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Cachorrinho sem as patas anda pela 1ª vez ao ganhar cadeira de rodas
Cachorrinho que nasceu sem as patas no Distrito Federal ganhou protótipo de cadeira de rodas e pode andar pela primeira vez
atualizado
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Um desafio pet incomum transformou-se em marco para alguns estudantes de medicina veterinária e engenharia da computação, que se uniram para produzir uma cadeira de rodas anatômica e de baixo custo, desenvolvida a partir de tecnologias de prototipagem rápida e impressão 3D.
O protagonista dessa história é o cachorrinho Bili, um poodle que nasceu com uma condição rara, sem as patas dianteiras. A estudante Beatriz Miranda explicou que os alunos conheceram o cachorrinho por meio de uma publicação nas redes sociais.
“Ele se mostrou um candidato ideal por ser um animal jovem, já que muitos cães com deficiências motoras desenvolvem, ao longo da vida, estratégias próprias para se locomoverem e realizarem suas atividades diárias de forma independente. No entanto, quando tecnologias, como a cadeira de rodas, são introduzidas tardiamente em animais que já passaram por esse processo de adaptação, a transição costuma ser mais difícil”, contou a aluna que integrou a equipe.

No caso de Bili, como explicou Beatriz, a cadeira se apresentava como uma solução viável e necessária para devolver mobilidade e qualidade de vida.
O processo começou com medições detalhadas do corpo de Bili — como altura, largura do tórax e comprimento, o escaneamento 3D e um molde de gesso para validar proporções e áreas de apoio.
A partir daí, as estudantes projetaram a modelagem digital em software CAD. Então, ajustaram ergonomia, conforto e resistência. Com o apoio do curso de engenharia da computação, o estudo evoluiu para a fase prática, transformando os modelos digitais em peças físicas.
Reação de Bili
Beatriz aponta que, apesar da cadeira de rodas não estar totalmente adequada no primeiro teste, foi possível notar que o pet já demonstrava certa familiaridade com ela. “Ele estava sempre curioso com tudo ao redor, e isso servia como um estímulo a mais pra ele andar e explorar o espaço usando a cadeira.”

Sarah Mazetti, estudante que também fez parte do projeto, aponta que Bili é um cachorrinho jovem com muita energia e curiosidade para explorar. Por ser muito dócil, sempre permitia as manipulações e ajustes sem problema algum.
“Desde os encontros para medição e rápida avaliação de encaixe de peças da cadeira, ele não dava problema algum. Apesar de ser o primeiro contato dele, ainda não a utilizava com todo potencial, pois estava no processo de entender como usá-la, que foi se tornando cada vez mais frequente conforme seus usos nos testes”, acrescentou Mazetti.
Além disso, Bili precisou se preparar para receber a cadeira. “Os tutores do Bili levaram-no para a fisioterapia desde antes do projeto, isso facilitou muito na hora de ele se acostumar com a cadeira em si. É uma prática que ele sempre foi encorajado, sendo sempre uma das nossas maiores prioridades, que se movesse e testasse sem se machucar.”
