
Fábia OliveiraColunas

Ana Paula Renault e Boo: diferentes caminhos do congelamento de óvulos
Especialista em reprodução humana fala sobre a decisão das mulheres, inclusive as famosas, e faz alerta sobre o que o procedimento garante
atualizado
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O congelamento de óvulos virou assunto dominante este mês e ganhou força após relatos sinceros de mulheres conhecidas do público, como Boo Unzueta e Ana Paula Renault. O que antes era tratado quase em silêncio agora ganha espaço nas redes sociais, na TV e até em produções internacionais, despertando dúvidas reais em quem acompanha de fora.
Para a ginecologista e especialista em reprodução humana Fabyanne Mazutti, os três casos escancaram uma verdade: não existe fórmula pronta. Segundo ela, o congelamento de óvulos é uma forma de preservar a fertilidade, mas não garante gravidez no futuro.
Em conversa com a coluna, a médica reforçou que o fator tempo ainda é determinante. A qualidade dos óvulos diminui, principalmente após os 35 anos, o que pode impactar diretamente nas chances mais adiante. Por isso, a decisão precisa ser tomada com informação e não por impulso ou pressão externa.
O procedimento
Outro ponto importante é alinhar expectativas. O procedimento é relativamente rápido, com poucos dias de recuperação, mas pode exigir mais de um ciclo para atingir uma quantidade considerada adequada de óvulos. Ainda assim, trata-se de uma possibilidade, não de uma certeza.
No fim das contas, o que essas histórias mostram é que o congelamento de óvulos deixou de ser apenas um tema médico para se tornar também uma pauta emocional, social e profissional. Cada escolha carrega um contexto e, principalmente, consequências.
Informação, planejamento e autoconhecimento seguem sendo os pilares. Porque, congelando ou não, a decisão precisa fazer sentido para quem vai conviver com ela depois.
Exemplo das famosas
A influenciadora Boo Unzueta, de 32 anos, foi uma das que decidiu mostrar tudo, do início ao fim. Ao final do processo, revelou que conseguiu vitrificar 9 óvulos e resumiu a experiência em uma palavra: “Libertadora”. A fala rapidamente repercutiu entre seguidoras que também pensam no futuro, mas ainda têm receio do procedimento.
Nos Estados Unidos, a cantora Lainey Wilson levou o tema para outro nível ao incluí-lo em seu novo documentário na Netflix. No projeto, ela expõe o desejo de ser mãe, mas admite que o momento atual da carreira pede outras prioridades, uma realidade cada vez mais comum.
Já no BBB26, Ana Paula Renault trouxe um ponto de vista diferente e necessário. Aos 44 anos, contou que optou por não congelar os óvulos, mesmo após insistência médica ao longo dos anos. A justificativa foi direta: não queria viver presa à possibilidade do “e se”. O relato dividiu opiniões e humanizou uma escolha que nem sempre é simples.













