
Fábia OliveiraColunas

Ator da Netflix supera depressão, trata ansiedade e celebra nova fase
Phellipe Marques começou a perceber mudanças profundas no seu estado emocional, após passar uma temporada no México gravando uma série
atualizado
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Após viver um dos momentos mais marcantes da carreira ao integrar uma produção internacional da Netflix, o ator Phellipe Marques também enfrentou, longe dos holofotes, um dos períodos mais difíceis de sua vida. Hoje, com dois novos projetos prestes a estrear e uma fase pessoal mais equilibrada, ele transforma a própria trajetória em exemplo de superação.
Logo depois de retornar do México, onde gravou a série internacional Man on Fire, que estreia no próximo dia 30 em lançamento global, o ator começou a perceber mudanças profundas no seu estado emocional.
Sofrimento
O que deveria ser apenas a celebração de uma conquista acabou dando lugar a um sofrimento silencioso, desencadeado por uma acusação injusta vivida anos antes no ambiente profissional.
“Quando a euforia passou, comecei a perceber que algo dentro de mim não estava bem. Aquilo começou a crescer de uma forma muito intensa, me afetando emocionalmente de um jeito que eu não conseguia controlar”, relembrou ele.
Sinais
Com o passar do tempo, os impactos foram se tornando mais evidentes. Tristeza constante, isolamento, perda de interesse por atividades cotidianas e episódios frequentes de choro passaram a fazer parte da rotina: “Eu só queria ficar deitado, dormindo, tentando desligar a mente. Era uma forma de fugir de tudo aquilo que estava me consumindo por dentro”, contou.
A situação o levou a buscar ajuda profissional no início de 2025, quando recebeu o diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada, associado a um quadro depressivo.
Para o ator, o diagnóstico não foi uma surpresa, mas sim uma confirmação: “Eu sempre fui uma pessoa leve, alegre. Perceber o quanto eu tinha mudado foi muito doloroso. O diagnóstico veio como a certeza de que eu precisava cuidar de mim”, afirmou.
Estopim da crise
O processo que desencadeou o adoecimento ator se deu após ele ser acusado de importunação sexual por uma colega de trabalho. O caso já foi concluído, tanto na esfera administrativa quanto judicial, sendo arquivado por falta de provas e inconsistências no relato da acusação. A decisão trouxe alívio, mas não apagou os impactos emocionais deixados pela experiência.
“É muito difícil lidar com a sensação de injustiça. Isso mexe com a sua estrutura, com a forma como você se vê e como você enxerga o mundo. A injustiça adoece”, desabafou.
Acompanhamento médico
Durante o tratamento, ele passou a adotar estratégias para preservar a saúde mental, como estabelecer limites e reorganizar pensamentos: “Hoje, tento focar no que consegui construir apesar de tudo. Isso faz muita diferença para não deixar que a dor apague o que ainda existe de positivo”, disse.
Apesar dos desafios, Phellipe Marques vive agora um momento de reconstrução. Além de Man on Fire, ele também integra o elenco de uma nova série nacional da Netflix, dirigida por Mauro Mendonça Filho, ainda sem título divulgado. Na produção, interpreta um policial civil em uma trama marcada por conflitos intensos e reviravoltas.
Conquistas pessoais
Fora das telas, a vida também ganha novos contornos. O artista comemora conquistas pessoais, como a compra de um novo apartamento no Rio de Janeiro e o fortalecimento dos laços familiares: “Hoje, o que eu mais busco é paz. Minha família está bem, meu filho está saudável, e eu estou conseguindo olhar para o futuro com esperança”, declarou.
Ao compartilhar sua história, ele reforça a importância de falar sobre saúde mental, especialmente entre homens: “Existe muito preconceito e muita desinformação. As pessoas acham que precisam ser fortes o tempo todo, mas reconhecer que não está bem é um ato de coragem. Quando a gente fala, abre espaço para que outros também falem”, apontou.
A experiência
Mais do que relembrar um período difícil, Phellipe Marques prefere destacar o que veio depois dele. Para ele, seguir em frente é um exercício diário, mas também uma escolha.
“Talvez eu não seja mais a mesma pessoa de antes, e tudo bem. Eu aprendi que é possível reconstruir, encontrar novos caminhos e seguir com mais consciência. A vida não se resume ao que aconteceu comigo. Ela continua, e eu escolho continuar também”, concluiu.













