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Elefanta que viralizou após ser pintada de rosa morre na Índia
Morte da elefanta Chanchal, de 70 anos, reacende debate sobre ética e maus-tratos a animais em atividades artísticas e comerciais
atualizado
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A morte de uma elefanta de 70 anos, que viralizou nas redes sociais após ser pintada de rosa para um ensaio fotográfico, gerou uma onda de indignação e cobranças por leis mais rígidas de proteção animal na Índia. Chanchal vivia em uma comunidade mantida pelo governo em Jaipur e foi utilizada em uma sessão de fotos pela fotografa e influenciadora russa Julia Buruleva em dezembro.
Embora autoridades locais apontem causas naturais devido à idade avançada, entidades de defesa dos direitos animais aproveitam o caso para denunciar as condições precárias do cativeiro no país.
Entenda
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O ensaio polêmico: a elefanta foi coberta com gulal (pó colorido tradicional do festival Holi) para fotos estéticas em um templo abandonado, gerando críticas imediatas sobre a exploração animal.
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Causa da morte: apesar da coincidência temporal, especialistas e tratadores afirmam que a morte de Chanchal, ocorrida no mês passado, deve-se à sua senilidade e não há provas de ligação direta com a tinta.
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Histórico do tutor: organizações como a PETA revelaram que o responsável pelo animal já esteve envolvido em casos anteriores de maus-tratos, incluindo o espancamento de outros elefantes.
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Pressão por mudanças: o caso impulsionou uma campanha global para que o governo indiano proíba o uso de elefantes em passeios, casamentos e sessões de fotos, citando sofrimento físico e mental.
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A confirmação da morte foi feita por Ballu Khan, presidente do comitê de Hathi Gaon (a “Vila dos Elefantes”), onde Chanchal residia. O assentamento, localizado próximo ao Forte Amber, é um destino conhecido para turistas que buscam interação com os paquidermes.
Segundo Khan, a tinta rosa aplicada em Chanchal foi removida 30 minutos após o ensaio, e o animal não teria apresentado reações adversas imediatas ao produto.
Entretanto, para a organização PETA, a questão vai além da toxicidade da tinta. A entidade argumenta que o tratamento rotineiro dispensado a esses animais na Índia é a verdadeira causa de mortes prematuras ou sofrimento extremo.
“Elefantes usados em apresentações são mantidos acorrentados e controlados por meio de armas”, explicou Khushboo Gupta, porta-voz da organização, ao jornal The Star.

Diante da repercussão negativa, Julia Buruleva usou suas redes sociais para se defender. Ela classificou as acusações como “desinformação” e reforçou que a sessão de fotos aconteceu mais de quatro meses antes do falecimento da elefanta, pedindo que o público verifique fontes antes de compartilhar informações.

O debate sobre o cativeiro
Especialistas em bem-estar animal destacam que elefantes em cativeiro frequentemente sofrem de problemas crônicos de saúde. A exposição constante ao concreto em eventos e passeios causa doenças dolorosas nas patas, enquanto o isolamento social e o confinamento resultam em sinais de deterioração mental, como movimentos estereotipados de balanço da cabeça.

A repercussão do caso de Chanchal intensificou o escrutínio sobre o uso de animais para fins comerciais e artísticos. Enquanto as fotos de Julia Buruleva dividiram opiniões entre o apelo estético e a crueldade, a morte da elefanta serviu como catalisador para que ativistas exijam diretrizes mais claras e uma fiscalização rigorosa sobre os proprietários de elefantes no Rajastão, visando o fim da exploração em atividades de entretenimento.
