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De Albieri a Natanael: relembre a carreira de Juca de Oliveira
Carreira iniciada nos palcos e consolidada na TV, com personagens marcantes e longa trajetória no teatro e nas novelas
atualizado
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O ator e diretor Juca de Oliveira morreu aos 91 anos, na madrugada deste sábado (21/3), em São Paulo. Ele estava internado desde 13 de março no Hospital Sírio-Libanês, onde tratava um quadro de pneumonia associado a complicações cardíacas.
De uma longa trajetória marcada pela versatilidade, Juca construiu uma carreira sólida tanto no teatro quanto na televisão.
Nascido em São Roque, no interior paulista, em 16 de março de 1935, iniciou sua formação artística nos anos 1950, após abandonar o curso de Direito na Universidade de São Paulo (USP) para se dedicar integralmente à atuação.
Trajetória marcada pela resistência
Ainda no início da carreira, integrou o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde dividiu o palco com nomes como Aracy Balabanian. Nesse período, participou de montagens importantes, como A Semente, de Gianfrancesco Guarnieri, e A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, consolidando sua presença no teatro nacional.
Na década de 1960, ao lado de nomes como Augusto Boal e Paulo José, esteve entre os responsáveis pela aquisição do Teatro de Arena, espaço que se tornou referência cultural durante o período da ditadura militar. Ligado ao Partido Comunista Brasileiro, enfrentou perseguições políticas, chegando a se exilar na Bolívia antes de retornar ao país.
Personagens marcantes
Na televisão, estreou em novelas ainda na década de 1960 e passou a integrar o elenco da TV Globo nos anos 1970. Ao longo da carreira, participou de mais de 30 novelas e minisséries, com passagens também por outras emissoras, como Band e SBT.
Entre os papéis mais conhecidos, ganhou destaque como Doutor Albieri, em “O Clone”, exibida entre 2001 e 2002. Na trama de Glória Perez, viveu um médico geneticista envolvido na tentativa de realizar a clonagem humana, personagem que se tornou um dos mais marcantes de sua trajetória.
Antes disso, também esteve em produções como “O Semideus”, “Torre de Babel” e “Fera Ferida”, além de seu último trabalho na TV, em “O Outro Lado do Paraíso”, em 2018, como Natanael.
Além da televisão, Juca manteve forte ligação com o teatro ao longo de toda a vida, participando de cerca de 60 montagens, muitas delas também como autor. Nos últimos anos, reduziu a presença em novelas para se dedicar aos palcos e à administração de sua fazenda de gado.
O velório do ator será realizado neste sábado (21), no Funeral Home, na região central de São Paulo, das 15h às 21h.









