Fábia Oliveira

A mulher por trás da TV: Gardênia Cavalcanti e sua trajetória

Em conversa com a coluna, a apresentadora falou sobre perdas, recomeços, Carnaval e a vida fora das câmeras

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Reprodução/Marcio Rangel.
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1 de 1 a-mulher-por-tras-da-tv-gardenia-cavalcanti-e-sua-trajetoria - Foto: Reprodução/Marcio Rangel.

Orgulhosamente nordestina, Gardênia Cavalcanti construiu uma trajetória marcada por perdas precoces, recomeços e ascensão profissional.

Nascida no sertão de Alagoas, criada entre Paulo Afonso, na Bahia, e Recife, em Pernambuco, ela transformou a própria história em força.

Executiva de grandes marcas no setor da beleza antes de migrar para a comunicação, hoje é um dos rostos mais populares da Band Rio, à frente do programa Vem Com a Gente, além de comandar o Band Verão, projeto exibido nacionalmente.

Musa da Grande Rio há quatro anos, Gardênia também será homenageada como samba-enredo da escola Tradição em 2026 e prepara o lançamento de um livro autobiográfico. Em conversa com a coluna, ela falou sobre superação, identidade nordestina, televisão, Carnaval e fé.

Ao longo da sua trajetória, você passou por perdas e precisou se reconstruir mais de uma vez. Como esses momentos impactaram sua vida pessoal e profissional?

É impossível falar da minha trajetória sem mencionar as perdas que enfrentei muito cedo. Vivi uma grande tragédia familiar: perder meus pais ainda na infância e adolescência, meu irmão, meu primeiro namorado, avó e tios. As primeiras perdas foram no sertão de Alagoas e foi um golpe muito duro.

A responsabilidade da vida adulta chegou antes do previsto e precisei cuidar das minhas irmãs e ajudar minha avó materna, que ficou responsável por nós. Na vida pessoal, isso me fez amadurecer muito rápido e desenvolver uma determinação inabalável e uma independência que carrego até hoje.

Profissionalmente, essa resiliência foi a chave para a minha reconstrução. Antes da televisão, construí uma carreira sólida como executiva na área de cosméticos. A transição para a comunicação foi uma reinvenção possível porque a base da minha vida sempre foi a superação, o amor e a coragem. Costumo dizer que sou especialista em recomeços.

Ter saído do sertão nordestino para se tornar um rosto nacional da TV ainda carrega um peso simbólico para você?

Carrega um peso simbólico imenso. Nasci em Santana do Ipanema, no sertão de Alagoas, e essa origem é a minha essência. Passei boa parte da vida em Paulo Afonso, na Bahia, e depois em Recife, onde comecei minha carreira na televisão. Fui abraçada pelo Rio de Janeiro e estou há sete anos no ar, de segunda a sexta.

A televisão nacional representa a prova de que fé, determinação e trabalho duro podem levar a lugares que parecem inalcançáveis. Tenho muito orgulho das minhas raízes e faço questão de manter essa conexão viva. Não importa quantos frutos eu dê na vida, a minha raiz sempre será a mesma.

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Marcio Rangel.

O Vem Com a Gente e o Band Verão te colocaram em contato direto com o público. O que mais te emociona nessa troca?

O que mais me emociona é a troca genuína e a energia humana. Comunicação, para mim, é gostar de gente, conversar e entender. É ter curiosidade e valorizar o contato com pessoas de todos os estilos, crenças e classes sociais. No Vem Com a Gente e no Band Verão, a interação é intensa, tanto com o público quanto com os artistas e a produção. No Band Verão, especialmente, estar na praia, sentindo a vibração das pessoas, é algo que me alimenta. É a confirmação de que estou no lugar certo, fazendo o que amo.

O Band Verão conecta música, cultura popular e identidade brasileira. Esse projeto representa o quê da Gardênia fora da TV?

Representa a Gardênia mais autêntica. Sou neta de fazendeiro, filha de vaqueiro, cresci em vaquejadas e tenho uma ligação profunda com o agro e com as tradições populares do Nordeste. Perdi tudo muito cedo, mas refiz tudo. Hoje sou dona de haras, amo cavalgadas, sertanejo, forró, samba e sou completamente apaixonada pelo Carnaval do Rio. O Band Verão reflete essa pluralidade e o meu amor pelo Brasil. Celebrar a música e receber artistas de diferentes vertentes é uma forma de mostrar quem eu sou fora das câmeras.

Você desfila há quatro anos na Grande Rio. O que o Carnaval desperta em você além do espetáculo da Avenida?

O Carnaval desperta responsabilidade. Não nasci na comunidade, mas escolhi pertencer, e isso é muito forte. Amo a Grande Rio, o povo de Caxias e a vibração da escola. Mais do que brilhar individualmente, o importante é a escola brilhar, porque existe gente que trabalha o ano inteiro por aquilo. Não sou eu, somos nós. Além disso, o Carnaval me motivou a cuidar ainda mais da saúde e do preparo físico. É o maior teatro a céu aberto do mundo e é nosso!

Neste ano, sua história vira samba-enredo na Tradição. Como foi receber essa notícia?

Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Fiquei profundamente honrada. A Menina do Sertão que Virou Estrela de TV vai além da figura pública. É uma celebração da minha fé, da minha trajetória e da mulher que representa tantas outras que foram julgadas ou desacreditadas.

Sou obstinada, mãe, esposa, empresária e lutei muitos anos para chegar até aqui. Ser enredo é algo que jamais imaginei e confirma que vale a pena ir atrás dos sonhos. Agradeço à presidente Raphaela Nascimento e ao carnavalesco Leandro Vallente por enxergarem essa história. A homenagem celebra não só a minha trajetória, mas a de muitas mulheres que se reinventam diariamente.

Ao decidir transformar sua história em livro, qual foi o ponto de partida dessa narrativa?

O ponto de partida é a superação. O livro não é apenas uma biografia tradicional, mas um relato pensado para inspirar. Falo da menina que perdeu tudo, saiu do sertão e precisou refazer a própria vida. Conto a ascensão no mercado de trabalho, da carreira executiva à televisão, e as experiências que me moldaram. É um encontro com o passado, não para esquecê-lo, mas para mostrar que aprendi, cresci e venci. De um chão árido nasceu uma flor, regada pela fé. Quando acreditamos, com coragem e determinação, Deus pode fazer infinitamente mais do que sonhamos ou cremos.

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