Cão idoso pode ser adestrado! Veterinário ensina como adaptar o treinamento
Sessões de comandos curtas de até 10 minutos mantêm a mente do cão ativa e retardam o declínio cognitivo

Quem é tutor ou adota um amigo de quatro patas mais velho costuma ter a seguinte dúvida: ele pode ser adestrado? A resposta é sim! O adestramento de um cão mais velho ou idoso é possível, já que o cérebro do animal continua formando novas associações ao longo de toda a vida. O veterinário Ricardo Vianna explica que a idade muda o ritmo do ensino, exigindo sessões curtas de cinco a 10 minutos, de preferência em locais tranquilos. Com paciência e técnicas adequadas, os tutores conseguem ensinar hábitos e fortalecer o vínculo com seus animais de estimação.
Antes de iniciar os treinos, é essencial realizar uma avaliação médica para descartar dores causadas por artrose ou displasia, garantindo que a recusa aos comandos não seja motivada por desconforto físico.

Cuidados de saúde antes de treinar o cão
Antes de começar os exercícios com o cão, o primeiro passo é passar por uma consulta médica para avaliar problemas articulares, de visão ou de audição. Muitas vezes, a recusa em sentar ou a demora para responder acontece em consequência de dores, e não por teimosia ou desobediência do pet.
Se o animal apresenta perda de memória, desorientação ou distúrbios do sono, o veterinário deve avaliar a presença de disfunção cognitiva canina. Com a saúde em dia, o treino deve ser adaptado para pisos não escorregadios e sem movimentos de alto impacto que forcem a coluna.
Entre no canal de WhatsApp do Vida e EstiloCaso o animal tenha perda auditiva, o tutor pode trocar os comandos de voz por sinais claros com as mãos. Petiscos bem atrativos ajudam a compensar a perda do olfato, mas precisam entrar no cálculo diário de calorias para evitar o ganho de peso.

Como adaptar as sessões de treino para o cão
O aprendizado exige sessões de cinco a 10 minutos, repetidas ao longo do dia, evitando o cansaço físico e mental. Diferente dos filhotes que se distraem facilmente, os animais mais velhos tendem a ser mais calmos e focados, embora reajam em um ritmo mais lento.
Utilizar o adestramento positivo, recompensando apenas os acertos, sem aplicar punições, funciona como um excelente exercício cerebral para manter o pet estimulado.
O veterinário compara esses exercícios a atividades humanas de raciocínio para destacar seus benefícios na maturidade. “É como as palavras cruzadas para uma pessoa mais velha”, aponta o especialista.
Jogos de farejar petiscos e comedouros interativos entram na mesma categoria. Eles ajudam a retardar o avanço do declínio cognitivo de forma prazerosa.

Comandos básicos para a segurança do cão
Para corrigir hábitos antigos, a melhor estratégia é ensinar um novo comportamento substituto, como sentar para receber visitas, e recompensar cada acerto. No passeio, a coleira peitoral é a mais indicada para evitar que o cão puxe a guia sem machucar o pescoço.
Em casos de latidos ou agressividade por medo e dor, convém consultar um veterinário comportamentalista.
O coordenador do curso de Medicina Veterinária do UDF destaca seis comandos fundamentais para garantir a segurança e a qualidade de vida do animal idoso:
- Atender ao nome;
- O comando de vir quando chamado;
- O “fica” para conter riscos;
- O “deixa” para evitar a ingestão de produtos tóxicos;
- O “andar” junto na guia;
- O aceite de manuseio e toque.
Treinar a aceitação ao toque nas patas, boca e orelhas facilita os exames clínicos e a aplicação rotineira de remédios. Caso você não tenha sucesso em casa, é prudente buscar auxílio especializado.


