
Fábia OliveiraColunas

Declaração de Virginia sobre o filho levanta alerta de especialistas
Especialistas falam de atrasos na fala infantil e explicam por que crenças populares podem confundir pais e atrasar intervenções importantes
atualizado
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Uma declaração recente de Virginia Fonseca sobre o desenvolvimento do filho, José Leonardo, voltou a movimentar as redes sociais e trouxe à tona um tema delicado: o atraso na fala em crianças pequenas. Ao comentar que o herdeiro ainda não fala e associar isso à ideia de que meninos demoram mais para desenvolver a linguagem, a influenciadora ecoou uma crença bastante difundida, e, ao mesmo tempo, questionada por especialistas.
Embora cada criança tenha seu próprio ritmo, profissionais da saúde e da educação alertam que explicações generalistas podem levar à falsa sensação de normalidade, adiando uma avaliação mais cuidadosa. A pediatra Renata Castro destaca que é preciso olhar para além de comparações comuns.
“Cada criança tem seu tempo, mas isso não significa ignorar os marcos do desenvolvimento. A fala é um indicador importante, e quando há atraso, o ideal é investigar. Apoiar-se em crenças como ‘menino fala mais tarde’ pode fazer com que sinais relevantes passem despercebidos”, explicou à coluna Fábia Oliveira.
Para Gabriela Mazaro, diretora pedagógica, neuropsicopedagoga e orientadora parental, o problema está na forma como essas ideias se perpetuam.
“Essas falas reforçam padrões que não consideram a individualidade da criança. O desenvolvimento infantil precisa ser observado com base em evidências e nas interações do dia a dia, não em comparações ou frases prontas. Informação de qualidade é essencial para decisões mais conscientes”, afirmou.
Sob a ótica neurológica, a atenção ao tempo é fundamental. A Dra. Roberta Machado, neurologista infantil com formação pela Universidade Federal de São Paulo e pela Universidade de Barcelona, explica que a linguagem está diretamente ligada ao desenvolvimento global da criança.
“A fala não é apenas comunicação, ela reflete o funcionamento de diversas áreas do cérebro. Quando há atraso, é importante avaliar se está dentro do esperado ou se há necessidade de intervenção. Quanto antes isso acontece, melhores são os resultados”, pontuou.





