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Cachorro aguarda há três anos por adoção e motivo surpreende a web
Resgatado ainda filhote no litoral paulista, o cachorro Fofo enfrenta desistências de adoção e simboliza a realidade de cães com deficiência
atualizado
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Há três anos, um cachorro de porte médio vive em um abrigo no Guarujá, no litoral de São Paulo, à espera de um lar. Carinhoso, sociável e com rotina ativa, Fofo costuma despertar o interesse de possíveis adotantes logo no primeiro contato.
No entanto, o entusiasmo inicial quase sempre se transforma em desistência quando os interessados conhecem um detalhe de sua história — uma condição que ainda gera preconceito e medo, apesar de não limitar sua qualidade de vida.
Entenda
- Resgate e abandono: Fofo foi encontrado em situação de vulnerabilidade logo após o nascimento. Ele foi o único da ninhada a não ser adotado.
- Interesse que não se concretiza: segundo os cuidadores, o cão atrai pretendentes pelo temperamento dócil, mas o processo de adoção costuma ser interrompido após a entrevista.
- Vida ativa no abrigo: vídeos mostram Fofo circulando com segurança, brincando com outros cães e mantendo comportamento equilibrado.
- Busca por um lar em 2026: a campanha atual quer transformar o próximo ano no marco da adoção definitiva do animal.

Resgatado ainda filhote, Fofo cresceu dentro do abrigo e desenvolveu habilidades sociais importantes. Ele convive bem com outros cães e até com espécies diferentes, mantendo uma rotina considerada saudável pelos cuidadores. “Ele é um dos mais amáveis do abrigo”, relatam os responsáveis, que se preocupam com o impacto da longa permanência institucional na vida do animal.
A história de Fofo não é isolada. Em abrigos de todo o país, cães com deficiências físicas ou sensoriais costumam aguardar mais tempo por adoção. A falta de informação e o receio de cuidados complexos afastam possíveis tutores, mesmo quando o animal demonstra autonomia e boa adaptação.
De acordo com o médico veterinário Thiago Borba, a percepção comum sobre esses cães não condiz com a realidade. “Cães que nasceram cegos ou que ficaram cegos no decorrer da vida se adaptam a essa condição utilizando seus outros sentidos. Podem até acontecer uma trombada ou algo do tipo, mas não existe o fator psicológico de ‘tristeza pela condição’. É sempre aprendizado, e sempre com o rabo abanando”, explica.
Segundo o veterinário, quando a condição está presente desde o nascimento, o principal desafio é a forma como o tutor interage com o animal. “O maior cuidado é saber lidar com o pet sem estressá-lo”, orienta.

Visibilidade ao caso do cachorro Fofo
A visibilidade do caso aumentou em 11 de janeiro, após a divulgação da história no Instagram (veja aqui). Atualmente com cerca de três anos, Fofo está castrado, vacinado e liberado para convivência familiar imediata.
Para ampliar as chances de adoção, os organizadores oferecem carona solidária, possibilitando que o cão seja levado para outras cidades e regiões fora do litoral paulista.
O processo de adoção é criterioso e prioriza a posse responsável. As entrevistas e avaliações são realizadas por meio do aplicativo da Hyppet, que também concentra informações sobre saúde e comportamento dos animais disponíveis.
Dicas essenciais para tutores de pets cegos
O médico veterinário Thiago Borba destaca cuidados simples que fazem diferença no dia a dia dos pets cegos:
- Mantenha a mobília fixa: a organização constante ajuda o pet a memorizar rotas e criar um mapa mental seguro.
- Use estímulos sonoros e olfativos: sinos ou aromas suaves podem marcar pontos importantes da casa.
- Comunique-se antes do toque: aproxime-se devagar e chame o animal pelo nome para evitar sustos.
- Centralize os recursos: cama, água e comida devem permanecer sempre nos mesmos locais.
- Crie trilhas táteis: tapetes diferentes auxiliam na identificação de ambientes pelas patas.
- Identifique outros animais: guizos na coleira de outros cães ajudam na localização (evite em gatos).
- Estimule a autonomia: evite carregar o pet no colo; caminhar é essencial para a orientação espacial.

Enquanto aguarda por uma família definitiva, Fofo segue sua rotina no abrigo, demonstrando que limitações físicas não definem afeto, autonomia ou capacidade de adaptação — apenas reforçam a importância da informação e do olhar responsável na hora de adotar.








