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Conceição Evaristo fala de homenagem no Império e racismo no Carnaval
A escritora, que será tema do enredo do Império Serrano em 2026, conversou com a coluna e abriu o coração
atualizado
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Presença ilustre no mini desfile do Império Serrano, Conceição Evaristo não conteve a emoção ao comentar a homenagem que receberá da escola de samba no Carnaval 2026, em entrevista à coluna Fábia Oliveira. A escritora, uma das vozes mais importantes da literatura brasileira contemporânea, será tema do enredo da Verde e Branco de Madureira.
No bate-papo, Conceição fez questão de destacar o significado desse gesto para sua trajetória. A escola desfilará pela Série Ouro na Marquês de Sapucaí, buscando o retorno ao Grupo Especial com o enredo “Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu”.
“Significa pra mim um dos melhores prêmios que a literatura pode me conceber, porque a minha literatura se inspira na vida do povo, nos fatos da realidade… é o sumo da minha literatura essa dinâmica das classes sociais. E a minha literatura ser apropriada por uma escola de samba em um enredo é um caminho que me gratifica muito. É voltar para um lugar onde eu sempre estou”, disse ela.
A autora contou que tem acompanhado cada etapa da construção do desfile e que já abraçou o Império Serrano como parte de sua história pessoal. “Faz [parte do coração]! Eu estou procurando acompanhar tudo. Acompanhei o lançamento do enredo, a escolha do samba, estou aqui hoje e, com certeza, estarei de corpo e alma no dia do desfile”, disparou.
Episódios de racismo no Carnaval
Questionada sobre os recentes casos de racismo envolvendo figuras do Carnaval, incluindo a polêmica sobre Rayane Figliuzzi, namorada, de Belo, Conceição Evaristo falou com franqueza e profundidade.
“Esse xingamento, esse imaginário negativo em relação às pessoas negras vai mudando com o tempo, porque se trata de uma mudança de mentalidade. Pode ter leis, pode ter tudo, mas a mudança de mentalidade acontece na medida em que a sociedade vai tomando consciência. A educação tem uma importância muito grande. Então, infelizmente, esses episódios ainda se repetem e as pessoas têm o direito de reagir”, declarou.
O caminho para o fim do racismo
Para a escritora, a transformação começa na atitude individual, cotidiana, e não apenas em grandes discursos.
“A gente fala de um racismo estrutural como se essa estrutura não fosse construída por pessoas. Então, cada pessoa, em seus lugares de trabalho, de estudo, de lazer, tem esse compromisso de se autoanalisar e perceber em que momento as atitudes pessoais são responsáveis pelo racismo e em que momento estão inseridas na luta contra o racismo”, encerrou.







