Fábia Oliveira

Acusações em realities, como A Fazenda, podem virar processo? Entenda

A advogada Suéllen Paulino esclarece o que a Justiça costuma decidir em casos como o de Rayane Figliuzzi e Saory Cardoso

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
A Fazenda 17: cantor e ex-BBB está no elenco do reality rural - Metrópoles
1 de 1 A Fazenda 17: cantor e ex-BBB está no elenco do reality rural - Metrópoles - Foto: Reprodução

As discussões entre participantes de realities shows não ficam apenas diante das câmeras e muitas vezes continuam nos tribunais. Foi o que aconteceu com Rayane Figliuzzi, ex-participante de A Fazenda 17, que entrou com um processo contra Saory Cardoso após ser chamada de “golpista” e “estelionatária” durante o programa.

O caso das duas peoas reacendeu uma dúvida comum: afirmar que alguém cometeu um crime dentro de um reality pode gerar responsabilização jurídica? De acordo com a advogada criminalista Suéllen Paulino a resposta é sim.

A especialista contou que, no Brasil, declarações que imputam crimes ou atinjam a reputação de alguém podem configurar crimes contra a honra, calúnia, difamação ou injúria, previstos nos artigos 138 a 140 do Código Penal: “Isso vale mesmo quando as falas ocorrem em ambientes de exposição pública, como reality shows e redes sociais”, explicou.


Diferença entre os termos

  • Calúnia: acusar falsamente alguém de cometer um crime.
  • Difamação: afirmar algo que prejudique a reputação, ainda que não seja crime.
  • Injúria: ofender diretamente, com xingamentos ou insultos.

O que pesa nas decisões

Durante uma conversa com a coluna, a advogada esclareceu: “Quando as acusações são feitas diante de milhões de espectadores, como em um reality show, o dano potencial à reputação é ainda maior, e isso costuma pesar nas decisões judiciais”, disse.

Acusações em realities, como A Fazenda, podem virar processo? Entenda - destaque galeria
7 imagens
Rayane Figliuzzi está processando Saory Cardoso após tretas
Saory Cardoso e Rayane Figliuzzi
Saory Cardoso e Rayane Figliuzzi
Rayane Figliuzzi esteve em A Fazenda 17
Rayane Figliuzzi recorreu à Justiça após ser chamada de "mulher de traficante" em A Fazenda 17
Rayane Figliuzzi e Saory Cardoso tiveram muitas tretas no reality rural da Record
1 de 7

Rayane Figliuzzi e Saory Cardoso tiveram muitas tretas no reality rural da Record

Record/Reprodução
Rayane Figliuzzi está processando Saory Cardoso após tretas
2 de 7

Rayane Figliuzzi está processando Saory Cardoso após tretas

Record/Reprodução
Saory Cardoso e Rayane Figliuzzi
3 de 7

Saory Cardoso e Rayane Figliuzzi

Saory Cardoso e Rayane Figliuzzi
4 de 7

Saory Cardoso e Rayane Figliuzzi

Reprodução/Record
Rayane Figliuzzi esteve em A Fazenda 17
5 de 7

Rayane Figliuzzi esteve em A Fazenda 17

Instagram/Reprodução
Rayane Figliuzzi recorreu à Justiça após ser chamada de "mulher de traficante" em A Fazenda 17
6 de 7

Rayane Figliuzzi recorreu à Justiça após ser chamada de "mulher de traficante" em A Fazenda 17

Instagram/Reprodução
Rayane Figliuzzi
7 de 7

Rayane Figliuzzi

Reprodução/Internet.

Rayane Figliuzzi é investigada por estelionato desde 2022 e chegou a ser presa, mas aguarda finalização do processo em liberdade. Uma dúvida recorrente é: se a pessoa está sendo investigada ou responde a um processo criminal, isso autoriza alguém a chamá-la de criminosa?

“O simples fato de alguém responder a um inquérito ou processo não permite que terceiros afirmem publicamente que ela é criminosa, justamente porque não existe condenação. No Brasil, prevalece o princípio da presunção de inocência. Assim, mesmo que uma participante tenha sido acusada ou investigada por estelionato, chamá-la publicamente de ‘estelionatária’ sem decisão judicial definitiva pode gerar responsabilização por calúnia ou difamação. Da mesma forma, expressões como ‘golpista’, ‘bandida’ ou similares, se ditas com intenção de atacar a imagem da pessoa, também podem configurar injúria”, detalhou.


O que os juízes avaliam

  • Existência de prova da imputação: se a acusação for falsa ou não houver elementos públicos que a sustentem, tende a se configurar calúnia ou difamação.
  • Contexto em que a declaração foi feita: realities shows são ambientes de conflito, mas isso não cria imunidade. A Justiça verifica se houve excesso, intenção de ofender ou exposição indevida.
  • Alcance da ofensa: a veiculação nacional e o alto engajamento do público agravam o potencial dano moral.
  • Conduta de ambas as partes: trocas de ofensas podem ser consideradas, mas não excluem automaticamente a responsabilização de quem extrapola os limites legais.
  • Consequências para a vida da vítima: prejuízo à imagem, perda de contratos, danos emocionais e repercussão negativa passam a compor o pedido de indenização.

O caso de Rayane

Ainda no bate-papo com a coluna, Suéllen Paulino comentou: “A Justiça brasileira tem posição firme: entretenimento não justifica violação da honra. Participantes de realities shows são pessoas reais, e respostas judiciais são cada vez mais comuns nesses casos, tanto na esfera penal (queixa-crime) quanto na civil (indenização por danos morais). Embora a exposição intensa favoreça conflitos, o ambiente televisivo não é um território sem lei”, fundamentou.

No caso em questão, a Rayane alegou ter sido publicamente acusada de estelionato, crime grave e que, se afirmado falsamente, pode ferir de forma significativa sua imagem pública:

“A Justiça, nesses casos, tende a analisar os vídeos e o contexto das falas, avaliar se houve imputação de crime de forma categórica, verificar se a acusação tinha base ou foi apenas ofensa, apurar danos à imagem e repercussão pública. Se a acusação não tiver respaldo, é comum que haja indenização por danos morais e, eventualmente, o reconhecimento de crime contra a honra”, observou a criminalistas.

Falas no reality não estão imunes

A especialista também contou que as discussões entre participantes desses programas podem parecer apenas entretenimento para o público, mas não estão imunes às consequências jurídicas.

“Acusações de crime feitas sem base, mesmo em um contexto de competição, podem gerar condenações civis e criminais.E um ponto essencial: ninguém pode ser chamado de criminoso sem condenação.Responder a processo não autoriza ninguém a rotular outra pessoa dessa forma. Realities expõem, mas a lei protege, inclusive de ofensas televisivas”, concluiu.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comFábia Oliveira

Você quer ficar por dentro da coluna Fábia Oliveira e receber notificações em tempo real?