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Ford Fusion Hybrid: consumo em baixa, tecnologia e conforto em alta
Sedã conta com motor elétrico e outro a combustão que permitem rodar incríveis 16,7 km na cidade com apenas um litro de gasolina
atualizado
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“Já está ligado, tio?”, pergunta meu sobrinho, Vinícius, de apenas 12 anos, após eu acionar o botão Start e dar partida no Fusion Hybrid 2017. Para seu espanto, nenhum barulho é ouvido. Ao responder que sim, ele emenda com outro questionamento. “Uai, e por que não faz barulho?”. A dúvida tem fundamento. O ronco do motor a combustão alimentou, durante décadas, o imaginário de gerações e ajudou a nutrir paixões pelos mais diferentes veículos ao redor do mundo. No entanto, com a chegada dos motores elétricos, o tradicional som alto do funcionamento de pistões e velas tenderá ser cada vez menor. E que me perdoem os amantes do “vrum, vrum, vrum”, mas isso é ótimo.

E o sedã da Ford é a prova disso. Ele traz um sistema híbrido baseado na integração de um motor elétrico — que otimiza o uso de combustível e faz um bem danado ao meio ambiente — com um a quatro tempos, capaz de entregar potência quando o motorista precisa. A fórmula da montadora norte-americana, que está disponível no mercado desde 2010, permite rodar mais quilômetros com menos gasolina. Nada mal, visto os recentes aumentos no preço do combustível. Tudo isso, sem deixar de abrir mão do conforto e da tecnologia do luxuoso modelo.
Ao ligar o carro e começar a andar o único barulho que se escuta é o do ar condicionado e dos pneus em contato com o asfalto. Essa tocada silenciosa continua até que uma ultrapassagem ou retomada apareça pelo caminho. É quando um fôlego extra de torque é exigido e o motor 2.0 a combustão Atkinson passa a atuar junto com o “colega elétrico”, entregando até 190 cavalos de força. O gerenciamento desses dois “pulmões” é feito por meio de uma transmissão automática do tipo continuamente variável (e-CVT), que funciona de forma bastante suave e sem qualquer solavanco.

Sobrenome: economia
Você que é entusiasta de carros “nervosos” pode até se questionar sobre a potência da versão híbrida. Com razão. Os 190 cavalos não fazem frente aos 248 cavalos do modelo EcoBoost (SEL e Titanium) e isso pode ser comprovado nos testes realizados pelo Metrópoles. O motor parece não abusar do conta-giros, preferindo trabalhar sempre em baixas rotações. Arrancadas e retomadas não respondem tão rapidamente à pisada no acelerador (precisa de 10,2 segundos para ir de 0 a 100 km/h), porém com o veículo em movimento ele mostra disposição e fôlego para enfrentar a cidade e estradas.
No entanto, a recompensa vem no consumo de combustível. Nas vias de Brasília que misturam trechos de alta velocidade com congestionamentos pontuais, o veículo bebeu apenas 16,7 km/l — muito bom se comparado aos 7,8 km/l do irmão mais potente. Na estrada, durante uma viagem de 140 km, o consumo subiu um pouco devido ao uso constante do modo combustão, cravando 16 km/l.
As baterias, que são instaladas no porta malas, ocupando uma boa parte do compartimento de 392 litros, são auto recarregáveis por meio de um sistema conhecido como freio regenerativo, que distribui cargas sempre que o motorista tira o pé do acelerador. O Fusion Hybrid também conta com um modo que permite “memorizar” em poucas semanas os caminhos mais frequentes realizados pelo motorista, fazendo com que a inteligência do carro adapte o regime de funcionamento do motor para poupar combustível.
Segurança avançada
Quando o assunto é segurança o sedã da Ford mostra atributos de primeiro mundo. Para começar, ele conta com oito airbags e cintos de segurança no banco de trás que inflam em caso de batida. Além disso, oferece uma série de tecnologias semiautônomas que elevam a patamares altíssimos o quesito proteção. O alerta de colisão informa o motorista, por meio de LED projetado no para-brisa e de um aviso sonoro, quando há risco de colisão frontal e pré-carrega os freios, permitindo uma resposta rápida, se necessário. Também vem com sistema de permanência na faixa e alerta de ponto cego no retrovisor. Ademais, conta com detecção de pedestre e piloto automático adaptativo com Stop & Go, que ajusta automaticamente a velocidade para manter sempre uma distância segura para o carro da frente.
O veículo ainda vem com o megatecnológico recurso de estacionamento automático. É muito legal ver o sedã manobrando sozinho na vaga sem qualquer intervenção humana. O sistema funciona bem quando as faixas estão bem pintadas e os sensores conseguem ler e calcular os parâmetros do trajeto a ser realizado.
Por dentro, o Fusion é puro conforto. Os bancos, equipados com ar condicionado, são aconchegantes e abraçam bem os ocupantes. O quadro de instrumentos contam com dois displays digitais configuráveis que informam quanto o carro está economizando em tempo real. O painel tem bom acabamento e o destaque do console central é a manopla de câmbio rotatória que, acompanhada do botão de break hold, abrem espaço para porta-trecos e um espaçoso descanso de braço.
Interior silencioso
Falando em espaço, o vantajoso entre-eixos de 2,85 metros permite que três pessoas viajem sem aperto no banco traseiro. O isolamento acústico é excelente, muito por conta dos vidros duplos soundscreen que ajuda a reduzir os ruídos externos e mantém o silêncio dentro do habitáculo.
A central multimídia tem tela de oito polegadas e sistema Sync3, que controla, de modo bastante intuitivo, as funções de entretenimento, climatização, telefone e sincronização de tela por meio do Apple CarPlay e Android Auto. Durante a avaliação, o espelhamento foi feito com o sistema móvel da Apple e se mostrou bastante limitado. Apesar da interface já conhecida do iPhone facilitar a navegação, ainda há poucos aplicativos disponíveis para interagir diretamente com o sistema de qualquer carro — vale ressaltar que esse não é um problema da Ford, mas sim da plataforma da Apple. Ferramentas como Mapas, Waze ou WhatsApp não podem ser reproduzidos no multimídia, perdendo muito do potencial da CarPlay.
O Sync3 conta com um navegador GPS próprio com mapas em português. Porém, além de ter um teclado em sequência alfabética (em vez do tradicional QWERTY), que dificulta a digitação, a ferramenta não conseguiu encontrar pontos de interesses conhecidos na cidade e se mostrou desatualizado, sinalizando trajetos com vias na contramão.
Apesar desses pequenos deslizes, a Ford cumpre o prometido e entrega um veículo acima da média, recheado de tecnologias e inovações que sinalizam para onde a indústria automobilística deve mirar nos próximos anos: conectividade, economia e segurança. Tudo isso, é claro, tem um preço. No caso do Fusion Hybrid, R$ 163.700.
- Titanium Hybrid 2.0L
Potência: 143 cv a 6000 rpm (gasolina)
Torque: 175 Nm a 4000 rpm (gasolina)
Potência combinada 190cv
Transmissão automática e-CVT
Suspensão dianteira independente do tipo MacPherson
Traseira Independente do tipo ControLink
Freios a disco nas 4 rodas com ABS com EBD, EBA
Dimensões: 1.480mm (altura), 2.121mm (largura), 2.850mm (entre-eixos), 4.871mm (comprimento)
Porta-malas: 392 litros
Peso em ordem de marcha: 1.670 kg
Tanque de combustível: 53 litros















