
Fábia OliveiraColunas

“Ele foi racista e abusivo”, diz Roberta Rodrigues sobre ex-diretor da Globo
Atriz relembrou denúncia, vitória no processo contra a Globo e detalhou caso de racismo nos bastidores
atualizado
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A atriz Roberta Rodrigues relembrou publicamente o processo judicial que moveu contra a Globo após relatar ter sofrido racismo nos bastidores de uma produção da emissora.
Durante participação no programa Sem Censura, exibido nesta terça-feira (17/3), ela afirmou ter sido alvo de conduta abusiva por parte de um diretor, caso que acabou levado à Justiça e resultou em decisão favorável à artista.
Veja vídeo
A atriz Roberta Rodrigues comentou sobre o crime de racismo que sofreu durante as gravações da novela “Nos Tempos do Imperador”. Ela processou e venceu a ação! pic.twitter.com/0LENMfzUje
— Dan Pimpão (@DanPimpao) March 17, 2026
O relato de Roberta Rodrigues
Ao comentar o episódio, Roberta foi direta ao descrever a situação vivida nos bastidores. “Eu passei por um processo, um caso de racismo”, iniciou. Na sequência, detalhou a postura do profissional envolvido. “É, com um diretor. E esse diretor, ele foi muito agressivo, ele foi racista, né? E abusivo.”
A atriz relatou que sempre adotou uma postura de respeito dentro dos ambientes de trabalho e que não hesitaria em reagir diante de qualquer desrespeito. Segundo ela, essa foi uma orientação que carrega desde a infância. “Eu sempre falei que o dia que me desrespeitassem, eu iria atrás dos meus direitos. E isso aconteceu.”
Sem encontrar acolhimento no momento em que procurou diálogo, Roberta decidiu formalizar a denúncia. “Eu queria ter tido, eu precisava de uma escuta, não existiu essa escuta, então eu fui atrás de onde eu pudesse ser ouvida”, afirmou.
O caso avançou na Justiça e terminou com vitória da atriz. “E aí eu abri um processo, esse processo ele correu, eu venci esse processo. E isso foi muito importante.”
Relembre o caso
A situação mencionada pela artista remete aos bastidores da novela Nos Tempos do Imperador, exibida entre 2021 e 2022, quando vieram à tona denúncias de racismo e assédio moral envolvendo integrantes da equipe.
O episódio levou ao desligamento do diretor Vinícius Coimbra e teve desdobramentos judiciais. Em 2025, a Justiça do Trabalho reconheceu a existência de um ambiente hostil e determinou o pagamento de indenização, embora o valor ainda seja alvo de disputa em instâncias superiores.
“Eu não poderia baixar a cabeça”
Durante a entrevista, Roberta destacou que a decisão de levar o caso adiante ultrapassava uma questão individual. Para ela, a ação também tem impacto coletivo. “Serviu para que a gente pudesse entender que nós, mulheres pretas, a gente tem que ser respeitada, que é o nosso direito como qualquer outra mulher”, declarou.
A atriz ainda ressaltou que não cogitou silenciar diante da situação. “Eu não poderia baixar a cabeça e fingir que nada estava acontecendo e passar por cima de mim mesma. Sabe? Eu jamais, eu jamais passaria por cima de mim mesma”, disse.
Ao refletir sobre o episódio, Roberta também associou sua trajetória à formação artística e ao papel social da arte. Segundo ela, a experiência reforçou a responsabilidade que carrega em sua atuação profissional. “Essa arte foi a que me moveu também para eu ir correr atrás dos meus direitos”, concluiu.









