Fábia Oliveira

Depressão de Bella Campos expõe debate sobre saúde mental no trabalho

Declaração da atriz reacende discussões sobre pressão profissional, cultura organizacional e responsabilidade das empresas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

YouTube/Reprodução
Depressão de Bella Campos expõe debate sobre saúde mental no trabalho - Metrópoles
1 de 1 Depressão de Bella Campos expõe debate sobre saúde mental no trabalho - Metrópoles - Foto: YouTube/Reprodução

Bella Campos trouxe à tona um tema cada vez mais urgente no ambiente profissional ao revelar que enfrentou um quadro de depressão após o período em que esteve no ar em uma novela. O relato, que rapidamente ganhou repercussão, evidencia uma realidade que vai além dos bastidores da televisão e atinge trabalhadores de diferentes setores: o impacto direto do ambiente de trabalho na saúde mental.

Especialistas apontam que situações como essa não devem ser analisadas apenas como questões individuais. Para a psicóloga e especialista em saúde mental corporativa Daisy Cangussú, o caso é um alerta importante sobre a forma como o trabalho é estruturado.

“O sofrimento emocional não pode ser compreendido apenas como uma fragilidade individual. Muitas vezes, ele está diretamente ligado à organização do trabalho, ao estilo de liderança, à pressão por desempenho e à cultura da empresa”, explicou.

Conflitos constantes

Segundo ela, fatores como conflitos recorrentes, cobranças excessivas, humilhações, assédio, sobrecarga e falta de suporte funcionam como riscos psicossociais relevantes: “Quando essas condições se mantêm ao longo do tempo e não são enfrentadas, podem contribuir significativamente para o adoecimento emocional”, afirmou.

Depressão de Bella Campos expõe debate sobre saúde mental no trabalho - destaque galeria
13 imagens
A atriz Bella Campos
Bella Campos faz carão para as redes sociais
Bella Campos posa sorridente e de cabelos soltos
Bella Campos arrancou elogios de seus seguidores
Bella Campos fez ensaio de lingeria para o Instagram
Bella Campos desabafa sobre depressão e ausência da mãe na infância
1 de 13

Bella Campos desabafa sobre depressão e ausência da mãe na infância

YouTube/Reprodução
A atriz Bella Campos
2 de 13

A atriz Bella Campos

Reprodução/Instagram
Bella Campos faz carão para as redes sociais
3 de 13

Bella Campos faz carão para as redes sociais

Instagram/Reprodução
Bella Campos posa sorridente e de cabelos soltos
4 de 13

Bella Campos posa sorridente e de cabelos soltos

Instagram/Reprodução
Bella Campos arrancou elogios de seus seguidores
5 de 13

Bella Campos arrancou elogios de seus seguidores

Instagram/Reprodução
Bella Campos fez ensaio de lingeria para o Instagram
6 de 13

Bella Campos fez ensaio de lingeria para o Instagram

Instagram/Reprodução
Bella Campos posa sorridente para as redes sociais
7 de 13

Bella Campos posa sorridente para as redes sociais

Instagram/Reprodução
Após mudança de visual, Bella Campos posa de lingerie
8 de 13

Após mudança de visual, Bella Campos posa de lingerie

Instagram/Reprodução
Bella Campos
9 de 13

Bella Campos

Reprodução/Instagram
Bella Campos
10 de 13

Bella Campos

Reprodução/Instagram
Bella Campos posa de look branco e ócilos escuros
11 de 13

Bella Campos posa de look branco e ócilos escuros

Instagram/Reprodução
Bella Campos posa durante passeio de barco
12 de 13

Bella Campos posa durante passeio de barco

Instagram/Reprodução
Bella Campos posa durante gravação de publicidade
13 de 13

Bella Campos posa durante gravação de publicidade

Instagram/Reprodução

A especialista destacou ainda que, do ponto de vista técnico, o ambiente de trabalho pode atuar como gatilho ou agravante: “É mais adequado dizer que o trabalho funciona como fator de risco ou agravante. Ele não causa a depressão de forma isolada, mas pode contribuir de maneira importante, especialmente quando há exposição contínua a pressão extrema, insegurança e ausência de apoio”, pontuou.

Sinais dentro das empresas

Outro ponto de atenção são os sinais que costumam surgir dentro das empresas: “Mudanças de comportamento, isolamento, queda de desempenho, cansaço extremo, irritabilidade e dificuldade de concentração são alguns dos principais alertas. Muitas vezes, o sofrimento aparece primeiro como uma queda de produtividade, e não como um pedido direto de ajuda”, enumerou ela.

Para Daisy Cangussú, o papel das empresas vai além do discurso: “A primeira atitude deve ser acolher, escutar e preservar a dignidade do colaborador. O afastamento, quando necessário, precisa ser conduzido com responsabilidade, e o retorno deve ser acompanhado com cuidado, respeitando o tempo de recuperação”, analisou.

Apesar dos avanços no debate, a psicóloga ressaltou que o tema ainda enfrenta resistência: “Muitas empresas já falam sobre saúde mental, mas isso nem sempre se traduz em mudanças reais na cultura organizacional. Em ambientes de alta pressão, ainda existe medo de expor o sofrimento por receio de julgamento”, disse.

Riscos ocupacionais

A discussão ganha ainda mais relevância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que passa a incluir os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais: “Isso significa que fatores como assédio, sobrecarga e conflitos deixam de ser vistos como questões subjetivas e passam a ser responsabilidade formal das empresas”, completou.

Na mesma linha, a especialista em gestão empresarial e comunicação estratégica Juliana D’Andrades contou que a forma como as empresas lidam com conflitos internos é determinante.

“A gestão de conflitos precisa ser encarada de forma estruturada e imparcial. Identificar o problema, promover o diálogo e mediar situações é essencial para evitar o agravamento de quadros emocionais”, opinou.

Direitos do trabalhador

Do ponto de vista jurídico, a advogada trabalhista Silvana Campos comentou que o trabalhador possui uma série de direitos quando há impacto na saúde mental.

“Os direitos incluem licença médica remunerada, estabilidade provisória após o retorno e o direito a um ambiente de trabalho psicologicamente seguro, além da proteção contra discriminação”, pontuou.

Ela também alertou para situações mais graves: “Caso haja assédio no retorno, o trabalhador pode pedir a rescisão indireta do contrato, garantindo todas as verbas rescisórias”, declarou.

Causa dos afastamentos

Segundo a advogada, problemas emocionais já estão entre as principais causas de afastamento no país: “Eles costumam estar relacionados à carga de trabalho excessiva, metas abusivas, assédio e falta de suporte”, observou.

A legislação também impõe deveres às empresas nesses casos: “Ao identificar o abalo mental do funcionário, a empresa deve abrir a Comunicação de Acidente de Trabalho, agendar perícia no INSS, arcar com os primeiros 15 dias de afastamento e garantir estabilidade no emprego após o retorno. Em situações extremas, pode haver indenização por danos morais”, continuou.

Para especialistas, o caso de Bella Campos reforça uma mudança de perspectiva no mundo do trabalho. Mais do que tratar o adoecimento quando ele já aconteceu, o desafio passa a ser construir ambientes mais seguros, com lideranças preparadas e uma cultura organizacional que não normalize a pressão excessiva, mas promova respeito, escuta e prevenção.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comFábia Oliveira

Você quer ficar por dentro da coluna Fábia Oliveira e receber notificações em tempo real?