Especialistas explicam efeitos da menopausa após relato de Claudia Raia
No Dia Mundial da Menopausa, profissionais alertam que a transição hormonal exige atenção à massa muscular, à alimentação, ao sono e à saúde

A queda de cabelo levou Claudia Raia a compartilhar com os seguidores mais um dos efeitos que podem acompanhar a menopausa. Aos 59 anos, a atriz revelou que faz um tratamento para estimular o crescimento dos fios e mostrou um procedimento de radiofrequência no couro cabeludo. A experiência da atriz chama atenção para as transformações que podem ocorrer durante essa fase, que vão além das ondas de calor e do suor noturno.
Alterações no sono, na disposição, na composição corporal e na saúde capilar também podem afetar a qualidade de vida. Diante dessas mudanças, especialistas ouvidos pela coluna Fábia Oliveira explicam por que adaptar a rotina de exercícios e a alimentação é importante para preservar a saúde, sem recorrer automaticamente a dietas restritivas ou ao excesso de atividade física.

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Ver todasCelebrado em 18 de outubro, o Dia Mundial da Menopausa reforça a importância de ampliar o debate sobre o tema. A menopausa natural ocorre geralmente entre os 45 e os 55 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde. As mudanças hormonais, no entanto, podem começar anos antes, durante a perimenopausa, e se manifestar de formas diferentes em cada mulher.
Treinar mais nem sempre é a solução
Para a educadora física e personal trainer Carol Macedo, uma das principais dificuldades é entender como o corpo responde às mudanças sem interpretar cada alteração como falta de esforço.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O corpo começa a mudar e a primeira reação de muitas mulheres é: ‘Então vou comer menos, fazer mais cardio e treinar mais’. Só que nem sempre mais é melhor”, afirmou.
Segundo a profissional, a estratégia de treinamento precisa considerar fatores como força, experiência, dores, limitações físicas, qualidade do sono e rotina. Em algumas situações, pode ser necessário ajustar a intensidade, o volume, a frequência dos exercícios ou o tempo de descanso.
“Às vezes, aquela mulher que treinava cinco, seis vezes por semana percebe que não está mais se recuperando da mesma forma. Ou começa a sentir mais dificuldade para ganhar força, percebe mudanças no corpo, no sono, na disposição”, explicou.
A musculação tem papel importante nesse processo, sobretudo pela contribuição para a manutenção da massa muscular, da força e da saúde óssea. O objetivo, ressalta Carol, vai além da estética e envolve preservar a autonomia e a qualidade de vida ao longo dos anos.
“A gente está falando de preservar e ganhar massa muscular, manter força, cuidar dos ossos, da autonomia e da qualidade de vida. É pensar nessa mulher hoje, mas também na mulher que ela quer ser aos 60, 70, 80 anos”, afirmou.
Caminhadas, bicicleta e outras atividades aeróbicas também podem fazer parte da rotina, de acordo com o condicionamento e os objetivos individuais. O cuidado é evitar que a busca pelo emagrecimento deixe o treino de força em segundo plano ou leve a uma carga de exercícios incompatível com a recuperação.
“Não existe um treino pronto ‘para menopausa’. Existe o treino certo para aquela mulher e para o momento que ela está vivendo”, resumiu a educadora física.
Alimentação restritiva pode prejudicar a manutenção muscular
As mudanças na composição corporal também exigem atenção à alimentação. A redução dos níveis de estrogênio favorece alterações na distribuição da gordura, com maior tendência ao acúmulo na região abdominal. Ao mesmo tempo, o envelhecimento pode contribuir para a perda de massa muscular.
Para a nutricionista Renata Branco, reduzir cada vez mais as calorias ou eliminar grupos alimentares sem orientação pode comprometer o desempenho físico e a recuperação.
“Não basta aumentar a proteína sem avaliar a alimentação como um todo. É necessário garantir energia suficiente, porque uma restrição calórica excessiva pode prejudicar o desempenho, a recuperação e a preservação muscular”, explicou.
A especialista destaca que a avaliação não deve se limitar ao peso registrado na balança. Uma redução de peso nem sempre representa melhora da composição corporal, especialmente quando também há perda de massa muscular.
“Uma mulher pode perder peso e, ao mesmo tempo, perder massa muscular. Isso não representa necessariamente uma melhora da composição corporal ou da saúde metabólica”, ressaltou Renata.
A alimentação precisa fornecer proteínas em quantidade adequada, considerando as necessidades individuais, além de carboidratos, que ajudam a sustentar o exercício e a repor os estoques de energia. O consumo de cálcio, proteínas e vitamina D também merece atenção no cuidado com a saúde óssea.
“A menopausa não deve ser tratada simplesmente com uma dieta mais restritiva. Precisamos oferecer ao organismo condições para manter força, metabolismo, saúde digestiva e qualidade de vida”, afirmou a nutricionista.
Outro ponto é o funcionamento intestinal. A constipação e a distensão abdominal podem ter diferentes causas, incluindo mudanças na alimentação, hidratação insuficiente, medicamentos e alterações na rotina. “Uma estratégia muito concentrada em proteínas, mas pobre em fibras, frutas, vegetais, leguminosas e líquidos, pode contribuir para a constipação, especialmente em mulheres predispostas”, explicou Renata.
Cansaço e queda de rendimento precisam ser investigados
Ondas de calor, suor noturno e alterações do sono podem afetar a disposição e dificultar a manutenção de uma rotina de exercícios. Segundo a The Menopause Society, esses sintomas vasomotores atingem até 80% das mulheres durante a menopausa e podem persistir por anos. O médico João Branco ressalta, porém, que nem toda queixa de cansaço ou queda de rendimento deve ser atribuída automaticamente às alterações hormonais.
Dependendo dos sintomas e do histórico da paciente, é importante investigar outras possibilidades, como anemia, alterações da tireoide, distúrbios do sono, questões emocionais, alimentação inadequada e efeitos de medicamentos. “O diagnóstico tem que ser amplo. O corpo tem que ser avaliado de uma maneira integrada”, afirmou.
O mesmo cuidado vale para a queda de cabelo. Embora as alterações hormonais possam contribuir para o afinamento dos fios e mudanças no ciclo capilar, outros fatores também podem estar envolvidos. Identificar a causa é fundamental para definir o tratamento mais adequado.
A terapia hormonal pode ser uma opção para aliviar determinados sintomas da menopausa, mas sua indicação depende de uma avaliação individualizada dos benefícios, riscos e possíveis contraindicações. De acordo com João Branco, a decisão deve considerar as queixas, o impacto na qualidade de vida e o histórico de saúde da paciente.
O tratamento não deve ser apresentado como uma fórmula para emagrecer ou ganhar músculos. Quando indicada, a terapia pode aliviar sintomas e ajudar algumas mulheres a dormir melhor e a manter suas atividades cotidianas com mais regularidade. “Nunca a reposição vai substituir o treino e a alimentação adequada”, afirmou o médico.









