Fábia Oliveira

Entenda riscos e complicações de procedimento feito por Junior Dutra

A médica Giselle Mello explicou como funciona o “fox eyes”, feito pelo influenciador meses antes de sua morte, na última sexta-feira (3/10)

atualizado

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Os seguidores do influenciador mineiro Adair Mendes Dutra Junior, conhecido como Junior Dutra, foram pegos de surpresa, no fim de semana, com a notícia da morte do rapaz, meses após passar por um procedimento estético chamado “fox eyes” e apresentar complicações.

Em conversa com a coluna Fábia Oliveira, a médica Giselle Mello falou sobre as complicações e riscos da cirurgia, feita pelo influencer em junho: “Eu, como médica, faço fios faciais e corporais com técnicas em que utilizo desde fios PDO, PLLA, poliglactina e outros para tornar a beleza de forma mais natural. Sempre digo que pra fazer fios o profissional necessita de conhecimento anatômico preciso e nunca pular etapas”, afirmou.

Em seguida, a especialista observou: “As complicações podem advir mesmo que façamos tudo correto. Além disso, tão importante quanto realizar o procedimento são os cuidados pós-procedimento, seguir corretamente as orientações médicas dadas para que o resultado seja o melhor possível”, disse.

Detalhes do procedimento

A profissional explicou o que de fato é este procedimento: “O fox eyes (ou cat eyes) é um termo estético usado para descrever técnicas que elevam o canto lateral dos olhos e das sobrancelhas, produzindo um olhar mais alongado”, pontuou.

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Em seguida, ela relatou que vários métodos são utilizados no processo: “Fios de sustentação (PDO, PLLA), toxina botulínica e preenchedores (efeito temporário); cirurgia de cantopexia ou canto lifting (resultado definitivo)”, esclareceu.


Riscos e complicações possíveis

  • Complicações estéticas: assimetria facial, quando um lado mais elevado que o outro; resultado artificial ou exagerado, com aparência “repuxada”; e perda precoce do efeito, principalmente nos casos feitos com fios absorvíveis mal posicionados.
  • Complicações infecciosas: infecção local (celulite facial ou abscesso); e evolução para necrose, se não tratada precocemente, principalmente quando há má assepsia, manipulação caseira ou uso de material inadequado.
  • Complicações vasculares e nervosas: lesão de ramos da artéria temporal superficial, com risco de hematoma e necrose; compressão de nervos sensitivos, causando dor crônica, formigamento e dormência; e isquemia cutânea, se o fio tensionar demais o tecido.
  • Complicações inflamatórias e imunológicas: granulomas (reação de corpo estranho ou extrusão do fio) e fibrose subcutânea (nódulos palpáveis, retrações da pele).
  • Complicações psicológicas: insatisfação com o resultado é frequente: “Muitas pacientes relatam frustração estética e arrependimento, sobretudo quando o procedimento foi feito sem explicação clara dos riscos”, detalhou a médica.

O que dizem as leis

Giselle Mello pontuou que legislação brasileira (Resolução CFM nº 2.320/2022 e ANVISA) é clara: apenas médicos com formação em dermatologia, cirurgia plástica ou áreas correlatas podem realizar procedimentos invasivos faciais com fios de sustentação, cânulas ou cirurgias de lifting.

“Ou seja podem: médicos dermatologistas, cirurgiões plásticos, oftalmologistas especializados em plástica ocular. Não podem: biomédicos, dentistas, esteticistas, influenciadores ou profissionais sem CRM. Isso se deve à complexidade anatômica da região periorbital, que envolve vasos e nervos muito superficiais. Um erro de milímetros pode causar danos irreversíveis”, esclareceu.


Como lidar com complicações

  • Condutas iniciais: identificar precocemente sinais de alerta, como dor intensa, calor local, secreção purulenta, assimetria acentuada, perda de sensibilidade e manchas esbranquiçadas (isquemia). Em seguida, avaliar necessidade de retirada do fio, se houver infecção ou reação de corpo estranho. E, em casos de infecção local, é necessário iniciar a antibioticoterapia precoce (via oral ou EV). Além disso, pode ser utilizada a corticoterapia em reações inflamatórias ou fibroses.
  • Condutas específicas: em caso de necrose/isquemia, aplicar compressas mornas, vasodilatadores tópicos (como trinitrato de glicerina) e, se necessário, oxigenoterapia hiperbárica. Se surgirem hematomas importantes, é preciso fazer drenagem e compressão leve. Quando há extrusão de fio é feita a remoção asséptica em ambiente médico. Já quando o assunto é insatisfação estética, o especialista faz uma reavaliação após 30 dias e pode ser necessário um retoque cirúrgico.

Problemas graves

Ainda durante o bate-papo, Giselle Mello pontuou: “Complicações graves devem ser encaminhadas a cirurgiões plásticos ou dermatologistas experientes em fios e reconstrução facial”, acrescentou.

No fim, a médica ainda fez recomendações para pacientes que estão interessados em fazer o procedimento: desconfiar de preços muito baixos ou de locais sem registro na Anvisa; exigir que o profissional apresente o CRM e explique o tipo de fio, material e técnica utilizada; evitar procedimentos em clínicas de estética sem médico presente; solicitar termo de consentimento informado, com explicação dos riscos; e fazer acompanhamento médico pós-procedimento, especialmente nas primeiras 48h.

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