
Fábia OliveiraColunas

Empresário e CEO da FM O DIA fala sobre desigualdade na música
Tuka Carvalho avaliou a discrepância que existem quando o assunto é investimento entre os gêneros, como sertanejo e pagode
atualizado
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Nos bastidores da indústria musical, a busca por grandiosas produções nem sempre garante o sucesso almejado. O empresário e CEO da rádio FM O DIA e da Arca A, Tuka Carvalho, observa a discrepância nos investimentos entre gêneros, destacando que comparar o valor dos cachês entre o sertanejo e o pagode ainda é um desafio.
“O vídeo tem um percentual muito pequeno, vejo artistas gastando milhões e milhões em DVD. Os artistas querem fazer DVD, trabalham o ano todo para pagar e, às vezes, não vira. Pega o exemplo do Menos é Mais, é o vídeo mais acessado, teve uma gravação simples, três câmeras e um bom som, era uma roda de samba”, disse Tuka, que completou:
“Não dá para comparar ainda o pagode com sertanejo em relação a valores. O cachê do sertanejo com o artista acertando ‘meia música’ é 150 mil. Hoje você pega um artista nosso de pagode estourado, o cachê fica numa média de 120 mil, isso numa média anual”, declarou.
Tuka ainda gerencia as carreiras do cantor Chininha, Robinho, Binho Simões e Thiago Soares.
Entrevista com Buchecha
O cantor Buchecha participou, no fim de julho, do podcast Bulldog Show, apresentado por Tuka Carvalho, ao lado de Amaro (da dupla Suel e Amaro) e Mano Kacau (do Rap do Sufocador). Durante a entrevista, o funkeiro relembrou o dia do trágico acidente que tirou a vida de Claudinho.
“Eu não sou sensitivo, mas tem uma pessoa que falou que parece que quando a pessoa vai morrer, ela sente. Nesse dia [do acidente] o Claudinho não queria ir para o show, não. Aí, eu falei para ele: ‘Mas o que eu vou falar para as pessoas? Porque se você não for, eu também não vou’”, recordou o cantor, antes de continuar:
“E a gente não ia mesmo, mas depois a produção me ligou dizendo que o Claudinho tinha ido com o carro dele. Aí, eu peguei a van com a equipe e fomos. Na volta, aconteceu isso”, detalhou Buchecha.
Em 2002, o veículo em que Claudinho estava derrapou na altura do km 202 da Rodovia Presidente Dutra, em Seropédica (RJ), e bateu em uma árvore. A fatalidade interrompeu a carreira de sucesso dos amigos de infância, que se tornaram famosos durante a década de 1990 por conta dos hits Só Love, Quero Te Encontrar e Fico Assim Sem Você.
Depois da morte do companheiro, Buchecha disse que sofreu de depressão durante alguns anos até se erguer novamente para apostar numa carreira a solo.
“O que me fez voltar a cantar foi o apoio dos amigos de profissão. A Xuxa e a Ana Maria Braga também me deram muito apoio, mas uma coisa foi muito primordial para mim. Eu morava na beira da rua ali na Ilha do Governador, nessa época, e toda tarde tinha uma van escolar que parava em frente à minha casa e as crianças começavam a cantar Fico Assim Sem Você e ‘Buchecha, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver’. Aquilo foi me tirando da depressão”, relembrou.
A música Fico Assim sem Você revelou-se quase profética ao eternizar na letra o fato de Buchecha ficar sem Claudinho. No dia 21 de setembro, o filme Nosso Sonho, que conta a história de Claudinho e Buchecha, vai estrear nos cinemas. O longa revela trechos emocionantes da história dos cantores que começaram com uma amizade na infância em uma comunidade de Niterói e conquistou o Brasil.















