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Convulsões em gatos: causas, riscos e como agir diante da crise

Episódios neurológicos em gatos exigem atenção e atendimento rápido para evitar complicações graves

atualizado

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Gato bocejando
1 de 1 Gato bocejando - Foto: Paul Biris/Getty Images

Uma cena assustadora para qualquer tutor: o gato cai, perde o controle do corpo e começa a se debater. As convulsões felinas exigem atenção imediata e podem ter diferentes origens, desde intoxicações domésticas até doenças neurológicas graves.

Em entrevista ao Metrópoles, o veterinário João Paulo Lacerda explica o que pode levar um gato a convulsionar, como diferenciar uma crise de outros episódios e quais atitudes podem salvar a vida do animal.

Entenda

  • Convulsões em gatos costumam ter causas identificáveis, ao contrário do que ocorre em cães.
  • Intoxicações domésticas estão entre os motivos mais frequentes e perigosos.
  • É fundamental diferenciar convulsão de desmaio ou outros distúrbios neurológicos.
  • Saber como agir — e o que não fazer — durante a crise pode evitar complicações graves.

O que pode levar um gato a convulsionar

Segundo o professor João Paulo Lacerda, coordenador do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), a epilepsia sem causa definida é menos comum em gatos, especialmente nos idosos. Na maioria dos casos, há um problema de base associado.

“Entre as causas extracranianas, destacam-se alterações metabólicas como hipoglicemia, encefalopatia hepática — comum em gatos com shunt portossistêmico ou lipidose hepática —, insuficiência renal grave e desequilíbrios eletrolíticos, como a hipocalcemia”, afirma o profissional.

Já as causas intracranianas incluem tumores cerebrais, principalmente meningiomas em gatos mais velhos, traumas cranianos, malformações congênitas, como a hidrocefalia, e doenças inflamatórias ou infecciosas. Entre elas estão a Peritonite Infecciosa Felina (PIF), toxoplasmose, FeLV e FIV. Para algumas dessas enfermidades, existem vacinas que ajudam a prevenir o adoecimento dos animais.

Há ainda os casos classificados como idiopáticos, quando todas as outras causas são descartadas. Essa condição é mais comum em gatos jovens, entre 1 e 7 anos.

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Intoxicações: um risco dentro de casa

As intoxicações domésticas estão entre as causas mais frequentes de convulsões agudas em gatos. Segundo o especialista, isso acontece porque o metabolismo hepático felino tem limitações importantes na eliminação de toxinas.

  • Produtos antipulgas destinados a cães, que contêm piretroides e permetrina, são especialmente perigosos e podem provocar tremores intensos e convulsões quando usados inadvertidamente em gatos.
  • Plantas ornamentais também representam risco. Lírios, por exemplo, podem causar falência renal, levando a crises metabólicas.
  • Azaleias, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge, copo-de-leite, antúrio, oleandro, jiboia e costela-de-adão estão entre as principais plantas tóxicas para felinos.
  • Medicamentos humanos, como paracetamol, antidepressivos e anti-inflamatórios, além de produtos de limpeza com fenóis, completam a lista de substâncias que exigem atenção redobrada.
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O metabolismo hepático do gato é único e deficiente em certas vias de desintoxicação

Convulsão ou outro problema?

Nem todo episódio assustador é, de fato, uma convulsão. De acordo com o especialista, a crise convulsiva tônico-clônica é caracterizada pela perda de consciência, rigidez muscular seguida de movimentos involuntários, salivação excessiva e, em alguns casos, urina ou fezes eliminadas de forma involuntária.

Já a síncope, ou desmaio, geralmente tem origem cardiovascular. Segundo o professor, nesses casos, o gato perde a consciência por poucos segundos, recupera-se rapidamente e não apresenta movimentos de pedalagem, salivação intensa ou confusão prolongada após o episódio.

O que fazer — e o que evitar — durante a crise

Ao presenciar uma convulsão, a orientação do especialista é manter a calma. “O tutor deve afastar objetos que possam ferir o animal, reduzir estímulos como luz e barulho, cronometrar a duração da crise e, se possível, gravar o episódio para auxiliar o veterinário no diagnóstico.”

Por outro lado, algumas atitudes podem agravar a situação. Nunca se deve colocar a mão na boca do gato, tentar imobilizá-lo, oferecer água ou comida logo após a crise, nem administrar medicamentos sem orientação profissional.

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Quando é emergência veterinária

Toda primeira convulsão deve ser avaliada por um médico veterinário. No entanto, a situação se torna crítica quando a crise dura mais de cinco minutos, quando ocorrem duas ou mais convulsões em 24 horas, quando o animal não recupera a consciência ou apresenta cegueira e agressividade persistentes. Alterações respiratórias ou língua azulada após a crise também indicam emergência.

Em qualquer dúvida, o veterinário é o profissional indicado para orientar, diagnosticar e definir o tratamento adequado, garantindo mais segurança e qualidade de vida ao gato, reforça o professor João Paulo Lacerda.

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