Brasil e Noruega no calor extremo: especialistas alertam para riscos
Temperatura e sensação térmica elevadas podem afetar não apenas saúde de jogadores, como Neymar e Casemiro, mas também torcedores

A partida entre Brasil e Noruega, válida pela Copa do Mundo nos Estados Unidos, será disputada sob condições climáticas consideradas críticas por especialistas, com temperaturas elevadas e sensação térmica de “calor extremo”, no próximo domingo (5/7).
O cenário acendeu um alerta não apenas para o desempenho em campo, mas também para a saúde de jogadores, comissão técnica e torcedores que acompanham o evento.

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Ver todasDurante a preparação, o calor já tem sido sentido de forma intensa no centro de treinamento. Segundo informações da cobertura esportiva, Neymar e Casemiro reagiram diretamente às altas temperaturas durante atividades no CT da Seleção Brasileira, demonstrando desconforto com as condições climáticas que devem se repetir e até se intensificar no dia da partida. A situação reforça a preocupação com o impacto do clima extremo sobre o rendimento físico dos atletas.
Sobrecarga no organismo
O calor intenso em eventos esportivos desse porte vai muito além do desconforto. Ele impõe uma sobrecarga significativa ao organismo, especialmente ao sistema cardiovascular, que precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal estável.
Em conversa com a coluna, a dermatologista Camila Sampaio destacou que a proteção solar deve ser prioridade absoluta em eventos ao ar livre.
“O uso de protetor solar com reaplicação a cada duas horas é indispensável, mesmo à noite, porque muitas pessoas chegam cedo e ficam expostas por longos períodos. Chapéus, óculos escuros e roupas leves também ajudam a minimizar os danos causados pela radiação e pelo calor excessivo”, explicou.
Reações na pele
Segundo a especialista, a combinação de sol, suor e poluição pode agravar irritações na pele e até gerar lesões: “A pele desidratada e sensibilizada é mais vulnerável. Por isso, além da proteção solar, é importante manter a hidratação do corpo e, ao chegar em casa, fazer uma limpeza adequada e usar produtos calmantes”, detalhou.
No campo da nutrição, a preocupação também é com o desempenho físico e a prevenção de colapsos durante o esforço prolongado sob altas temperaturas.
A nutricionista Laita Balbio, do Espaço Hi, reforçou que planejamento é essencial para enfrentar jogos em condições extremas: “Eventos como esse exigem preparo básico. Comer bem antes, hidratar-se ao longo do dia e evitar excessos já garantem mais disposição e evitam quedas de energia. O corpo responde muito rápido quando é bem cuidado”, comentou.
Ela observou, ainda, a importância do equilíbrio durante a experiência do evento: “Você não precisa deixar de aproveitar. O importante é não chegar no limite do corpo. Pequenas escolhas fazem uma grande diferença na forma como você vai viver essa experiência”, esclareceu.
Cuidados com o coração
Do ponto de vista cardiovascular, o alerta é ainda mais rigoroso. O cardiologista Niceas Alves Ferreira Neto relatou que o calor extremo pode levar o organismo ao limite em situações de esforço físico intenso como uma partida de futebol sob altas temperaturas.
“O calor extremo aumenta a sobrecarga do sistema cardiovascular, exigindo mais do coração para manter a regulação da temperatura corporal”, revelou.
Hidratação é importante
A cirurgiã vascular Nayara Cioffi Batagini disse que o impacto do calor também se relaciona à circulação e à hidratação: “A hidratação adequada ajuda a manter o sangue menos viscoso e faz parte das medidas preventivas. Também é recomendado evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, que podem contribuir para a desidratação”, apontou.
Ela falou ainda os riscos da imobilidade e do esforço sob calor intenso: “Quando ficamos muitas horas sem movimentar as pernas, o sangue circula mais lentamente nas veias dos membros inferiores. Essa estase venosa é um dos fatores que favorecem a formação de trombos, principalmente em pessoas que já possuem predisposição”, apontou.
Sinais de alerta
O cardiologista Vitor de Holanda destacou a importância da prevenção e do reconhecimento dos sinais de alerta: “A dispneia, principalmente aos esforços ou ao deitar, é um dos sintomas mais importantes. Muitos pacientes também passam a acordar durante a noite com falta de ar, um sinal bastante característico da insuficiência cardíaca”, enumerou.
Segundo o especialista, o calor pode agravar condições já existentes: “Pacientes com hipertensão arterial, diabetes, infarto prévio ou doença coronariana têm maior risco e precisam de acompanhamento mais rigoroso”, alertou.
A combinação entre calor extremo, atividade física intensa e exposição prolongada ao sol cria um cenário de risco que exige medidas preventivas rigorosas. Em jogos de alto nível como Brasil e Noruega, a preparação fora de campo pode ser tão decisiva quanto o desempenho dentro dele.


















