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Rara onça-pintada-das-nuvens reaparece após uma década; veja
Registro raro de jaguar em alta altitude celebra o sucesso de corredores ecológicos e esforços de conservação na América Central
atualizado
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O silêncio das florestas nebulosas da Sierra del Merendón, em Honduras, foi interrompido por um clique histórico. Em 6 de fevereiro, uma armadilha fotográfica capturou a imagem de um macho de onça-pintada (Panthera onca) em perfeitas condições de saúde. O detalhe que torna o registro extraordinário? A altitude de 2.200 metros, em uma região onde o felino não era avistado desde 2016.
Apelidada carinhosamente de “onça-pintada-das-nuvens” devido ao habitat místico e elevado, o animal não pertence a uma nova espécie, mas representa um símbolo de resistência. A maioria desses felinos vive abaixo dos mil metros, o que torna a presença deste indivíduo no ponto mais alto do país um indicativo valioso de que os corredores de vida selvagem estão funcionando.
Estratégia de fronteiras abertas
O reaparecimento é fruto de um trabalho intensivo da organização Panthera e de parceiros como a Wildlife Without Borders. Entre as táticas que permitiram este “retorno”, estão:
- Reintrodução de presas: estímulo à fauna local, como iguanas e catetos, para garantir alimento.
- Combate à caça: patrulhas constantes de guardas florestais para proteção do ecossistema.
- Corredores ecológicos: a integração com projetos internacionais, como o Jaguar Rivers — que conecta habitats do México à Argentina —, permite que os felinos se desloquem com segurança para buscar parceiros e manter a diversidade genética.
Um respiro em meio ao desmatamento
A notícia traz esperança para um país que luta contra o tempo.
Honduras enfrentou a perda de 19% de sua cobertura florestal entre 2001 e 2024. Em resposta, o governo declarou estado de emergência ambiental, com a meta ambiciosa de zerar o desmatamento até 2029 e restaurar 1,3 milhão de hectares de mata.
Para os biólogos da Panthera, organização de conservação de grandes felinos, a onça-das-nuvens é uma “espécie-chave”, e sua presença no topo da serra indica que a floresta está recuperando sua funcionalidade. Este registro não é apenas uma foto rara, mas o reflexo do Plano de Conservação 2030, reafirmando o compromisso de 16 países em proteger o maior felino das Américas.
“Este pode ser o primeiro de muitos registros a celebrar”, afirmam os pesquisadores, entusiasmados com a eficácia do monitoramento de alta tecnologia na região.
