
Fábia OliveiraColunas

Danilo Gentili defende Tatiana Sampaio após declaração polêmica
No Roda Viva, a cientista Tatiana Sampaio sugeriu seguir com pesquisa sem a adoção de um grupo controle, o que levantou questionamentos
atualizado
Compartilhar notícia

A bióloga Tatiana Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), participou do programa Roda Viva, da TV Cultura, e causou polêmica ao afirmar que pode seguir com os estudos da polilaminina sem a adoção de um grupo controle. Após a fala, ela foi alvo de questionamentos, mas recebeu o apoio do apresentador Danilo Gentili.
Polêmica
Tatiana é a responsável pelos estudos para tratamento de lesões medulares. Durante entrevista ao Roda Viva nesta segunda-feira (23/2), ela falou sobre o futuro da pesquisa, que ainda segue em fase inicial. Questionada se pretende criar um grupo de controle, a especialista disse que “vai depender da realidade”.
Para explicar: o grupo de controle é considerado fundamental para estabelecer relação de causalidade e comprovar a eficácia de uma nova terapia. Nele, uma parte dos participantes recebe a medicação em teste, enquanto a outra parte recebe apenas placebo. Assim, os cientistas conseguem traçar paralelos sobre o desempenho de uma nova droga, por exemplo.
Defesa
A declaração de Tatiana Sampaio levantou dúvidas, mas Danilo Gentili usou suas redes sociais para defender a cientista e fazer um questionamento. “Não posso defender ou atacar o processo científico e não estou aqui pra isso. Mas posso contextualizar esse trecho que parece tirado de contexto”, começou o famoso.
“Eu a entrevistei ano passado e sei do contexto pois fiz essa pergunta pra ela. Acontece que a substância deve ser aplicada em pessoas LOGO após a fratura. Se perder o timing da aplicação, a substância perde a eficácia. Quanto mais se demora , menor a chance de recuperação de quem recebe o tratamento”, explicou o apresentador.
Danilo seguiu seu raciocínio: “Sendo assim, imagine que temos dois pacientes aptos pra receber o teste. Um tomará a substância corretamente e outro tomará o placebo. Ou seja, se a substância realmente for eficaz , um andará e o outro ficará tetraplégico pra sempre. Não tem como aplicar depois nele. A pergunta é um dilema: você teria coragem de ser quem aplica o placebo em quem poderia ter uma chance de andar?”, questionou.
Na atração da TV Cultura, a cientista não descartou a criação de um grupo controle no futuro, mas reforçou que fará “o que achar eticamente correto”. “Vamos supor que esses 30 pacientes todos voltem a andar. Você teria coragem de fazer um estudo clínico controlado?”, apontou.
Não posso defender ou atacar o processo cientifico e não estou aqui pra isso. Mas posso contextualizar esse trecho que parece tirado de contexto. Eu a entrevistei ano passado e sei do contexto pois fiz essa pergunta pra ela. Acontece que a substância deve ser aplicada em pessoas… https://t.co/4ZUaFnvX0G
— Danilo Gentili (@DaniloGentili) February 24, 2026









