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Fábia Oliveira

Após vencer ação, jornalista acusa Milton Neves de perseguição

Jornalista que venceu ação trabalhista afirma sofrer perseguição e fala pela primeira vez sobre o caso à coluna Fábia Oliveira

23/06/2026 17:22
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Foto cedida por Roberto Pereira Gozzi
Foto colorida de Milton Neves e Roberto Pereira Gozzi - Metrópoles

A coluna Fábia Oliveira descobriu que uma empresa ligada ao apresentador Milton Neves sofreu uma derrota definitiva na Justiça do Trabalho após ser processada por um ex-funcionário. A ação foi movida pelo jornalista Roberto Pereira Gozzi, que trabalhou como redator na MN Terceiro Tempo Rádio e Publicidade LTDA.

No processo, Roberto afirmou ter prestado serviços à empresa entre 2013 e 2017. Segundo ele, passou cerca de dois anos trabalhando sem registro em carteira e, posteriormente, teria sido enquadrado em uma função diferente da que efetivamente exercia. O profissional também alegou jornadas excessivas, horas extras não pagas e diferenças salariais.

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Milton Neves fala no microfone da Rádio Bandeirantes
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Reprodução/Instagram Milton Neves

A Justiça reconheceu a existência de vínculo empregatício entre 2013 e 2015 e entendeu que as normas aplicáveis ao caso eram as do sindicato dos jornalistas. A sentença determinou o pagamento de horas extras, diferenças salariais, verbas reflexas, recolhimentos de FGTS e multas trabalhistas.

Por outro lado, a Justiça não acolheu o pedido de indenização por assédio moral, entendendo que não havia provas suficientes para caracterizar a prática. A decisão transitou em julgado, ou seja, tornou-se definitiva após recursos rejeitados. Segundo fontes da coluna, o valor final da condenação teria alcançado quase R$ 190 mil.

“Ganhei de forma bem tranquila”

Procurado pela coluna Fábia Oliveira, Roberto falou pela primeira vez sobre o caso e afirmou que tentou resolver a situação antes de recorrer à Justiça. “Eu tentei fazer um acordo com ele, não deu certo e eu o processei de forma trabalhista. Ganhei esse processo… ganhei de forma bem tranquila, porque consegui provar tudo”, declarou.

O jornalista também contou que trabalhou simultaneamente em outras atividades ligadas ao esporte e relembrou um episódio que teria marcado o início do desgaste na relação profissional.

“Eu fui convidado pra apresentar um programa esportivo na TV Mais ABC. Em determinado momento, conseguimos uma entrevista com o Fábio Carille, que o Milton estava tentando levar para outro programa. Ele ficou muito bravo comigo. Expliquei que eu não tinha nada a ver com isso, mas ele começou a pegar no meu pé”, afirmou.

Segundo Roberto, pouco depois desse episódio ele foi desligado da empresa.

Acusações de irregularidades

Durante a conversa com a coluna, o jornalista voltou a criticar práticas adotadas pela empresa durante o período em que trabalhou no local.

“Tinha muita coisa errada lá. Pra começar, ele registrava os jornalistas dele como redator publicitário pra pagar menos. A gente fazia plantões de 48 horas de final de semana e ele nunca pagou. Tinha muita, muita coisa errada mesmo”, alegou.

Ele também relembrou problemas de saúde que afirma ter enfrentado durante a cobertura da Copa do Mundo de 2014.

“Eu trabalhei praticamente dois anos sem nenhum tipo de registro. Durante a Copa de 2014, tive uma convulsão por estresse de tanto trabalhar. Todos os meus colegas tinham plano de saúde e eu não tinha. Era o único sem registro, sem contrato, sem nada”, disse.

Novo processo e alegação de perseguição

Apesar da vitória trabalhista, Roberto afirma que a disputa judicial não terminou ali. Segundo ele, após o encerramento do primeiro processo, passou a enfrentar novas ações judiciais.

“Ele me processou dizendo que eu ganhei dinheiro ilegalmente com a empresa dele. Eu ganhei esse processo também porque foi bem simples provar que ele estava mentindo”, afirmou.

O jornalista relata ainda que, após se mudar para Minas Gerais, foi surpreendido por outra ação. “Eu não fiquei sabendo desse processo. Não morava mais em São Paulo, não fui notificado. O processo correu e eu fui condenado sem direito de defesa. Eu realmente não fiquei sabendo”, declarou.

Roberto também afirma que vem enfrentando dificuldades para retornar ao mercado esportivo.

“Além dele ter me prejudicado dessa forma processual, teve também a perseguição profissional. Eu já deixei de entrar em dois veículos de comunicação por interferência dele. Fiquei sabendo disso por colegas da área. Eu tô cansado dessa perseguição”, desabafou.

“Resolvi falar”

Segundo o jornalista, a decisão de tornar pública sua versão dos fatos aconteceu após o bloqueio de valores que ele esperava receber da condenação trabalhista.

“Com esse segundo processo, ele bloqueou os valores da ação trabalhista que eu tinha pra receber. Hoje eu tenho dois filhos, esse dinheiro ele está tirando dos meus filhos. Eu quero voltar a trabalhar no jornalismo esportivo, que é o que eu gosto e sei fazer. Estou cansado dessa situação”, afirmou.

Roberto também contou que, mesmo após deixar a empresa, chegou a alertar Milton Neves sobre suspeitas envolvendo um funcionário.

“Todo mundo sabia que tinha alguma coisa errada e ninguém tinha coragem de falar. Eu avisei ele. Falei para investigar determinado funcionário porque tinha algo estranho acontecendo. Depois ele descobriu. Mesmo assim, a perseguição continuou”, declarou.

A coluna Fábia Oliveira procurou Milton Neves para comentar as declarações e o caso, mas o jornalista não respondeu as mensagens até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

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