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Páscoa consciente: por que coelhos não devem ser dados como presente. Veja vídeo
Sensíveis e com necessidades complexas, os coelhos comprados por impulso lideram estatísticas de abandono após o período festivo
atualizado
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A imagem do coelho como símbolo da Páscoa costuma impulsionar a compra desses animais como presentes, especialmente para crianças. No entanto, o que parece um gesto afetivo pode se tornar um problema de bem-estar animal e frustração familiar. Segundo especialistas, a falta de planejamento para receber um animal que pode viver por mais de uma década é o principal fator para o aumento de abandonos semanas após o feriado. Diferente do que prega o senso comum, coelhos exigem manejo técnico, espaço adequado e cuidados veterinários especializados.
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Entenda
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Manejo e comportamento: coelhos são animais de presa, naturalmente sensíveis a barulhos e manipulação brusca, o que pode gerar estresse severo.
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Dieta específica: ao contrário do mito da cenoura, a base alimentar obrigatória é o feno, essencial para o desgaste dos dentes e saúde digestiva.
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Espaço e segurança: não são animais para viver em gaiolas; precisam circular, mas roem fios e móveis, exigindo a adaptação do ambiente doméstico.
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Saúde especializada: exigem acompanhamento com veterinários de animais não convencionais para prevenir problemas dentários e gastrointestinais.

De acordo com o veterinário Rodrigo Krhom, a chegada de um coelho por impulso impede que a família se prepare para a rotina estruturada que a espécie exige.
“O coelho é um animal sensível. Quando ele chega como presente, geralmente a família não teve tempo de se preparar. Eles roem móveis e fios, precisam de um ambiente seguro e, em casas com crianças, a manipulação sem orientação pode assustar o animal e causar acidentes”, explica.
Essa falta de preparo reflete diretamente na saúde do pet. Um dos mitos mais prejudiciais é a crença de que são animais de “baixa manutenção”. Na prática, o feno deve estar disponível 24 horas por dia, complementado por folhas seguras e ração específica. Além disso, o acompanhamento médico é indispensável, já que alterações dentárias são silenciosas e comuns.
O ciclo do abandono pós-Páscoa
A realidade após o domingo de Páscoa costuma ser cruel para a espécie. Assim que o simbolismo da data termina e os desafios logísticos — como a necessidade de enriquecimento ambiental e a limpeza — aparecem, animais acabam isolados em quintais, doados ou abandonados.
“Infelizmente, isso acontece com frequência. Muitas famílias percebem que não estavam prontas para os cuidados diários e a responsabilidade de um animal que vive vários anos”, alerta o veterinário.

Posse responsável
Para quem deseja ter um coelho, a orientação é clara: a decisão deve ser tomada com base em informações técnicas, e não no calendário festivo. Antes de adotar ou comprar, é preciso avaliar se há orçamento para veterinários especializados e se a dinâmica da casa permite um animal que demanda interação e que preza pelo seu espaço.
“Quando a escolha é consciente e a família entende a alimentação e o espaço necessários, o coelho se torna um companheiro extremamente afetuoso e traz uma convivência muito especial”, prossegue Rodrigo Krhom. O caminho ideal, segundo o especialista, é sempre buscar a adoção responsável e o conhecimento prévio antes de introduzir o novo membro à família.
