele: ‘Menina, você arrasou! Tava verdadeiro demais!’. Eu digo: ‘Caramba, eu convenci mesmo, hein!’. Mas no fim, depois de montado, ficou cinco segundos só, né, rapaz? Mas é isso, recebi elogio de Wagner Moura e não consegui olhar pra cara dele direito durante a cena. Ainda bem que foram lá depois me apresentar a ele.”
Como é ver o Brasil pelo segundo ano consecutivo disputando o Oscar.
É ver o Brasil no mapa mundial, é dizer: ‘Ó, aqui se faz cinema’. É maravilhoso! É motivo de alegria pra todo mundo que é brasileiro, cara. No mundo, tudo acontece ali entre Estados Unidos e Europa, e tá aqui a gente, né? Tá lá a gente representado… representado no cinema. É incrível, é emocionante, é motivo de alegria. O Carnaval desse ano vai ser bom, hein, esperando esse Oscar! Hahaha!












