
Fábia OliveiraColunas

Analu Pimenta mostra a força da mulher ao viver Tina Turner em musical
A atriz e cantora Analu Pimenta interpreta a diva da música internacional no espetáculo Tina: Tina Turner O Musical, em cartaz em São Paulo
atualizado
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Quem assistiu ao sucesso Guerreiras do K-Pop, animação da Netflix vencedora do Oscar, já está familiarizado com a voz da atriz Analu Pimenta. Ela emprestou sua voz à personagem Rumi na versão brasileira do filme. Agora, ela está em cartaz no teatro dando vida à uma diva da vida real: a cantora norte-americana Tina Turner.
Preparação intensa
Analu Pimenta é a estrela do espetáculo Tina: Tina Turner O Musical, em cartaz até o dia 3 de maio no Teatro Santander, em São Paulo. A artista conversou com a coluna Fabia Oliveira sobre a importância e os desafios de representar uma figura tão importante para a música.
“Eu tive que fazer uma preparação de resistência vocal, resistência física e preparação cênica”, contou a atriz e cantora. “Ela foi a maior performer de rock da história, uma mulher preta, ela é a revolução em pessoa. Se não existisse Tina Turner, talvez não existisse Beyoncé, talvez não existissem tantas outras”, afirmou Analu.
Além do sucesso de Tina Turner na música, o musical também promete colocar o dedo na ferida e mostrar a relação conflituosa da artista com o marido, Ike Turner, na qual foi vítima de vários abusos. “A gente precisa mostrar e falar sobre esses assuntos para que as pessoas enxerguem essas realidades”.
A artista é figura conhecida no teatro musical brasileiro e coleciona passagens por produções de sucesso como como Shrek – O Musical, A Cor Púrpura, Vozes Negras e Tom Jobim – O Musical. Em 2023, protagonizou Bob Esponja – O Musical como Sandy Bochechas e esteve no elenco de A Noviça Rebelde como Madre Superiora.
No novo espetáculo, Analu tem um objetivo muito claro: “Queremos que o espectador feche os olhos e sinta que está em um show da própria Tina”, completou.
Confira o bate-papo completo:
– Como é viver uma diva da música internacional como a Tina Turner? Fez algum tipo de preparação especial?
Nossa, é um trabalho muito difícil viver a Tina Turner. Tem coisas muito específicas, né? O jeito de cantar, o jeito de dançar, uma história de vida muito difícil. Então, sim, eu tive que fazer uma preparação de resistência vocal, resistência física, preparação cênica, para além dos nossos ensaios de dois meses até a peça ficar pronta.
– Em filmes e outras produções biográficas, normalmente os momentos complicados são suavizados. Qual a importância de falar também das dificuldades enfrentadas na carreira e na vida pessoal?
No nosso espetáculo, a gente aborda com muita verdade os momentos de violência e dificuldade, assim, os temas que precisam ser ditos e eu acho que é muito importante que principalmente no momento que a gente está vivendo, de tanta violência doméstica, de feminicídio em alta, é que a gente realmente bote o dedo na ferida porque a gente precisa mostrar e falar sobre esses assuntos para que as pessoas enxerguem essas realidades.
Nesse caso da história da Tina, é uma realidade que ela conseguiu sair, então uma história de vitória, então é bom que a gente mostre tudo que ela passou e que a gente também mostre a possibilidade de saída.
– Na sua visão, qual a importância de Tina Turner para a música mundial e, mais pessoalmente, na sua vida? Qual ponto novo da história dela o espetáculo te apresentou?
Eu acho a Tina muito relevante para a história da música, porque primeiro que ela foi a maior performer rock da história, uma mulher preta, ela é a revolução em pessoa. Então ela fez um caminho que ninguém trilhou antes. Se não existisse Tina Turner, talvez não existisse Beyoncé, talvez não existissem tantas outras.
Tem tantos pontos da história dela no musical que me surpreenderam, porque eu conhecia a história, mas acho que como a maioria do público conhece a história superficialmente, né? Mas saber que tudo isso, que a vida dela teve essa reviravolta, essa volta para o estrelato depois dos 40 anos é muito representativo para uma artista que, no meu caso acabei de completar 39 e tô na minha primeira protagonista. É de uma representatividade absurda.
– Você já passou por vários musicais. Como a música entrou na sua vida?
Bom, a música entrou na minha vida muito pequena. A minha mãe era pianista, trabalhava no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, dava aula de canto de piano. Logo depois que eu fui crescendo, fiz parte do coral da escola, depois cantei na igreja, depois participei de um grupo de garçons que cantavam, até começar a fazer teatro e entrar para o teatro musical. Eu cantei em muitas bandas, então a música sempre esteve presente na minha vida.
– Entre tantos personagens, tem algum que você sonha interpretar?
Olha, eu amaria fazer a Nala do Rei Leão, a Elphaba do Wicked, mas eu sonho com personagens que tenham realmente histórias relevantes e que representem pessoas, né? Que as pessoas saiam se sentindo transformadas pessoalmente do teatro.














