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É o bicho!

Entenda o papel do saruê nas cidades e como agir ao encontrá-lo

Presença do saruê indica equilíbrio ambiental e controle natural de pragas nas áreas urbanas

05/08/2026 02:00
Getty Imagens
Imagem colorida

Ver o saruê com frequência na cidade é um sinal de que a natureza continua viva e interligada entre os bairros. Também conhecido como gambá-de-orelha-branca ou timbu, esse marsupial atua no controle populacional de insetos, escorpiões, baratas, roedores e serpentes, além de dispersar sementes.

Para orientar os moradores sobre a convivência segura, o veterinário João Paulo Lacerda explica como reagir ao encontrar o animal e como prevenir incidentes.

Entenda

  • O saruê atua no controle natural de escorpiões, baratas e cobras, além de dispersar sementes de frutas.
  • Recolher rações, limpar frutas do chão, fechar o lixo e vedar aberturas no telhado evitam o surgimento do animal.
  • Ao encontrar o bicho, mantenha distância, afaste os pets e deixe uma passagem aberta para que ele vá embora sozinho à noite.
  • O maior risco de doenças ou ferimentos ocorre em brigas; por isso, cães e gatos devem dormir recolhidos.
imagem colorida de várias frutas frescas
Lixo exposto, ração de pets e frutas no chão atraem o saruê, animal que ajuda no controle natural de baratas, escorpiões e cobras

O papel ecológico e os atrativos do saruê nas residências

A presença do bichinho nos quintais representa um benefício ambiental direto para as cidades. Por alimentar-se de frutos, insetos e pequenos animais transmissores de doenças, a espécie auxilia no equilíbrio das pragas urbanas.

O animal é atraído para as residências pela facilidade em encontrar abrigo e alimento. Lixo exposto, ração de cães e gatos, frutas caídas no chão, galinheiros e pontos de água são os principais fatores que atraem a espécie.

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Aberturas em telhados e forros também facilitam a entrada do bicho. O especialista reforça a utilidade da espécie ao explicar que o animal “controla populações de insetos, escorpiões, baratas, pequenos roedores e serpentes, além de consumir frutos e espalhar sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação”.

Saruê
Ao avistar um saruê no quintal, o morador deve manter a calma, afastar cães e gatos e deixar caminhos abertos para o bicho ir embora sozinho

O que fazer ao encontrar o saruê e como proteger os pets

Ao dar de cara com um saruê no quintal ou dentro de casa, a primeira recomendação é manter a calma e não tentar encurralar o mamífero. O procedimento correto é afastar crianças e animais domésticos, deixando rotas de fuga abertas para que ele saia sozinho durante a noite.

A interação direta traz riscos de mordidas e transmissão de agentes infecciosos, embora o perigo seja baixo quando o bicho não é manipulado. O maior risco de acidentes ocorre em confrontos com cães e gatos, exigindo que os pets fiquem recolhidos no período noturno.

Erros comuns como tentar pegar o bicho com as mãos, soltar cães ou usar veneno devem ser evitados. Caso se sinta ameaçada, a fêmea pode rosnar, abrir a boca ou fingir-se de morta, sendo prudente “manter a calma e não tentar capturar ou encurralar o animal”.

Foto colorida de saruê
O saruê é protegido por lei e agredi-lo é crime ambiental

Quando acionar o resgate e o que diz a lei sobre o saruê

Se o mamífero estiver ferido, preso em telhados, com sinais de doenças ou gerando riscos, a população não deve intervir por conta própria. Nesses casos específicos, órgãos como a Polícia Ambiental, o Corpo de Bombeiros ou o Ibama devem ser acionados.

A legislação brasileira protege rigorosamente o mamífero silvestre. Agredir, perseguir, ferir, capturar ou envenenar o bicho é considerado crime ambiental previsto na Lei de Crimes Ambientais, sujeito a detenção e aplicação de multas.

Em casos em que filhotes órfãos são encontrados após a morte da mãe, eles devem ser recolhidos com luvas ou pano limpo e mantidos aquecidos em caixa de papelão, sem oferta de leite de vaca ou água. 

O profissional orienta que o mais importante é encaminhá-los o mais rápido possível aos órgãos ambientais ou a um centro especializado em reabilitação de fauna silvestre.