
Fábia OliveiraColunas

Atriz de filme da Globo vai para a UTI após complicações ginecológicas. Vídeo
Raiza Noah, destaque em produção exibida no Cine BBB, revelou batalha silenciosa contra miomas e fez alerta para saúde da mulher
atualizado
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A atriz capixaba Raiza Noah, que integra o elenco do telefilme É Quase Verdade, produção exibida no Cine BBB, viveu recentemente um dos momentos mais críticos de sua vida.
Na obra, que também será exibida na Tela Quente, ela interpreta Clarice, professora de História e melhor amiga da protagonista, consolidando sua projeção nacional. Fora das telas, no entanto, enfrentava uma realidade bem diferente.
Conhecida pelo humor nas redes sociais, onde soma centenas de milhares de seguidores e milhões de visualizações, a artista contou que precisou interromper a carreira após complicações graves relacionadas a uma doença ginecológica: “Achei que fosse só mais uma dor que a gente aprende a aguentar, mas meu corpo estava pedindo socorro”, relatou ao relembrar o início dos sintomas.
O diagnóstico
Aos 27 anos, Raiza Noah foi diagnosticada com miomatose uterina, após perceber dores menstruais intensas e um fluxo muito acima do habitual. Mesmo com acompanhamento médico, o quadro evoluiu rapidamente, com o surgimento de múltiplos miomas em diferentes regiões do útero, alguns com alto grau de vascularização, o que inicialmente levantou suspeitas mais graves.
Segundo o ginecologista César Patez, quadros como esse exigem atenção imediata: “Miomas são tumores benignos do músculo uterino e não têm relação direta com câncer. No entanto, quando crescem de forma acelerada, causam dor intensa, sangramentos importantes e podem comprometer seriamente a fertilidade. Não existe uma cura definitiva sem cirurgia, mas há controle clínico e cirúrgico eficaz quando o diagnóstico é feito precocemente”, explicou.
Procedimentos
A atriz passou por três procedimentos, incluindo histeroscopias e embolização uterina. Ainda assim, os miomas voltaram a crescer, provocando crises frequentes de dor, hemorragias e episódios de anemia. A situação levou a atriz a sucessivas idas ao hospital e à possibilidade real de perder o útero, o que impactou diretamente seus planos pessoais.
Diante da instabilidade do quadro e das incertezas sobre a fertilidade, aos 32 anos ela optou pelo congelamento de óvulos. O procedimento, porém, desencadeou uma complicação rara, a síndrome de hiperestimulação ovariana grave. Durante o processo, houve acúmulo significativo de líquido no organismo, levando a um quadro de emergência.
Ela ficou cerca de 9 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), precisou drenar quase dois litros de líquido abdominal e ainda desenvolveu um derrame pleural, com comprometimento respiratório. O episódio aconteceu durante o período de festas de fim de ano: “Se eu tivesse demorado mais um dia para procurar ajuda, poderia ter sido muito pior”, contou.
Saúde reprodutiva
O caso da artista também dialoga com um cenário mais amplo sobre saúde reprodutiva. Para o ginecologista Vinícius Araújo, há uma mudança significativa nos padrões de fertilidade nas últimas décadas.
“Os dados são claros em mostrar que a fertilidade vem diminuindo ao longo do tempo. Estilo de vida, fatores ambientais, adiamento da maternidade e doenças como miomas e endometriose impactam diretamente esse cenário”, afirmou.
Hábitos influenciam
Ele reforçou, ainda, que o acompanhamento deve ser individualizado: “Mulheres acima dos 35 anos devem buscar avaliação após seis meses de tentativa para engravidar. Já pacientes com doenças ginecológicas devem investigar antes mesmo de iniciar esse processo. Exames hormonais e avaliação da reserva ovariana são fundamentais”, orientou.
Outro ponto essencial, segundo o especialista, é o estilo de vida. Hábitos como alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle de fatores de risco influenciam diretamente a saúde hormonal e reprodutiva.
Avanços no atendimento
Já o ginecologista Igor Chiminacio destacou avanços no entendimento de doenças como a endometriose, frequentemente associada a quadros semelhantes: “Hoje sabemos que a endometriose tem origem ainda na fase embrionária. Os focos podem permanecer silenciosos por anos e se manifestar ao longo da vida reprodutiva. Compreender esse mecanismo permite tratamentos mais eficazes, com redução de dor e melhora na fertilidade”, esclareceu.
Atualmente em recuperação, Raiza Noah retomou a rotina de forma gradual e segue em acompanhamento médico, incluindo fisioterapia respiratória. Ao compartilhar sua história, ela levantou um alerta importante sobre a normalização da dor feminina: “Sangrar muito e sentir dor não é normal”, desabafou.
O relato da atriz transforma uma experiência pessoal em um chamado coletivo para que mulheres estejam atentas aos sinais do próprio corpo e busquem ajuda especializada o quanto antes.











